Do “posto” de turismo à Loja Interactiva:

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Conheci o Nuno Botelho no final dos anos noventa no mundo académico do Porto. Ao longo destes anos acompanhei à distância a sua carreira. Brilhante, por sinal. Tanto na Associação Comercial do Porto como na organização de eventos. Num e noutro caso com elevado sucesso, algo que não me surpreendeu.

 

Ontem, num jantar de amigos comentou-se a sua recente entrevista ao Jornal de Notícias em que criticou o investimento nas Lojas Interactivas de Turismo do Porto e Norte (TPNP). Fui ler com atenção.

 

As lojas interactivas lançadas pelo Turismo do Porto e Norte de Portugal recorrendo a fundos comunitários disponíveis para esse efeito foi um projecto que acompanhei e que conheço minimamente. Através delas qualquer turista que chegue ao Porto de avião fica a conhecer, seja a que hora e dia for, não só a agenda cultural, de lazer, os restaurantes e hotéis do Porto como de qualquer outra cidade na região Norte. À distância de um clique pode o turista ficar a saber que, por exemplo, em Santa Maria da Feira está a decorrer a Feira Medieval e como pode lá chegar, o que vai encontrar e o que pode fazer. Ou saber o que se passa em Vila Real ou Bragança este fim de semana. Além disso, como sempre defendeu o “pai” do projecto, Melchior Moreira (presidente do TPNP), as lojas interactivas de turismo deixaram de ser um mero “posto” de turismo para passarem a ser uma verdadeira montra da região e do concelho onde se inserem, onde se faz do turismo “negócio” e se potencia os produtores e criadores locais e regionais.

 

Como sempre ouvi Melchior Moreira defender, o turismo é hoje a vivência de experiências e é isso que se pretende na região. O turista, digo eu que se calhar percebo pouco disto, quer ser surpreendido, viver emoções e partilhar experiências. Quer conhecer a gastronomia, os locais habituais e os “fora da caixa”, quer saber o que se passa no local e nas suas redondezas. Quer descansar e quer divertir-se. Por isso, a única crítica que consigo fazer ao projecto das lojas interactivas é diferente daquela que faz o Nuno Botelho. A única crítica é simplesmente o querer mais. Quero, como encontrei em S. Emilion, ter acesso gratuito via “wi-fi” a toda a informação sobre os locais que vou visitar, à programação cultural da zona, etc. E isso sei que Melchior Moreira e o TPNP também querem e que temos de dar um passo de cada vez pois o dinheiro não nasce nas árvores.

 

Como sei que o Turismo do Porto e Norte de Portugal e em especial o seu presidente continuam a trabalhar de forma incansável em prol da região e que os números de sucesso dos últimos anos falam por si. A mim não me choca que o TPNP invista 150 mil euros ou meio milhão de euros numa loja interactiva de turismo na mais recôndita cidade do interior Norte de Portugal. Não, o que me chocaria é que só se investisse no Porto cidade, imitando o centralismo de Lisboa. O que me chocaria é que não fosse feito um verdadeiro investimento no digital, hoje a maior fonte de informação de qualquer turista. O que me chocaria é que, a exemplo do “antigamente”, nada fosse feito. Eu sei que um projecto como este, que está a dar os primeiros passos, é facilmente criticável. O melhor será esperar pela sua finalização, por termos toda a nossa região em rede e nessa altura sim, vamos todos tirar as devidas conclusões, com todos os dados em cima da mesa. Antes disso é precipitação.

 

É por isso que discordo do Nuno Botelho. Por muito que me custe pois sei bem que é um excelente profissional. Porém, tenho a esperança que daqui a uns tempos, seja o primeiro a dar a mão à palmatória e reconhecer a verdadeira revolução digital que o TPNP, passo a passo, está a fazer.