Desinteresse perante o rumo político do país?

novo-clube-politico

Em vez de partidos políticos na vida política, transfira-se para os clubes de futebol esta actividade. De qualquer das formas, a Assembleia da República já tem bancadas como nos estádios e a maioria dos deputados não se afasta do seu papel de claque partidária. “Muito bem! Apoiado” será o hino da nova Assembleia, com a vantagem de já ser perfeitamente conhecido por parte dos deputados.

Agora imaginem as vantagens. Às segundas-feiras teremos intensos debates sobre cada palavra jogada nos discursos do anterior fim-de-semana, estes, por sua vez, transmitidos em directo pelas televisões e com relatos flamejantes na Antena 1 e na TSF. “E meteu uma interjeição, baralha-o com uma catacrese, e avança, avança, mete uma metáfora, remata o discurso com um oxímoro e é golo. Goooooooollllooooooo.” Não haverá medida que não seja sujeita a apertado escrutino  e todos as sextas, sábados e domingos teremos parlamento cheio.

O novo parlamento-estádio é a solução para trazer as pessoas para a política. E com o bónus de já estarem construídos os parlamentos regionais graças aos, até agora inúteis, estádios do Euro 2004. É só vantagens.

A “ocupação” da TSF

Isabel Atalaia

Ensaio Geral

Mais do que uma “ocupação” para mim foi uma travessia de muita emoção, que partilhei com a cooperativa O Bando da qual sou membro e que acompanho há 35 anos. Este ano por feliz coincidência o Bando vai festejar a idade da Revolução.
A partir de um convite da TSF e inspirados nesta “Quarentena” O Bando reuniu 50 actores (profissionais e amadores) e músicos.

O ensaio geral foi dia 23, poucos sabiam onde iam ou quem íamos “ocupar”, na primeira hora da madrugada de 24 de Abril, na reunião final de preparação sentia-se a partilha de um pequeno arrepio. Resultaria? Não resultaria? E problemas? E confrontações? [Read more…]

O regresso do medo

euronews

Ontem à noite, na RTP 2, o 25 de Abril foi notícia na Euronews numa reportagem onde uma parte, a entrevista a José Gil, teve por sub-título “The Lost Carnation Revolution” (A revolução dos cravos perdida). Escapou-me o sentido desta adjectivação e hoje fui rever a reportagem no site da Euronews. Além de nela não ter encontrado matéria que justificasse esta titulação, não encontrei o próprio título inclusivamente. Nem na edição portuguesa, nem na edição em inglês. Porquê a revolução perdida? E porque razão a reportagem é diferente, só aparecendo este título na emissão da RTP 2?

Salva-se a entrevista a José Gil, que afirma que “a política de austeridade está a fazer com que, cada vez mais, se tenha medo.” E é isso. Não é o regresso do medo da acção do Estado directamente sobre o indivíduo, como acontecia com a PIDE, mas das consequências da acção do Estado nos meios de subsistência desse mesmo indivíduo. Tal como há várias formas de se esfolar um coelho, para seguir a semiótica introduzida por Passos Coelho, também há muita forma de perder a liberdade. Sem pão não há democracia, que se dilui no medo de se perder o emprego, entreabrindo a porta para a aceitação de limitações e condições que antes seriam impensáveis.

A seguir, a entrevista em causa. [Read more…]

Passatempos reaccionários

Carlos Guimarães Pinto, num esforço de demonstrar a tese Lains do fantástico crescimento económico salazarista, também conhecida pela falácia do acima de zero é sempre a subir, ou nada como menos um milhão de habitantes (e suas remessas de emigrantes) para subir o PIB per capita, arranjou uns gráficos giros, que demonstrariam como alguns indicadores sociais estavam já em crescimento antes de 1974.

Vamos lá ser sérios: mortalidade infantil compara-se:

MORTALIDADE INFANTIL COMPARADA

e escolaridade observa-se em  todos os graus de ensino: [Read more…]

O fascismo é como as calças à boca de sino?

Um espantoso monólogo do Ricardo Araújo Pereira no corpo de Maria do Céu Guerra. Imperdível.

Qual é o propósito de um governo?

A questão aqui colocada merece muitas respostas, dependendo da concepção de Estado que se tenha. Olhando para os extremos, para os liberais este abster-se-á de interferir na economia e na vida das pessoas. No outro extremo, o Estado socialista controla a economia e regula fortemente a sociedade. Nenhuma destas visões tem lugar no Portugal de hoje, mais virado para pseudo-liberais, os neoliberais, que advogam que o Estado deve ser mínimo mas, na prática, apenas o fazem no que respeita a prestação de serviços à sociedade (educação, saúde, …), aumentando continuamente o peso dos negócios que vivem apenas do Estado (educação privada mas paga pelo orçamento; saúde privada mas a viver em boa parte da ADSE; monopólios privados na energia, águas, transportes, ….).
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Isto admite-se?

espetador

Francamente, eu até sou uma pessoa algo liberal, mas isto? Isto? Ai, se a censura de excelência que ainda existia no dia 24 de Abril de 1974 continuasse o seu digníssimo trabalho…

Ele há coisas que não se pode admitir. Eu sei que os tempo vão modernos e que as criancinhas devem começar desde cedo a preparar-se para a vida, mas um livro juvenil com este título? É que nem sei o que dizer. Espetador e ainda por cima intrometido? Mas ele vai espetar o quê? Em quem? Ai, que eu prefiro nem pensar!

Incluirá o lixo onde a S&P nos colocou?

Negócios do lixo: uma
privatização que se
transformou numa guerra

25 de Abril no Porto – Avenida dos Aliados

Foi assim o dia 25 no Aventar

 O Aventar agradece as colaborações recebidas. Daqui a outros 40 (ou antes) há mais.

A seguir, os artigos do dia 25 no Aventar. [Read more…]