Factura da sorte – Nilton: não quero um carro!

E já agora, e se eu achar que o Estado gastar dinheiro dos contribuintes para oferecer carros é profundamente errado como princípio e, portanto, não quero participar no concurso, posso ficar de fora?

Ah, esperem, há anos que o Estado já oferece carros, com o dinheiro dos contribuintes, a titulares de cargos nos governos nacional e regional, nas administrações local e central, em empresas públicas, etc., etc. Porque não alargar o conceito a mais uns carros para o povo?

Bem, porque é errado. Todo este luxo dos carros, sempre dos melhores, sem esquecer as regalias associadas como combustível, manutenção, seguro e até motorista, é errado e não tem justificação ética. Quem legisla dispõe do dinheiro público como bem entende e sem que isso lhe traga consequências eleitorais.

Segundo o PÚBLICO,

“A maior parte [dos] veículos públicos está com forças de segurança: 41,2% da frota em serviços do Ministério da Administração Interna, 16,9% no Ministério da Defesa. Só um outro ministério detém mais de 10% do total de veículos: o da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território (3.569 veículos, 12,9 por cento do total).”

É certo que muitos dos carros do Estado são necessários ao bem comum. No SNS, na polícia, nos bombeiros e em muitos outros serviços são ferramentas de trabalho. No entanto, a estes acresce a imensidão de chefes e respectivos séquitos, com os carros de “serviço”, materializando o nepotísmo que assola no Estado.

Do total dos 447 serviços gerais do Estado analisados, apenas 127 possuem um só automóvel. Olhando para os diversos organismos, é possível saber, por exemplo, que o gabinete do representante da República para a Região Autónoma da Madeira tem quatro automóveis, a Agência Portuguesa do Ambiente tem 121, a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro tem 42, o Gabinete de Planeamento e Políticas tem 13, o Turismo de Portugal tem 31, a Autoridade de Gestão do Programa Operacional do Potencial Humano tem 13, o Instituto Português da Qualidade tem nove, a Reitoria da Universidade de Évora tem 34, o Hospital de São Marcos (Braga) tem dez, que o Instituto Camões tem 35 e a Direcção-Geral do Património Cultural, 54.
(…)
Por ano, o Estado gasta, no total, perto de 200 milhões de euros com a frota automóvel, tanto quanto vai poupar em 2014 com os cortes nas pensões de sobrevivência (100 milhões de euros) e o aumento da receita com a taxa de energia (outros 100 milhões de euros).
(…)
Nas contas aqui apresentadas não estão também incluídas instituições que, de alguma forma, dependem, ainda que parcialmente, de dotações do Orçamento do Estado para o seu funcionamento. É o caso da própria Assembleia da República, que apresentou a resolução que deu origem ao relatório cujas conclusões o i apresenta. Afinal, quanto gasta o parlamento com a sua frota automóvel?” [i online]

Mas repare-se bem, as gorduras são as pensões, o RSI e o subsídio de Natal dos trabalhadores.

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