A tese

A pedido dos meus companheiros de blogue e de inúmeras pessoas que me fizeram chegar a vontade de a ler, pedi ao João José Cardoso que fizesse o favor de a “preparar” tecnicamente e a colocar no Aventar.

Aqui fica para todos aqueles que a queiram ler e à mercê de todos aqueles que a queiram “tresler”.

A Comunicação Política Digital nas Eleições Directas de 2010 no PSD pelo candidato Pedro Passos Coelho (pdf)

Comments


  1. Gosto de ti, mesmo que não possa tratar-te por tu e que possas considerar uma ousadia ou falta de respeito.

    Isto:
    http://aventar.eu/2013/11/14/as-redes-sociais-e-a-politica-organizada/
    é dar a cara!
    Parabéns!


  2. Tese interessante embora, pelo conteúdo e extensão, pareça ser uma “tese de mestrado” a la “Novas Oportunidades”.
    A parte interessante tem a ver com a comprovação de que a blogosfera portuguesa se resume a políticos, gabinetes de políticos, jornalistas, “especialistas em comunicação” e pouco mais a falarem uns para os outros. As menções a blogues na comunicação social “tradicional” são apenas bloguers a mencionarem algo que a esmagadora maioria dos espectadores/ouvintes/leitores nunca frequentou nem sabe sequer o que é.
    Quanto a, em 2010, o PSD “era um partido que já estava presente no mundo digital”, convinha ter uma ideia de quantos militantes do PSD fazem o download do “Povo Livre”, visitam os sites do PSD ou interagem (o que implica comunicação nos dois sentidos) com o partido através de correio electrónico. Provavelmente não chegam a 1% dos militantes inscritos.


    • Caro Joaquim Amado Lopes, se me permite respondo por partes e deixo a primeira para o fim:

      Exacto, a blogosfera (salvo raras excepções) era assim naquela época e hoje só o será menos pela franca diminuição de audiências (uma vez mais, salvo raras excepções). Políticos, jornalistas, consultores de comunicação e curiosos das questões políticas. Todos a falar uns para os outros julgando que estão a falar para milhões de pessoas e, afinal, apenas em círculo com alguns, poucos, milhares (e estou a ser optimista). Aliás, a exemplo da discussão sobre o conteúdo da minha tese (cujo nome tecnicamente correcto seja dissertação) onde, uma vez mais, estamos a falar em círculo entre meia dúzia de almas. Tanto assim é que a maioria dos bloggers/jornalistas/comunicadores que sobre ela falam como se fosse uma novidade desconhecem que a mesma já foi discutida (junho/julho/agosto e setembro) noutros fóruns e até por pessoas que trabalham comigo, nalgumas palestras.
      Quanto à questão levantada sobre o número de militantes que interagem (uma excelente questão, por sinal), não lhe sei responder no caso do Povo Livre mas no tocante às comunicações via mail o número é elevado dentro do universo dos militantes que votam nas diferentes eleições – que são o universo que interessa no caso prático analisado.

      Já quanto ao primeiro ponto abordado penso que terá verificado (ainda não fui ver se a nota introdutória está no PDF, algo que farei já a seguir) foi feita a ressalva de não estar todo o conteúdo. A qualidade dos mestrados não sou eu que avalio. Chamo a sua atenção para alguns pormenores que penso serem interessantes: a Universidade de Vigo ainda recentemente surgiu como uma das melhores de Espanha num estudo europeu onde, por sinal, surgiam apenas três portuguesas. É uma área específica de estudo (comunicação política digital) pouco abordada e dentro de uma outra ainda jovem em termos académicos (Comunicação). Tive, ao longo da componente lectiva de mestrado (toda ela avaliada disciplina a disciplina) excelentes professores, boa parte deles Doutorados e com provas dadas profissionalmente. Alguns, mesmo, bastante famosos em Espanha e na América Latina pelas suas obras e estudos académicos. Se a tese podia ser melhor ou se outros a fariam bem melhor, acredito. Eu fiz dentro das minhas limitações e saber. Que são o que são.

      Muito obrigado pelo seu comentário.


      • Fernando Moreira de Sá,
        Muito obrigado pela sua resposta.
        .
        Se concorda com que “a blogosfera portuguesa se resume a políticos, gabinetes de políticos, jornalistas, “especialistas em comunicação” e pouco mais a falarem uns para os outros”, então só pode concordar com a conclusão óbvia de que o impacto dos blogues numa qualquer eleição (incluíndo as partidárias) é absolutamente marginal ou mesmo negligenciável. O mesmo para o Twitter e quaisquer outras redes sociais.
        .
        Na realidade, quanto maior fôr uma rede social (em que todos são ao mesmo tempo produtores e consumidores) menor será o seu impacto num qualquer tema localizado (tais como eleições partidárias).
        As redes sociais terão um grande impacto em termos da sua utilização como ferramenta de colaboração por grupos fechados mas não como espaço de interacção para grupos muito grandes. A razão é eminentemente práctica: quando muitos falam ao mesmo tempo, ninguém se ouve.
        .
        Enquanto é novidade ficamos fascinados pela quantidade de informação ao nosso alcance mas rapidamente percebemos que não temos capacidade nem tempo para absorver toda essa informação e passamos a ser muito mais “selectivos”, concentrando-nos nos temas que nos interessam mais.
        Até o próprio Fernando o afirma na sua dissertação/tese (usa ambos os termos no documento): “os blogues de futebol, sexo e de partilha de ficheiros dominam a tabela dos 100 mais”.
        Assim, umas eleições partidárias podem ser alvo de discussões apaixonadas nos blogues, Twitter e Facebook mas os participantes não serão mais do que umas dezenas/centenas e essas discussões pouco ou nada alterarão os resultados das eleições.
        .
        Muito sinceramente, o deslumbramento com o impacto da blogosfera não passa disso mesmo, deslumbramento com uma novidade tecnológica, associado a uma dose de provincianismo, que leva à ilusão de que o “sítio onde estamos” funciona quase como “o centro do mundo”.
        Há realmente centenas de milhões de utilizadores de redes sociais mas a maior parte limita-se a reproduzir nessas redes as suas redes de conhecidos. A partilha de conteúdos é mais fácil e imediata mas aqueles com centenas ou milhares de “amigos” não estão realmente a partilhar nada.
        A excepção é quem tem muitos seguidores (celebridades) mas nesses casos a rede social não funciona tanto como um espaço de interacção (nos dois sentidos) mas mais de distribuição (num sentido). Por os seguidores serem muitos, pouquíssimos deles virão realmente a ser “ouvidos” pela “celebridade”.
        .
        Quanto à qualidade da sua dissertação/tese e do ensino na Universidade de Vigo, não posso avaliar. Mas, muito sinceramente, o documento que publicou em pouco se distingue de um artigo de revista. Eventualmente é mesmo isso que uma dissertação/tese de mestrado é suposto ser.
        De qualquer forma, felicito-o pelo seu mestrado (sem ironia) e, uma vez que este tema me interessa, espero vir a poder ler a sua tese de doutoramente.


