Autor convidado – Mário Fernandes

Que os 40 anos da revolução de abril sirvam para unir esforços e gerar esperança!

Mário Fernandes

Uma das melhores formas de celebrar o 40º aniversário da revolução de abril era aprovar a redução do número de deputados, a limitação do número de mandatos, bem como o seu desempenho em exclusividade!

Completam-se na próxima semana os 40 anos do «25 de Abril», aquela data mágica que restituiu a democracia e a liberdade às portuguesas e aos portugueses. Com sete anos de idade, à data, não posso dizer ter experimentado o anterior regime, ditatorial, os meus pais sim, mas posso afirmar a lembrança que tenho daqueles dias de abril de 1974, pois existem três palavras que me foram ficando na memória: «revolução», «liberdade» e «povo».

Podemos falar do que se ganhou e foi muito, das oportunidades criadas e foram inúmeras, da evolução e progresso vividos e eles são inegáveis, mas também podemos falar de algumas oportunidades perdidas embora o que me leva a escrever hoje aqui, passe mais por uma análise crítica ao atual momento em que vivemos e por um olhar de esperança para o futuro.

Nestes 40 anos de Democracia e de Liberdade foram conseguidas conquistas que nunca devemos esquecer e que temos a obrigação de dar a conhecer e de explicar às novas gerações. Vivemos hoje uma realidade que poucos desejariam, temos cá outros Senhores a governar por nós, e isto acontece porque falhamos nas governações, porque não soubemos planear, prever, ou antecipar os interesses de Portugal e dos Portugueses em Portugal e no mundo.

Continuamos a ser um país com gritantes desigualdades sociais, com um brutal número de portugueses sem emprego, um país onde as oportunidades escasseiam, onde a interioridade persiste, um país que tem no desemprego o maior mal nacional da atualidade, pois está a levar à pobreza, deixando muitas pessoas e muitas famílias sem qualquer rendimento ou com rendimentos tão baixos, que levam à falta de condições e meios de subsistência;

Um país onde as pessoas estão a perder a auto-estima e a confiança e a não acreditar nos políticos, nem nos governantes. Mas permitam-me que lhe diga que os principais responsáveis por esta crescente desconfiança têm sido os próprios políticos, de outra forma não veríamos políticos e governantes prometer o inconcretizável, afirmar hoje uma coisa e amanhã totalmente o seu contrário, transformar a verdade de hoje na maior mentira de amanhã, assim como afirmar que o que hoje é dado como seguro e garantido no dia seguinte deixe de o ser.

Quer se esteja no poder ou na oposição, temos que encarar a vida política como um ato social de grande importância e responsabilidade – as decisões que os políticos tomam, ou não tomam, influenciam e de que maneira as vidas e o futuro de milhões de pessoas.

Elogia-se o papel da Comunicação Social quando esta ataca os nossos opositores e quando ridiculariza aqueles que connosco concorrem, mas se nos criticam a nós próprios já falamos numa comunicação social parcial, facciosa ou menos séria. Deixemos cada um fazer o seu trabalho, exigindo a nós próprios aquilo que tão bem sabemos exigir aos outros: Profissionalismo, competência, seriedade, empenho e imparcialidade nas acções e nas decisões.

Muitos dos políticos portugueses são hoje gestores profissionais da sua própria imagem e carreira, dos números mágicos das estatísticas que lamentavelmente tratam o ser humano como mais ou menos um número, num universo de milhões.

Os jovens, ou menos jovens que se esforçam, que estudam e que se licenciam têm enormes dificuldades em conseguir uma oportunidade para mostrar as suas competências. É triste assistir à partida de milhares de jovens, obrigados a emigrar para conseguir trabalhar.

Se com o 25 de Abril foi conseguida a democracia, a liberdade e um enorme desenvolvimento social e estrutural, não podemos agora permitir que graças a muitas das más politicas seguidas, de opções duvidosas, da falta de fiscalização e do descontrolo de vários dos Governos que nos têm desgovernado, dizia eu, não podemos agora permitir um esvaziamento tal do Estado social que leve as pessoas à pobreza, ao desespero e a deixá-las sem as mínimas perspetivas de vida, ou seja, sem esperança no futuro.

