Marinho e Pinto: Por quem os sinos dobram

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O ainda bastonário da Ordem dos Advogados, António Marinho e Pinto, escreve no JN sobre “O crime de corrupção jornalística (2)”.

Eu hesitei no título deste post. A dúvida foi entre “Eu sei o que fizeste no verão passado” e “Por quem os sinos dobram”. No primeiro caso por um conjunto de motivos que considero importantes para o caso: o facto de, pelo que vi escrito por um dos principais consultores de comunicação nacionais, Marinho e Pinto já ter exercido, no passado, funções na área da consultoria/assessoria de imprensa; por o autor do artigo do JN já ter sido jornalista; por saber que a sua revolta actual nasce da fraca adesão da imprensa aos momentos (supostamente) mediáticos da candidata que apoia e, relevante a meu ver, por ter apoiado Marinho e Pinto no passado na chamada “comunicação 2.0”.

Acabei por escolher “Por quem os sinos dobram” graças à semelhança entre Marinho e Pinto e o “Jordan” de Hemingway. AMP começou, cedo, a aprender a mexer em explosivos e não hesita, nem por um instante, em fazer explodir seja uma ponte, um simples veículo de quatro rodas ou mesmo um canídeo. Em suma, ele faz explodir tudo o que mexe. No caso em apreço: jornalistas, jornais, consultores de comunicação, consultoras, políticos, candidatos a tudo e mais qualquer coisa. Tudo corrido à bomba.

De forma resumida e simplista, Marinho e Pinto afirma que as empresas de comunicação (as consultoras e os consultores) são uns facínoras contratados pelos clientes de forma a potenciar a boa imagem destes (certo) e denegrir a dos seus adversários/concorrentes (generalizar é um perigo) e que andam secretamente (???) a “comprar” jornalistas. E vai mais longe comparando os consultores de comunicação com os antigos pistoleiros que se contratavam, diz ele, para eliminar fisicamente certas pessoas. Aqui chegados, considero que o ainda bastonário da Ordem dos Advogados anda a ver muitos filmes…

Ora, eu sou consultor de comunicação. Para ajudar, sou nado e criado na Areosa, terra onde não faltaram, no passado, pistoleiros, carteiristas e outros bandidolas. Para ajudar à festa, colaborei (sem cobrar um tostão) na gestão das redes sociais da sua última candidatura e na promoção da sua candidatura na blogosfera. Para ser totalmente franco e transparente, essa colaboração foi-me pedida por um dos seus apoiantes (e não pelo AMP). Aceitei de imediato por dois motivos: pela profunda e antiga amizade a quem solicitou os meus serviços e por admirar (mesmo quando, como é o caso, discordo dos seus escritos) a personalidade de Marinho e Pinto.

Vamos por partes: se me perguntam se a minha discordância no tocante a este artigo é total, respondo: Não. Como procuro não ser ingénuo e já tenho uns anitos a virar frangos nesta matéria, sei perfeitamente que existem estratégias de comunicação que passam por denegrir a imagem dos adversários mais do que potenciar a imagem positiva do cliente. Como sei e já dei de caras com situações, no mínimo, estranhas de confusão entre jornalismo e consultoria. Ou de jornalistas a insinuar-se junto de terceiros para fazerem “assessoria”. De directores de órgãos de comunicação social a indicar a terceiros a empresa A ou a empresa B de comunicação onde trabalha a mulher/marido ou o filho/filha. Quando não é o próprio jornalista/director dono ou sócio de uma consultora de comunicação. Ou seja, concorrência desleal (e nada legal). E se o AMP assim o desejar, aqui estou para lhe dar (maus) exemplos. Porém, quer AMP queira quer não, são excepções e não a regra.

Enquanto consultor de comunicação conheço e lido com muitos jornalistas. Contudo, os dedos de uma mão chegam para contar aqueles com quem partilho mesa, seja para almoçar ou jantar. E destes, em vários anos de profissão, os mesmos dedos de uma mão chegam para contar as notícias positivas sobre um cliente meu. Já o contrário, não chegam nem os dedos das mãos nem os dos pés. E casos como o meu conheço imensos. E esta para nascer o primeiro jornalista que possa dizer que o tenha ilegalmente pressionado/ameaçado/comprado ou outro qualquer acto do género que AMP insinua. Já me “passei” com jornalistas? Já, sim senhor. Ossos do ofício. E, normalmente, em público. E vice-versa. Nunca escondi a cara para “bater” no jornalista A ou B, por exemplo, nas redes sociais. Sem usar pseudónimos ou perfis falsos.

Gente menos séria existe em todas as profissões, seja na advocacia, no jornalismo ou noutra qualquer. A forma como Marinho e Pinto generaliza é que me deixa perplexo e desgostoso. Principalmente vindo de alguém, como AMP, que lida diariamente com a comunicação social e certamente sabe, bem melhor do que eu, que as situações excepcionais que insinua se passam mais na cúpula do jornalismo que na base. Para mal dos seus e meus pecados…

Comments


  1. Um homem que atitou impiedosamente com tudo à Sra. Moura Guedes, mas nunca apelou para que os advogados provassem a origem da riqueza através de impostos pagos. Ou saía de imediato da ordem dos advogados ou saiam todos os advogados. Enquanto não provarem a origem da sua riqueza através de impostos pagos, é tudo uma farsa para levar parôlos encantados…

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