Assunção

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Assunção teve oportunidade de hoje, mais uma vez, responder às dúvidas dos jornalistas. O assunto era a possibilidade de um militar de Abril se dirigir ao parlamento e, desse modo, ao país, no dia em que se comemoram 40 anos sobre a revolução libertadora. Nós ouvimos e nem pensamos no conteúdo das respostas de Assunção: ficamos mesmerizados pelo seu estilo.

No país de Fernando Pessoa a heteronímia não é uma novidade, mas a presidente da AR, não conseguindo emular na escrita o poeta, tenta fazê-lo na fala. Valha a verdade, o reportório da Assunção, além de limitado, é desgostantemente medíocre, mau grado já ter brilhado com uma citação de Simone Beauvoir – da qual não sabemos se conhece outra coisa – que, por razões de contexto, lhe saiu desgraçadamente mal.

Assunção conhece dois registos de discurso: o do pesporrente e ininteligível ” inconseguimemto” e o do sucinto, lacónico mas agressivo – por vezes quase raivoso – “evacuem as galerias” (compreende-se, porém que a ordem seja gritada, para que os cidadãos não se confundam com o “as”, interpretando-o como “nas”…) ou o “isso não existe” com que respondeu aos jornalistas sobre a questão da possibilidade do discurso do intruso militar na AR. Não é de agora que se sabe da multiplicidade caleidoscópica de Assunção e dos espantos que ela motiva. [Read more…]

Sobre a crise

Vale a pena ver este documentário, que explica as razões da actual crise, explicando como a solução encontrada para a combater, mais não foi que procurar apagar um fogo atirando-lhe gasolina. A próxima será inevitável…

 

Abril no parlamento

25 abril

De que é que tem medo o PSD?

inconseguida-estesves

O problema é deles“, disse Assunção Esteves sobre a intenção da Associação 25 de Abril discursar na sessão solene comemorativa da revolução. Medo de ouvir o que se não quer ouvir? Compreendo, em vésperas de eleições mais vale uma pequena polémica encetada por uma figura menor do que parangonas sobre o que pudesse vir a ser dito na Assembleia da República.

O Prémio*

Alexandra Lucas Coelho foi premiada num do mais importantes prémios atribuídos em Portugal. Dou-lhe os meus sinceros parabéns. E ainda bem que no seu discurso disse o que lhe apeteceu.
Mas o texto aqui escrito por Sarah Adamopoulos (que não conheço) leva-me a dizer o seguinte: quem fingiu, e bem, que havia cultura no governo foi Gabriela Canavilhas e o seu SEC de então; e nessa matéria foram muito bem secundados por Francisco José Viegas, e apenas com uma diferença, é que com Sócrates havia Ministério da Cultura e Secretaria de Estado da Cultura, e com Passos Coelho não há MC mas também não há SEC. A reestruturação dos serviços da área da Cultura feita por FJV é a mesma que estava preparada anteriormente, e que apenas pode ser adjectivada de vergonhosa, aliás como a sua prestação como SEC.
Com isto não estou a defender que com Jorge Barreto Xavier é que a coisa está boa, nem que a sua intervenção quando do prémio tenha sido correcta. Outro aspecto tem a ver com o prémio monetário. Se, como se diz, o prémio tem uma parte de dinheiro público, então direi que como contribuinte não quero que os meus impostos sejam aplicados em prémios literários. Claro que essa decisão não é minha, é de um governo, este ou outro, que seja legitimamente eleito. E por isso este país não é de Cavaco Silva, como diz Alexandra Lucas Coelho, mas também não é de Siza Vieira, ou de qualquer outra estrela da nossa área dita cultural.
Quanto ao papel que deve ter um Secretário de Estado da Cultura de qualquer governo, pergunto, e então o património cultural? E a língua, que é também património? E o Acordo Ortográfico? Como ficamos?
Como dizia um primo meu, esta malta acha que a cultura é uma casa à parte do país.
*Título de um livro de Manuel Vásquez de Montalbán, cuja leitura recomendo

*Contatado pelo Expresso / o Expresso tentou *contatar

Não, o Expresso não adopta o Acordo Ortográfico de 1990 e o anúncio feito no editorial de 26 de Junho de 2010 foi areia atirada aos olhos dos leitores. Sim, em 2010. Aquilo que o Expresso adopta é isto. Sem mais comentários. Desejo-vos um óptimo fim-de-semana.

contat

 

Maduro sacode

Poiares Maduro  recusa-se a comentar a presença entre os escolhidos pela Comissão de Recrutamento da Função Pública (CRESAP) de um cidadão condenado a 9 anos de inibição do exercício de funções de gestão.

Sacode para  a CRESAP, a qual por sua vez  “desconhecia e desconhece se o Doutor Queirós se encontra impedido por decisão judicial ou outra” e sacode a água do capote alegando que ”o Doutor Queirós assumiu, sob compromisso de honra, que não possuía qualquer incompatibilidade, impedimento e inibição para o exercício de dirigente superior da Administração, nos termos da lei”, concluindo que não é “órgão de polícia” e  que deve ser o Governo a tratar do caso, ficando assim patente que esta entidade não escrutina devidamente os concorrentes e nem sequer lhes pede o registo criminal.”

António Manuel de Almeida dos Santos Queirós foi sentenciado em 2013,  pelo Tribunal de Coimbra “onde se refere que “em consequência desse acto, António Manuel de Almeida Santos Queirós, atentos os factos constantes e exarados na sentença, inibido para o exercício do comércio durante um período de 9 (nove) anos, bem como a ocupação de qualquer cargo de titular de órgão de  sociedade comercial ou civil, associação ou fundação privada de actividade económica, empresa pública ou cooperativa”.

António Manuel de Almeida dos Santos Queirós é candidato a Presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro.

 

O país (não) está melhor

Do que Timor e o Gabão. Continuemos calados.

Alexandra

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© Miguel Manso

Conheço a Alexandra Lucas Coelho há muitos anos, somos mais ou menos da mesma geração de jornalistas, creio que ela mais nova. Recordo uma viagem que fizemos juntas há muitos anos pela então recém-inaugurada rede de bibliotecas públicas. Creio que trabalhava então para a Antena 1. Conheço-a mal, não somos amigas, há anos que não a vejo, mas conheço o que escreve e gosto do que leio – há um entendimento entre nós que passa pela escrita, pelo jornalismo que olha para as sociedades de hoje, mas talvez, e sobretudo, pelo jornalismo literário, pelos melhores escritores, editores, livros, pelo amor pelas belas letras que formam o poema (e o poema pode não ser poesia), para falar disso que me une a umas esparsas pessoas, que por vezes mal conheço mas que habitam essa parte incerta onde também sou.

Li o discurso que a Alexandra Lucas Coelho proferiu na cerimónia de atribuição de um dos mais importantes prémios literários do País, que este ano a contemplou a ela. Dou-lhe os meus parabéns, tenho a certeza de que o seu livro o merece. Lucas Coelho escreve muito bem, há muito que reconheço nela uma escritora. Hei-de ler o seu livro seguramente. Dou-lhe também os meus parabéns pelo discurso que fez. Numa altura em que praticamente não se ouve ninguém, em que os escritores se calam, num silêncio de chumbo que pessoalmente me pesa (como a muitos mais, tenho a certeza), é muito bom haver alguém que se chega à frente para dizer o que muitos gritam mas ninguém ouve. Talvez tenham medo que Jorge Barreto Xavier os censure por serem «primários». [Read more…]