P. H.

Os labregos do clube do croquete nacional estão exultantes. Uma das suas musas, Paris Hilton, está entre nós. E a televisão dá. Destacando-se por ter tentado, com igual grau de indigência, diversas actividades sociais e “profissionais”, resolveu agora ser DJ. E a televisão dá. Chegou entre luzes e aplausos, bamboleando-se pela passadeira vermelha – que, parece, tinha exigido…- com a sensualidade de uma esfregona. E a televisão dá. Subiu ao palco, colocando-se atrás das maquinetas com ar esclarecido. E a televisão dá. Lá deu com o botão que punha em marcha a mistura “musical” que alguém terá preparado para ela, começando a agitar-se como quem está com comichões várias. E a televisão dá. Posa depois, entre beijinhos, com o ramo feminino da família de Cristiano Ronaldo, sobre cujos atributos discorreu. E a televisão dá. Nos programas da manhã não faltarão comentários sobre comentários dos pomposamente designados “comentadores sociais”. Tudo a televisão dará. Até à náusea.
(Nota para os mais distraídos: este post não é sobre Paris Hilton)

O Captain! My Captain!

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(Robin Williams 1951 – 2014)
O Captain! my Captain! our fearful trip is done,
The ship has weather’d every rack, the prize we sought is won,
The port is near, the bells I hear, the people all exulting,
While follow eyes the steady keel, the vessel grim and daring;

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Postcards from the Balkans #07

Srebrenica ou a tristeza no fim de uma estrada demasiado bela

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Levanto-me às sete da manhã em Sarajevo, depois de ter dormido quatro horas. Viajei cinco horas hoje. As primeiras duas horas e meia entre Sarajevo e Srebrenica. As últimas duas horas e meia entre Srebrenica e Sarajevo. A mesma estrada, que serpenteia entre as montanhas. Uma estrada bela, muito verde, escoltada pelas florestas, pelos montes de palha, pelas aldeias onde as casas tradicionais começam a desaparecer, dando lugar a edifícios que, ainda que muito feios, não conseguem arruinar (ainda) a tranquilidade e a harmonia desta paisagem. Aqui e ali pessoas trabalham nos campos. Há cabras. Ovelhas. Algumas vacas. De vez em quando, nas curvas da estrada, um velho carrega uma pá, um sacho, ou outra coisa qualquer, às costas e caminha. De repente, de manhã, há um vale cheio de nuvens, como algodão, que interrompe o verde e as curvas da estrada. O mundo está cheio de beleza.

Viajamos três. Eu, o guia*, que conduz o carro, quase sempre em silêncio e um rapaz holandês. E a velocidade e as curvas não deixam que façamos mais que contemplar longamente a paisagem. A Federação da Bósnia e Herzegovina e a República Srpska para onde nos dirigimos agora formam um ‘país’ tão bonito que é difícil acreditar que é o mesmo onde correu o sangue de milhares de pessoas ainda não há duas décadas. O ‘país’ que é (ainda) uma espécie de panela de pressão. As tensões internas são várias e a tensão com a Sérvia, ali mesmo ao lado, são evidentes em todas as narrativas. A Sérvia, a mãe de todo o mal. A mãe dos rios de sangue que aqui correram há pouco menos de vinte anos. Eis um resumo dessas narrativas. [Read more…]

Homem bicentenário morre aos 63 anos

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Robinson Williams, 1951-2014

E Bombardear o México?

ann_coulterA escritora americana Ann Coulter é, apesar de loira, parva. Adepta das técnicas de defesa que Israel tem levado a efeito perante a ameaça dos palestinianos da Faixa de Gaza, a moça parece defender para os EUA a mesma abordagem quanto à fronteira com os indigentes do Sul, o México. Bomba neles.
E porque a ignorância é quase tão grande como a estupidez humana, gostava eu de saber como resolveriam os nativos americanos (vulgo “índios”) os seus problemas de fronteiras e território se, como os EUA ou Israel, tivessem acesso a recursos bélicos ilimitados. Uma chacina, como em Gaza?

O campeonato dos hospitais

bigstockphoto_Victory_Podium_-_Winners_In_Go_3778414Para os iluminados pelo espírito empresarialês, o mundo não é mais do que um conglomerado empresarial (holding para os amigos), o que faz com que qualquer instituição seja vista como uma empresa. No fundo, o empresarialismo é uma religião, com os gestores, erigidos em sacerdotes abençoados pela infalibilidade, a anunciarem virtudes cardeais como a concorrência ou a competitividade ou o empreendedorismo.

Sendo uma religião proselítica, é claro que os clérigos tudo fizeram até impor as suas crenças a entidades que não eram empresas, como é o caso das escolas e dos hospitais. Assim, criaram a ilusão de que o sucesso é sempre mensurável: a Igreja fazia proclamações; o empresarialismo anuncia estatísticas, rankings e percentagens. Como sempre aconteceu, a maioria, embrutecida, repete a ladainha.

Mais uma vez, hoje, pude confirmar a omnipresença desta seita. Silvério Cordeiro, Presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar Gaia/Espinho e antigo director do Centro de Formação Profissional da Indústria da Cortiça, queixava-se de falta de obras e de equipamentos, em entrevista ao Jornal de Notícias. Para o administrador, isso fez com que a instituição perdesse “claramente competitividade face aos hospitais da região.” [Read more…]

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