Aproveitar melhor o fato

sampaio

© NUNO FERREIRA SANTOS (http://bit.ly/1rYfBMa)

Segundo a Lusa (os meus agradecimentos aos Tradutores Contra o Acordo Ortográfico):

O antigo Presidente da República Jorge Sampaio considerou hoje que a Comunidade de Países de Língua Portuguesa “podia aproveitar melhor” o fato de ter uma língua comum, defendendo mais políticas concertadas de cooperação para o desenvolvimento.

Efectivamente, está tudo dito.

Comments

  1. sinaizdefumo says:

    Cun seiscentos milheiros, de facto ele há gente na Lusa que nun sabe aplicar u AO; i atão que mais nobidades há?

    • António Fernando Nabais says:

      Era só para saber se, antes do AO, havia gente aos milheiros na LUSA a escrever “fato” em vez de “facto”.

      • sinaizdefumo says:

        Ele haver stou certo que nun havia mas v. sabe que há gente que anda de cabalo pra burro que se há de fazer; ah mas não, spere, a culpa é do crocunda (coitado já nun le bastavum as culpas própias, inda le botum in riba as dos outros)

        • Gostei do seu comentário, porque faz a demonstração do que é seguir um dos princípios do AO – escrever o mais próximo possível do que se fala, ou aquilo que se pode chamar prevalência da fonética. Claro que depois cada um irá escrever como se fala na sua região e teremos uma multiplicidade de grafias. Mas como essa foi uma das críticas ao AO, os seus promotores arranjaram outro estratagema: segue-se a “pronúncia culta”. E aqui pergunto eu: e qual é ela? A de Coimbra? A de Lisboa? E porque não a do Porto? Seja qual/ quais for/ forem, não são certamente iguais às do Rio ou de S. Paulo. Logo, onde ficamos em matéria de “unificação”, a primeira das razões invocadas para o tal “acordo”?

          • sinaizdefumo says:

            Nun sou um seguidor fanático da “novella orthographica” mas esse argumento da pronúncia culta nunc’ò vi por parte dos “acordeonistas”. Mas uma coisa é certa, cos acordeonistas do 90 ou cos ferrinhos do 45 stamos entregues à bicharada.

  2. sinaizdefumo says:

    Ou cumo se diria in bô mirandês:
    Cun seicientos milheiros, de fato (ups!) hai giente na Lusa que nun sabe aplicar l AO; i anton que mais nobidades hai?

  3. Paula Sofia Luz says:

    Tudo dito…

  4. Pedro Barros says:

    E qual é o problema de escrever “fato” por “facto”?
    Antigamente também havia o “contracto” e agora é “contrato”. Qual o problema?
    Antigamente também havia “gemma” e “gema” e agora é tudo “gema”. Qual o problema?
    Antigamente também havia “vella” e “vela” e agora é tudo “vela”. Qual o problema?
    Deixem o “facto” evoluir. Cambada de atadinhos.
    .

    • António Fernando Nabais says:

      E qual é o problema de uns terem passado a escrever “facto” e outros “fato”, à vontade do freguês, mesmo que isso contrarie, em parte, o espírito e a letra do AO90?
      Antigamente, também não havia regras ortográficas. Qual é o problema?
      E se uma pessoa, mesmo não fazendo a mais pequena ideia do que está a dizer, considerar que escrever “fato” por “facto” é evoluir? Qual é o problema?
      Deixe-me dedicar-lhe, caro Pedro Barros, dois textos que lhe assentam como fatos de bom corte (ou factos de bom corte, como preferir): https://osdiasdopisco.wordpress.com/2014/02/26/os-10-mantras-mais-murmurados-em-defesa-do-ao90/ e http://aventar.eu/2014/08/14/a-ortografia-sei-la/.

      • Pedro Barros says:

        “E se uma pessoa, mesmo não fazendo a mais pequena ideia do que está a dizer, considerar que escrever “fato” por “facto” é evoluir? Qual é o problema?”

        Nenhum. Aliás, vc é o exemplo de que responder sem conseguir responder e sem fazer ideia do que se está a dizer não é problema nenhum.

