Visto por outro lado…

Henrique Granadeiro aguentou-se até hoje sem se demitir da PT. É obra do Espírito Santo.

A grande evasão do Novo BES para a CGD

vai fazer encerrar balcões e levar ao despedimento de muitos trabalhadores – não se iludam. Carlos Fonseca, no seu último texto sobre o caso BES.

Os telhados de vidro ortográfico do Blasfémias

Espero, por estes dias, escrever mais demoradamente sobre a divulgação dos erros ortográficos cometidos por alguns professores que realizaram a chamada prova de avaliação de conhecimentos e de capacidades (PACC).

O inestimável Vítor Cunha já veio regurgitar a sua opinião. Ainda e sempre intoxicado por um cocktail em que estão misturados anticomunismo primário, ódio à administração pública e ignorância atrevida, é natural que seja incapaz de raciocinar ou de sentir empatia. Só isso explica que cometa a deselegância de chamar “proto-candidatos” a cidadãos com habilitação para dar aulas.

Não quero transformar esta questão dos erros ortográficos da PACC numa espécie de “quem diz é quem é”, mas, ainda assim, apetece-me relembrar o texto em que José Manuel Fernandes utilizou o particípio “fazido”.

O próprio Vítor Cunha, curiosamente, recorre ao neologismo “protocandidato” impondo-lhe um hífen contrário às regras, como poderia descobrir em qualquer prontuário.

Postcards from the Balkans #02

‘Dum vita est, sevdah est’*

IMG_2142 (2)

Levanto-me cedo, para meu hábito. Ljubljana é uma cidade pequena. A Eslovénia é um país pequeno. 2 milhões de habitantes ao todo, no país. Cerca de 900 mil na cidade. Pouca gente. E nota-se. Já ontem mencionei o silêncio. Está em toda a parte e é perfeito. Ljubljana é a cidade perfeita, para quem aprecia este género de perfeição. Eu gosto. Mas prefiro – ou aprecio mais – lugares menos perfeitos. Já o silêncio… bate-me em cheio no corpo quando saio do hotel e meto pela minúscula viela que vai dar à praça Mesint com a fonte dos três rios no centro e as torres da igreja de S. Nicolau atrás.

O silêncio leva-me ao mercado, na praça Vodnikov. Incrivelmente – trata-se de um mercado – o mesmo silêncio, que explode nas cores das frutas, dos legumes, das flores. As cores são a única coisa que interrompe o silêncio, especialmente o longo amarelo dos grandes girassóis. Passeio entre as bancas. Fotografo uma senhora que vende legumes. As flores. Outra vez as flores. Depois vou à procura do funicular para o castelo. Podia subir pela Studentovska, mas a rua parece-me íngreme demais (se tivessem os meus pés, compreendiam). [Read more…]

Engordar o porco para a matança?

Caixa Geral de Depositos

À medida que o Banco dos Pobrezinhos da Comporta vai fazendo jus ao seu nome, clientes preocupados com a segurança das suas poupanças abandonam o barco e tentam colocar-se a salvo no banco do Estado. Só na passada Segunda-feira foram depositados 200 milhões de euros na CGD, provenientes, na sua esmagadora maioria, de antigos clientes do BES.

É interessante ver que esta crise do sector bancário privado – o tal que era sólido como uma rocha – ontem aparentemente alargada ao BCP, está a engordar o porquinho mealheiro estatal que o PSD/CDS tanto querem privatizar. Alguém chinês ou angolano assessorado por algum social-democrata interessado? 40 ou 50 milhõezitos devem chegar. Até lá, engorde-se o porco para a matança.

A solidez bancária e o super regulador

Carlos

(Carlos Costa enverga a nota que lhe permitirá adquirir cerca de 57 acções do BCP)

Há pouco mais de um ano, o Banco de Portugal confirmava que o sistema bancário estava “sólido”. Em Junho passado, aquele que é já considerado como o melhor regulador da história dos reguladores pela SPO (Sociedade Portuguesa das Ovelhas) veio a público reafirmar essa solidez, avançando até que “Portugal está a criar um clima de confiança no sistema financeiro“.

Ora depois das recentes demonstrações de solidez do banco dos pobrezinhos da Comporta, solidez essa que em breve será solidificada com capitais provenientes do sitio do costume – não, não é o Pingo Doce, são mesmo os seus impostos –  voltamos a assistir a um filme a que assistimos há poucos dias: a CMVM decidiu ontem proibir as vendas a descoberto com ações do Millennium BCP, fruto de uma queda em bolsa de 15,07%, o que levou o preço de cada acção para valores abaixo do preço da pastilha elástica, mais concretamente 0,0879€.

Posto isto, aguarda-se com expectativa aquilo que os ideólogos do sistema terão a dizer. O super regulador é efectivamente um Cristiano Ronaldo da supervisão. Quando irá o BCE perceber o óbvio e apostar na sua contratação para a próxima época? Conseguem imaginar aquela frente de ataque com o Constâncio na esquerda, o Draghi da Goldman no coração da área e o Costa na ala direita? A conferência de imprensa de hoje promete…