É necessário apoiar as famílias e a própria natalidade, dar incentivos às pequenas e médias empresas, pois são estas que mais facilmente criam e mantêm postos de trabalho. Se pegarmos numa determinada verba e a distribuirmos por uma dúzia de pequenas empresas em vez de a aplicarmos numa única grande empresa, estamos a potenciar muito mais as economias locais e a criação de emprego.

Entendo que a Democracia só existe realmente quando assegura a todos, sem exceção, a possibilidade de exercerem em absoluta plenitude os seus direitos e deveres.

Enquanto políticos, autarcas, ou responsáveis de Instituições, devemos fazer tudo o que está ao nosso alcance para proporcionar aos nossos munícipes e fregueses, todas as condições para o exercício da sua cidadania. E a Cidadania pode exercer-se com eficácia se os poderes instituídos disponibilizarem os instrumentos capazes para o seu exercício.

Para mim, a melhor forma de comemorar e respeitar o espírito do 25 de Abril é criar mecanismos de consolidação de uma democracia verdadeiramente participativa. Quero terminar esta minha intervenção com uma palavra que tem neste momento um especial significado para o nosso futuro: Esperança!

Esperança, porque acredito sinceramente que ainda existem políticos capazes, competentes e realistas, que falem verdade e que ponham o interesse do país à frente de todo e qualquer outro interesse.

É altura de sermos exigentes convosco próprios e também com os que nos rodeiam, especialmente com aqueles que se propõem governar e liderar, seja em Portugal, seja no Parlamento Europeu, pois a concorrência e a competitividade europeia e mundial não se compadecem com a política do “deixa andar que um dia alguém há-de resolver”. A responsabilidade tem que ser assumida por todos, como um desígnio nacional. E isso deve ser feito tanto na nossa acção como nas nossas opções onde se inclui a escolha daqueles que nos vão governar, usando o nosso voto como forma de premiar ou sancionar aqueles que livremente se apresentam a sufrágio.

Portugal tem que se concentrar no presente, para se poder virar para o futuro, investindo na produção nacional, retomando actividades onde outrora fomos referência, aproveitar as nossas potencialidades e recursos naturais, valorizar as nossas competências e recursos humanos, retomar a confiança dos portugueses e nos portugueses.

Faço votos para que nas cerimónias a realizar na Assembleia da Republica, não sobrem somente discursos incoerentes, enfadonhos e desconexos com a realidade que se vide no país real. Parece-me ter sido uma má opção a decisão de não dar a palavra aos militares de abril na sessão solene a realizar no parlamento.

Viva a Liberdade e a Democracia; Viva Portugal!

 

Comments

  1. JgMenos says:

    Tudo o que diz conduz a realizar o presente, racional e diligentemente, com os meios que em cada momemnto se possam mobilizar!
    Nada mais reaccionário!!!

    Esquecer o passado fascista que justifica a incompetência?
    Esquecer as acções dos adversários em 40 anos, que alimentam os melhores espíritos e justificam a inacção?
    Esquecer a construção do futuro com os modelos testados em séculos de biblioteca?
    Nada mais reaccionário!!!


  2. Apoiado no que diz a separar a politica das benesses que os politicos se foram locando e que agora desde a numero de deputados, vereadores nas camaras, benesses varias são sem duvida escandalosas e até pouco transparenetes, sem que os cidadãos façam mais que votar nos mesmos eleição atras de eleiçao para mudar seja o que for. Vozes (de burro?) vêm de tempos a tempos falar no valor da abstenção ou das manifestações; mas de consistente e sólido como propostas concretas e bem estruturadas de substituir os capangas por gente que pense a politica como vida civica colectiva nada. Quase que assusta pensar na influencia da genetica na vida que conseguimos construir colectivamente

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