        • Concordo com praticamente tudo o que afirma. Nomeadamente quanto ao verdadeiro alcance da blogosfera. O que não invalida outra coisa: a estratégia seguida na blogosfera (e na comunicação digital) por parte da candidatura (directas PSD) foi, em meu entender, bastante positiva. Estamos a falar de um universo fechado, de militantes (com quotas em dia, o que o torna ainda mais pequeno) que recebia informação sobre as eleições e os candidatos através dos meios tradicionais e via digital (mail, blogues, twitter, facebook, etc) e depois temos a importância da mensagem que circula na web e depois passa para os media tradicionais.
          Obrigado e cumprimentos.


  3. Gostei.


  4. Uma nota, tão prévia que lhe faltam as palavras. É que nunca tinha visto antes uma *tese* com 25 páginas com parágrafos a espaço e meio e com pouco + de uma vintena de referências bibliográficas, mas.


  5. “Pedro Passos Coelho que já estava em campanha à mais tempo e que tinha o apoios internos e externos fortes.”

    Bela tese.

  6. Ruibarbo says:

    O problema de quem entra nas andanças da comunicação do marketing, gestão de imagem de figuras publicas e não só, pode eventualmente ceder a uma ou outra vontade de ser também uma figura!!Quiçá…política,,,ou então, quando não seja satisfeita essa dita “ambição” pode acontecer ficar um sabor amargo no palato e uma névoa de secura nos cantos da boca.
    Então por vezes, e sabe-se lá como consegue-se uma entrevista com uma revista de certo destaque, sem decerto querer ter o dito destaque….mas para dizer que é tudo manipulável, que se podem tomar decisões, que indivíduos colocados em sectores chave da nossa comunicação social aceitam e afins aceitam as outras vozes e sem pensarem pela própria cabeça aceitam uns comentários de uns outros indivíduos, aquém nunca ninguém lhes puxou o tapete na altura devida, para assim tomarem conhecimento de alguma dificuldade nas sua alegre e despreocupada existem.
    Com essa vida tão confortável onde facilmente se ignora, todas as dificuldades, claro este país é só facilidades para quem o habita, de preferência que seja um pouco estulto que assim ascende mais depressa, ou também que seja patético.
    Depois de um serviço realizado determina-se que os amigos olhem para nós “Ó meu caro eu coçei-te as costas!Agora vê lá se coças as minhas”
    Como não aconteceu vou para as parangonas de revistas que lentamente se tornam pasquins abjetos, fazer queixinhas de que todos fizeram e aconteceram…ai…ai!!Que não me deram um lugarzinho no poleiro e aqueles safardanas estão a comer a mesa sem mim!!
    Pois é dor do coto é assim mesmo!!
    Nem todos os portugueses andam a dormir a sombra das palermices!
    Sodoma e Gomorra é assim que isto vai!1
    Felizmente que cada civilização dura em média 250 anos, esta pelos visto deveria estar para acabar e com ela ir todos os oportunistas e arrivista que se acham bons com o canudo nas mãos!!Juizo menino ainda vais levar tau tau do PSD ou será que depois de virada a casaca vai ser do PS?
    A pois é que para servir tem de se vestir a cor oi ser da cor!!
    Tomar partidos é lixado.

  7. Ruibarbo says:

    Sr. Fernando Moreira, gostaria de lhe dar um lugar na minha empresa só não sei em que Pântano é que o sr mora depois daquela Delicatessen de entrevista!!Obrigado pela confissão da porcaria e da sua dor de coto!!


    • Obrigado pela oferta. Infelizmente, o quadro da minha empresa está completo. De qualquer forma, se alguém se despedir e se abrir uma vaga, pode enviar o seu CV. Por agora, os 11 excelentes profissionais que completam a minha empresa chegam perfeitamente. Cumprimentos

  8. Ruibarbo says:

    O que o Sr Fernando Moreira não tem, são conhecimentos de nível informático suficientes para poder pertencer realmente ao mundo digital!!


  9. Isto é uma tese de mestrado?

    Podia ser um artigo de opinião num jornal qualquer… Talvez fosse melhor para a imagem da educação em Portugal.

  10. UI10 says:

    Uma correcção. Um trabalho de mestrado não é uma tese. É uma dissertação (ou relatório, …). Mas tese não. Muito menos com tão pouco extensão.

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