Comunicação política Digital (entrevista #2) – a lata

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Uma coisa muito portuguesa é falar do que não se leu/sabe transformando a ignorância em douta opinião.

Um velho amigo enviou-me um artigo da Fernanda Câncio no DN sobre, entre outras, a minha entrevista à Visão. Depois de ler, avisei alguns companheiros de blogue que já não será preciso colocar no blog em PDF cópia da tese. É pedir à Fernanda (e a outros), estou certo que ela já a leu, dada a certeza das suas conclusões. Vejamos:

Os 30 mil leitores. Como a Fernanda leu a tese, de certeza, não reparou na análise aos números. E o que dizem os números? Que o somatório da média diária dos blogues “políticos”, naquela altura, ultrapassava largamente os 30 mil leitores diários (o somatório). Porém, esse número deveria ser visto com alguma reserva dada a forte possibilidade dos 5/6 mil do Blasfémias + 3/4 mil do 31 da Armada ou os 3/4 mil do Aventar se cruzarem num nível bastante elevado. Também poderia ser escrito, aceito, que a média dos blogues de política, todos juntos não passaria dos três mil a quatro mil almas pois, muito à portuguesa, eram todos os mesmos, na lógica do burro coça o burro. Já quanto às falsidades e absurdos, a minha dificuldade é maior pois não sei do que se refere. Estou certo que a Fernanda, douta nestas coisas, entende que um orientador de tese (doutorado em comunicação e um dos maiores especialistas espanhóis em comunicação digital) acrescido de uma directora (também doutorada) de mestrado e três membros do júri, todos académicos de reconhecidos méritos (doutorados) serão todos, ao contrário da nossa Fernanda, umas enormes cavalgaduras que se deixaram enganar pelo gordo. A nandinha é que a sabe toda. Outra coisa que diz a tese (nessa parte a Fernanda já dormia e por isso não reparou) é que a blogosfera foi importante (e não fundamental) na eleição interna e isso está lá explicado ao pormenor (as razões, o caso particular do PSD, a forma, etc). Importante.

Depois a Fernanda Câncio confunde a componente Albergue Espanhol com o resto. Aliás, não confunde, é mais um ajuste de contas antigo. É uma outra forma de manipulação. Por isso disse e reafirmo, não existem virgens nesta matéria. Só virgens ofendidas. O mais engraçado, no meio de tudo isto, é a dúvida que fica: a Fernanda está a fazer-se de anjinha ou não?

Pelo meio, aquele ataque pequenino, muito portuguesinho do género “o que ele quer é protagonismo” ou “não foi compensado e agora vinga-se” (o Pacheco Pereira também não andou longe). Tanta certeza sobre tudo e mais alguma coisa. Tantas certezas sobre a minha vida. Até vi um afirmar coisas como “este tipo surge em 2011 no negócio da comunicação”. Em 2011??? As coisas que fico a saber sobre a minha vida e que desconhecia…Enfim, nada de novo.

O estudo fala e retrata a forma como se desenvolvem algumas estratégias de comunicação política digital. Nada do que ali está é novo ou desconhecido, sobretudo de jornalistas, políticos e profissionais da comunicação. Nada. Como em  (quase) nada se diferencia de outras estratégias bem mais antigas (apenas não existia o “mundo digital”): sejam elas o pagamento de quotas em barda, os sindicatos de voto, os jornalistas que acumulam com assessorias (era vê-los ontem a rosnar nas redes sociais como se não houvesse amanhã), a publicidade a troco de notícias, o cruzamento de interesses, a vergonha dos comentários insultuosos e combinados nas caixas abertas de vários jornais com a conivência dos meios, a transformação dos fóruns das rádios e televisões em canais de propaganda negra, etc, etc, etc. E depois temos a lata. A lata de quem sabe que tudo isto existe mas entende que não se deve falar em público sobre a realidade. A lata de quem é conivente e agora aparece ofendido.

Bem, se isto foi assim com a tese de mestrado nem imagino o que será com a de doutoramento. O melhor mesmo é ir para uma universidade bem longe e esperar que nenhum português ande por lá para que não chegue ao conhecimento da Pátria.

Por último, um esclarecimento fruto de alguns ataques de quem não sabe do que fala. E ainda por cima disse-o (facebook) no dia anterior à publicação da entrevista. Quando me convidaram, quando um velho amigo me convidou a participar e quando lhe transmiti que aceitaria, avisei que da experiência iria fazer um estudo académico. E avisei repetidamente. Para que não fiquem dúvidas.

Comments

  1. olinda de freitas says:

  2. Espero que nos continue a trazer muitos e bons trabalhos. O Camarao ingles e os atecessores foram todos eleitos e manipulados pelas camapanhas dos media e net com ajuda até determinante do Murdochk e nãome parece que a cãozoada se tenha insurgido tanto. Há um spray indolor contra “esses”, e a caravana segue na mesma.

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  1. […] Hoje a orelha já deve ter sangrado de tanto a torcer. Segundo, ao não prevenir e antever as repercussões que esta entrevista teria. Muitas almas não estão preparadas para ficarem sem o tapete que as […]


  2. […] com enorme espanto que tenho vindo a acompanhar o coro de hipócritas que tem vindo a atacar o Fernando Moreira de Sá por causa da sua tese de mestrado, resumida na entrevista que deu ao Miguel Carvalho da «Visão». […]


  3. […] com enorme espanto que tenho vindo a acompanhar o coro de hipócritas que tem vindo a atacar o Fernando Moreira de Sá por causa da sua tese de mestrado, resumida na entrevista que deu ao Miguel Carvalho da […]

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