Breve reflexão sobre o BES

Enquanto não sabemos a solução encontrada pelo governo para resolver o problema criado no BES, permitam algumas reflexões. Passando à frente sobre eventuais actos ilícitos de gestão, que a seu tempo ou não, a Justiça se encarregará de tratar, pois essa é outra questão que não pretendo tratar neste post, vou concentrar-me apenas nas opções políticas.

A meu ver seria desejável que as instituições financeiras pudessem colapsar, mas é irrelevante o que penso nesta matéria, a U.E. considera existir perigo sistémico nestes casos, o que implica a tomada de decisões políticas por parte dos governos nacionais, que têm alguma margem de manobra. Ora se todos percebemos que o BES não irá cair, importa perceber como pode o assunto ser resolvido.

Ouço alguns falarem em capitalização com fundos da troika, que não afectam o contribuinte. Mas afectam. Não deixo no entanto de estar de acordo que não tendo o BES recorrido à solução de financiamento que teve à disposição, o possa fazer agora. No entanto teria que se sujeitar à transparência nas suas contas. E foi precisamente isso que tentou evitar, por isso nunca solicitou ajuda. A questão é que não se está bem a ver como poderá o BES liquidar os montantes que necessita para se recapitalizar. Porque ouço falar em taxas de juro próximas dos 10%. Com taxas dessas não faltaria nos mercados internacionais quem estivesse interessado em emprestar. A não ser que tenha informação que existe um risco elevado de incumprimento. O Estado pode emprestar o que recebe da troika, o contribuinte paga. Se emprestar ao BES e receber de volta com juro, o contribuinte está safo, de contrário, andou a pedir emprestado para salvar um Banco.

Voltemos à questão da transparência nas contas, a meu ver a mais importante. Será provável que o BES seja recapitalizado, pague ao Estado o que recebeu, um negócio lucrativo para o contribuinte dirão alguns, uma grande decisão política de governantes com visão, até parece um conto de fadas… Mas a história não fica por aqui. Já ouvi falar que se preparam para expurgar o Banco das imparidades, limpando o mesmo dos activos tóxicos, que ficam todos nas empresas do GES. As empresas do GES têm accionistas, caso se avance para esta solução, estes ficarão com as suas acções no BES limpas e intactas? E quem ficará com os prejuízos dos activos tóxicos, que constituem a exposição do BES às empresas do GES? E quanto do prejuízo no GES será resultado da promiscuidade entre Banco e política? Uma eventual limpeza do GES na contabilidade do BES, permitiria manter tudo sem o mínimo de transparência. Excepto claro o que forem casos de polícia e Justiça, mas essa sabemos como funciona em Portugal… Para nem referir a imoralidade que constituiria pedir sacrifícios aos contribuintes enquanto se salvam accionistas de referência.

De repente lembrei-me da frase, “é preciso que algo mude…”

Comments


  1. Reblogged this on O Retiro do Sossego.

  2. Alexandre Carvalho da Silveira says:

    Os accionistas do BES e do GES ficam com as acções respectivas para servirem de papel de parede, ou até de papel higiénico, se não forem muito esquisitos.
    Eu sei o que é que está a incomodar a esquerda bempensante: os socialistas puseram os contribuintes a pagar os prejuizos do BPN, e os neoliberais deste governo vão pôr os accionistas do BES a pagar os respectivos prejuízos. E isso faz toda a diferença.


  3. É mais um banco para o Mira Amaral comprar.

    boa semana

  4. niko says:

    e,ninguem vai preso?

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