Dar alta a mortos

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O Correio da Manhã inclui na categoria “Insólito” a seguinte notícia:

 

No Hospital de Aveiro, os mortos entram pela Urgência, são sujeitos a triagem e depois de admitidos “têm alta”.

Em primeiro lugar, os mortos são pessoas com direitos, incluindo o de se abster nas eleições. Que os mortos entrem pela Urgência parece-me óbvio, uma vez que é do interesse de todos que não se fique à espera que entrem em decomposição. Parece-me uma medida ainda mais virtuosa do que aquela que elogiei há dois anos.

De qualquer modo, a triagem será, com certeza, rápida, porque, de uma maneira geral, os mortos não falam, o que facilita o preenchimento das fichas, interrompido, tantas vezes, pelas queixas ou pelos comentários dos vivos. Tendo em conta o sistema de Manchester, é provável que os mortos tenham direito a atendimento imediato, até porque a expressão “risco iminente de vida” parece-me mais adequada à possibilidade de ressurreição, acto que só pode ser desempenhado, exactamente, por um falecido.

Finalmente, não percebo por que razão alguém há-de ficar espantado por um morto ter alta. Na realidade, um morto é alguém está completamente curado e imunizado, pelo que seria vergonhoso conceder-lhe uma baixa médica.

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