        • António Fernando Nabais says:

          Tem razão, Pedro, quis brincar e acabei por produzir um discurso demasiado hermético, pelo menos para si. Vou simplificar, porque estou aqui para o ajudar:

          1 – não há nenhum problema em escrever “fato” por “facto”, se formos brasileiros. Se nos ativermos ao AO90, e partindo do princípio de que os portugueses pronunciam o C, deve escrever-se “facto”. Com o tempo, até pode ser que passemos todos a pronunciar “fato”, o que nos permitirá passar a usar a grafia ansiada pelo Pedro. O problema reside no facto (peço desculpa pelo C) de haver uma grande quantidade de portugueses que, por razões que a Linguística consegue explicar, passou a escrever “fato”, quando deveria escrever “facto”, o que acontece frequentemente, imagine-se, no próprio “Diário da República” ou na agência LUSA, cujos textos são reproduzidos em vários jornais.. Uma consequência negativa, entre outras: tendo em conta que há uma “oscilação” ortográfica, os aprendizes da língua, ao lerem “fatos” e “factos”, deixam de saber como é que se escreve. O problema é que este não é o único problema. É claro que não será um problema para quem pensar que é indiferente que um sistema ortográfico seja estável, consistente e coerente, o que não colide com as naturais mutações da língua.

          2 – O facto (peço desculpa, mais uma vez) de as palavras terem sofrido mutações ao longo da história (e estamos a falar de mutações que não ocorreram de um dia para o outro) não serve para explicar por que razão se deve passar a escrever “fato” em vez de “facto”. Os exemplos que aponta não servem, portanto, de prova. A substituição de “facto” por “fato” poderá vir a ser explicada pelos historiadores da língua, se se confirmar, mas só daqui por algum tempo, porque a História só se escreve depois do acontecimento.

          3 – Uma pequena trupe de iluminados cozinhou uma coisa a que chamou acordo ortográfico, coisa cheia de inconsistências e incoerências, sem a mínima preocupação com os efeitos, ainda mais num país em que os problemas de literacia e de ortografia já existiam e em nome de uma uniformização ortográfica que não foi alcançada e nunca poderá sê-lo, especialmente tendo por base o “critério fonético”. O facto (desculpe, não consigo evitar) de, em consequência dessa coisa, haver quem ande a trocar o “fato” pelo “facto” não resulta, portanto, de evolução. Deixar “evoluir” implica, entre outras coisas, não fazer acordos ortográficos a martelo.

          Espero ter ajudado.

  5. É o neonazismo da língua, Pedro Barros. Tem que manter-se tudo imutável, sem variação, sem alterações e sem contactos que a “conspurquem”. Ai de que o português falado no Brasil, país de que os portugueses consomem cultura a rodos e que tem vinte vezes o número de falantes da mesma língua, nos influencie seja como for. Seria uma vergonha para nós, que mantivemos o português tão mais certinho, tão mais latino, sem mudanças nem influências de ninguém, ao longo destes séculos.
    A nossa língua, aliás, é a mesma desde D. Afonso II. Já era “facto” e não “feito” que se usava na altura. A forma como fala hoje a gente que lê meia dúzia de livros das cidades litorais, pouco que entenda de língua, é que é a bem falada – e sê-lo-á eternamente, como deve ser.
    Pedro Barros, dou-lhe um conselho: não perca o seu tempo. Isto é gente para quem é preferível usar três anglicismos em cada duas palavras do que adotar uma forma provinda do Brasil. Para quem um “práctico” é menos grave do que um “contato”, tanto que nos deixa mais perto dos nossos “parceiros civilizados” europeus, e mais longe dos terceiro-mundistas sul-americanos.
    Esta gente é herdeira, Pedro Barros, dos neoclassicistas parolos que precisamente nos puseram a dizer coisas como “facto”, “cátedra” e “herbanária” ao invés dos muito mais portugueses “feito”, “cadeira” e “ervanária”, muito menos “europeus” e demasiado populares para quem sabe ou acha que sabe latim – e até grego! Gente que se arroga o direito de dizer como devem os seus patrícios falar, apontando a variação como lesa-pátria e inconsciente de que, por mais que pleiteie, a língua se vai fazendo mais pelo que se diz no mercado, nas ruas insalubres e nas telenovelas do que no que empoeiradamente inventam mestres de pacotilha para se sentirem importantes.
    Perdoe-lhes tudo isso, pois, e deixe-os a falar orgulhosamente sós do que não sabem, enquanto a língua faz inexorável o seu caminho, cheio de variações, mudanças imprevistas de direção, imperfeições não atilhadas em ortografias, em comunidades sempre mais ou menos alargadas do que o que quaisquer delimitações políticas possam desejar.
    Deixe-os, pois, convencidos de que antes do AO ninguém dizia “fato” nem “contato” ou “contatar”, mas todos os portugueses, até ao último, disciplinadamente proferiam as cultas e urbanas contrapartidas com “c”, que apenas por isso grafavam, apesar de o “c” servir precisamente, entre outras coisas, para mascarar a variação existente em Portugal numa grafia única.

