Ainda sobre o salário mínimo

Obviamente que discordo do José João Cardoso e também do Vítor Cunha. Um e outro têm estado entretidos a esgrimir argumentos económicos contra e a favor o aumento do salário mínimo ou até a necessidade da sua existência. Ambos esquecem no entanto algo importante, diria mesmo fundamental. O direito individual. Se eu quiser trabalhar sem remuneração, ou por valor residual, devo ser impedido de o fazer? Nesta matéria entendo ser perfeitamente dispensável qualquer legislação. Cada trabalhador saberá melhor que ninguém o que pode ou não aceitar. Todos temos um valor abaixo do qual nem sequer mexemos um dedo. Só isso! A questão económica deriva da liberdade individual e não o contrário, como determina a existência de legislação, que tem o efeito perverso de colocar as pessoas no último lugar.

Aparentemente, as farturas dão sorte

fartura

© André Carvalho (http://bit.ly/1mYHW6p)

Conta o Expresso que Tânia Ribas de Oliveira vai apresentar o concurso Fartura da Sorte. O *fatura que surge na notícia é, obviamente, uma lamentável gralha.

Aliás, com esta notícia, fiquei a saber imensa coisa: às farturas elegíveis está associado um número de identificação fiscal, quem pedir farturas pode ganhar um Audi e as farturas sorteadas em Abril são as emitidas em Janeiro — não sabia que havia emissão de farturas: no meu tempo, as farturas eram fritas, viradas, escorridas, cortadas, passadas por (ou “polvilhadas com”, parece que a doutrina se divide) açúcar e canela e, por fim, comidas. Contudo, pelos vistos, sim, as farturas também podem ser emitidas e, inclusive, titular aquisições.

Deveria estar grata por estarmos em democracia

A imprensa não contou o que o secretário de Estado da Cultura disse sobre o discurso de Alexandra Lucas Coelho e foi pena. Vale a pena ler o resumo que a autora publica.

Assum(p)ção

assumption

Na parte que me toca nem me dou ao trabalho de seguir esse treta a que chamam de acordo ortográfico pela simples razão de não ser apologista da mudança pela mudança. Enfim, uma perfeita inutilidade, não fosse o caso de, volta e meia, chatear os juízo. Para um lado, é aquela sensação de desconforto ao ler um texto escrito nessa moda e ter-se sempre a sensação de que está algo errado, pois lemos pelo reconhecimento de padrões, até se interiorizar “ah é outra vez a merda do acordo”.

Depois é o ridículo de se observar os alunos de inglês a escreverem mal palavras como objective, deixando cair o “c”, à la moda acordês. E não são poucos, ao que sei. Finalmente, aconteceu eu próprio ter precisado há pouco de ir à Priberam ver como se escrevia “assumpção” para me recordar que sempre tivemos o “p” e que os brasileiros o podem usar ou não.

Aconteceu-me aquilo a que chamo o efeito de exposição ao primeiro-mentiroso. Quando se está repetidamente exposto ao falso, como acontece a quem ouça inadvertidamente o primeiro-mentiroso falar do país que está melhor, apesar das pessoas estarem pior, chega-se a um ponto em que se perde a noção que é certo. Ora façam o teste. Há uma assunção no governo. Estamos perante um erro ou não?

Governês

Ontem, numa comissão parlamentar, o recém famoso secretário de estado da administração pública, ao ser interpelado sobre a sua conferência de imprensa fantasma e a nova e exótica forma de cortar pensões de reforma que ali anunciou, jurou fidelidade ao líder, baldou-se a responder e rematou com uma latinada que algum assessor lhe ensinou para a ocasião: “Roma locuta, causa finita“. O que, se em latim se pode traduzir como “Roma falou, a questão está encerrada”, em governês significa: “o chefe falou, ’tá falado”.

Reductio ad Estalinum

Não havendo argumentos, indicador esticado e grita o engenheiro Cunha: agarra qué comuna!

barack_obama_communist_propaganda_poster

Antropofagia mental

macacos1

Brindou-me o professor do ensino básico mas não colocado que antes foi astronauta não colocado Vítor Cunha com um artigo em resposta a um comentário meu, feito nesta casa. A “argumentação” é a do costume ou os tratamos bem ou os investidores fogem, e eles é que criam emprego, os beneméritos, há que erguer estátuas, tão bonzinhos que eles são, patatipatatá.  No meio compara o gasto em putas, carros e automóveis topo de gama com o dispêndio de quem vive do salário mínimo em necessidades básicas, mas quanto a isso estamos habituados, e hoje não me apetece repetir o vai viver com o salário mínimo durante seis meses e depois falamos.

Pareceu-me uma boa ideia, isto de ir aos comentários,  e mais uma vez me inspira, mas como já é tarde limito-me a republicar o que escreveu, a minha opinião ficou no título: [Read more…]