O Zé!

Conheci o Zé quando me preparava para a 1ª comunhão. Sim, recebi uma educação católica, mas isso nem vem ao caso, já que me tornei agnóstico há mais de duas décadas. Morando relativamente perto, o Zé nunca foi meu colega de escola, embora frequentasse os mesmos estabelecimentos de ensino no primário e preparatório, no secundário nossos caminhos ficaram definitivamente separados, ainda que vários amigos comuns e alguns episódios com raparigas no final da adolescência tenham provocado uma aproximação conjuntural. A profissão de fé e depois o Crisma obrigaram à convivência e frequente divergência com o Zé, ele foi convidado a dar catequese, já eu começava a levantar demasiadas questões para o gosto das pessoas que orbitavam em redor do pároco, mais até que ao próprio sacerdote, que sempre respeitei. Sem grande surpresa militámos ambos na juventude partidária do mesmo partido, só que o Zé também era próximo da Opus Dei, enquanto eu, à semelhança de muitos portugueses e aqui faço mea culpa, fui começando a ficar atraído pelo discurso de um certo professor de economia. Por esta altura o Zé estava prestes a concluir a licenciatura numa área técnica de pouca empregabilidade do privado e difícil acesso no Estado. Uma vez que o pai do Zé ainda era compadre do autarca lá da terra, lá foi o rapaz rumar às origens. Um pequeno senão, a câmara era vermelha, mas ninguém terá pedido ao Zé que mudasse convicções, eventualmente que não provocasse grandes ondas. A partir dessa altura, o Zé passou a deslocar-se a Lisboa em fins de semana alternados, sendo frequente ouvir da sua boca palavras como “os comunas até são bons no poder local”. Sem nunca ter militado no PCP, conseguiu no entanto vários amigos que possibilitaram a sua contratação para uma autarquia na área metropolitana de Lisboa. Algumas dissidências no PCP às quais o Zé era totalmente alheio, pois nem sequer militava no partido, permitiram ao Zé à boleia de amigos que se agruparam na Renovação comunista, aproximar-se do PS. A cereja em cima do bolo veio com a mudança de cor política na autarquia, que acabaram por levar o Zé à filiação no PS. Com ela chegou mais poder, ligado à área de urbanismo.

Mas a sorte não dura para sempre, o PS perdeu a autarquia, o Zé não cairá no desemprego mas viu reduzido o poder de influência. Neste momeno procura transferência, ao que sei conta com apoio de amigos em concelhos limítrofes. Claro, os governados pelo PS. Obviamente que o Zé é apenas um boy. Os boys não são infelizmente um exclusivo do PS.

Nota – Em todos os factos aqui narrados, apenas um não corresponde à verdade, Zé não corresponde ao verdadeiro nome do personagem…

Comments


  1. bom o sacerdote que respeidavas….era daqueles seminaristas de bons costumes? bom é um personagem ou é uma pessoa?

    em todos os factos aqui narrados …..zé é um fato? ou facto?

    conheci o zé…o facto conhecer é bíblico?

    e alguns episódios com raparigas ? o facto relatado é sexo em grupo ou andaram a bater na bárbara guimarães?

    em todolos factos aqui escreitos e inarráveis

    julgar alguém pelo qual a quem ama
    é meio que incomprensivél de mais não ?
    As pessoas tem o inaravél dom , de se dar a autoridade necesaria de ivandir a tua vida ..

    ivandir mesmo…


  2. nota de 500 contos:מִצְעָר ……mits‑awr


  3. O Zé vai arranjar outro esquema, quer próximo da Opus Dei, quer de uma loja qualquer da Maçonaria. O Zé é o gajo do desenrasca, basta ter os amigos e amigalhaços.
    Esta história é tão banal como as banalidades de Zés da nossa praça. A história do seu Zé ( o seu conhecido) traduz entre osutras hipóteses que para se ganahr a vidinha pode-se oscilar entre deus e o diabo. Principios de coerência é para os morcões..


  4. Princípios de coerência são para os que ainda tèm coluna vertebral, amigo! E ainda há muitos!

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