    • António Fernando Nabais says:

      Quando recuperar do ataque de riso, vou ali buscar um microscópio (que uma lupa não chega) e vou procurar, nos textos dos críticos do AO90, resquícios de defesa da imutabilidade da língua ou de cegueira relativamente à evidente influência brasileira.
      Entretanto, não precisei de microscópio para descobrir, espantado, que escreveu “contacto”. Que se passa consigo? Como é que resiste à “natural evolução da língua”, seu elitista? Como se atreve a não escrever “contato”, afrontando o povo que não compra jornais e que, portanto, não deve ser ensinado, porque o povo só pode ensinar e querer ensiná-lo é desrespeitá-lo.
      Agradeço-lhe, a propósito, por me ter aberto os olhos: amanhã, quando chegar às aulas, vou perguntar aos meus alunos se algum deles é do povo. Aqueles que assumirem a sua condição plebeia deixarão de ser corrigidos, porque corrigir o povo, ainda mais se de ortografia se tratar, é equivalente a uma manifestação de “skinheads” a favor do extermínio dos judeus e dos ciganos. No máximo, ao aluno que insista em escrever “facto” direi: “Cuidado, jovem, tu estás a manifestar ódio aos brasileiros e estás a desrespeitar o povo! Se fosse a ti, suprimia esse C que é o mesmo que está em ‘fascista’.”
      Considero-me também iluminado pelo DC, ao saber que havia uma grande quantidade de gente que não pronunciava o C de “facto”, ao mesmo tempo que o escrevia por imposição da Gestapo ortográfica.
      Folgo em saber que o DC defende que deve haver uma ortografia para cada região portuguesa, porque, realmente, não se pode admitir grafias únicas para “mascarar a variação existente em Portugal”. Já não falta muito para os alentejanos escreverem “cafei” em vez de café ou para os transmontanos passarem a grafar “tchuba”, porque, afinal, a ortografia é transcrição fonética, que, ao contrário da instrução e do estudo, é a maior arma de que dispõe o povo.

      • sinaizdefumo says:

        De facto o/a DC pôs-se a jeito e v. arriou-le, seu ímpio! De facto nunca ouvi ninguein dezer fato que nun fosse de vestir nem contato em vez de contacto, mas paciente um tempinho inquanto a malta se habitua. O raio do AO é farto in asneira mas o que “vocês” às vezes vão buscar dá buntade de rir.
        Dei uma spreitadela no mirandês e eles num tem esse problema; contacto é cuntato e facto é fato i pronto.

      • Pedro Barros says:

        O ataque de riso que vc teve deve ter sido quando foi atropelado e está a fingir que não lhe doeu nada, a fingir que aquele esgar é de riso, e não de dor.
        E depois, uma vez mais, responde ao lado. Outra vez a fingir, desta vez a fingir que responde.

        • António Fernando Nabais says:

          Não, é mesmo ataque de riso, parecido com o que o Pedro já me provocou mais acima. Confesso-lhe, no entanto, que existe dor: resulta do facto (que mania a minha!) de haver gente responsável que toma decisões com a mesma leviandade com que o Pedro emite opiniões sobre ortografia.
          Quanto às respostas ao lado, peço ao Pedro o favor de ler com atenção: vai ver que, se quiser, consegue perceber.

    • Pedro Barros says:

      Muito bom, DC. Se vc fosse sniper, não lhe escapava inimigo nenhum. Uma resposta notável.

  6. João Soares says:

    Beira Alta ,(concelho da Guarda)
    Melancia : Belanciga
    Cacho (de uvas) : Gatcho
    Bonito bonito vai ser quando os açoreanos quiserem alterações
    à maneira deles !
    Nessa altura a Dilma manda-nos dar uma volta ao bilhar grande .

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