A Grécia dá uma oportunidade à democracia

Giannis Varoufákis, 30-12-2014, trad. Carlos Leite, em Atenas

Há algo que não está certo nesta nossa Europa.
No momento em que o processo constitucional duma democracia europeia parecia conduzir, justamente, a eleições (como na Grécia desde o Outono), a Comissão Europeia, diversos Governos e todos os comentadores em geral, apresentaram a perspectiva de eleições (momento culminante do processo democrático) como uma corrida para o desastre; como uma calamidade que deve evitar-se a todo o custo.

Quando as eleições se tornaram inevitáveis, os mesmos decisores políticos começaram a pregar aos cidadãos desta pequena e orgulhosa nação sermões sobre como devem votar. E quando esses mesmos eleitores pareceram interessados em votar de maneira diferente, as autoridades europeias avisaram logo que seja qual for o Governo que resulte dessa votação o mesmo deverá executar fielmente os acordos que o Governo anterior celebrou com a União Europeia — que qualquer ideia de os renegociar deve perecer imediatamente.

Foi nisto que veio a transformar-se a Europa que sonhámos? A Europa chegou a um ponto em que as eleições são vistas como um problema, em vez de fonte de soluções? Tornaram-se os Governos designados por Bruxelas tão estupendamente arrogantes que imaginam que que podem dizer aos eleitorados como devem votar ? Chegámos ao ponto de se dizer a todo um povo que se vota num Governo que pretende renegociar um acordo sobre um empréstimo internacional que o asfixia, os seus multibancos deixarão de funcionar numa questão de dias?

Há realmente algo que não está certo nesta nossa Europa, e a Grécia, o proverbial canário da mina, trouxe tudo à superfície. Os europeus, de Helsínquia a Lisboa, de Dublim a Chipre, devem agora assumir colectivamente a tarefa de ressuscitar aquilo que outrora nos inspirou : o gosto da democracia.

Comments


  1. Reblogged this on O Retiro do Sossego.


  2. Veremos se o Milios tem uma palavra a dizer na Europa.

    Venho desejar a todos um feliz ano novo, como disse um senhor muito conhecido:

    “a certeza de que a nossa economia será competitiva no mundo globalizado, a certeza de que os dias mais prósperos e mais felizes do nosso Pais estão à nossa frente”

    à nossa frente, navios de especiarias da Índia, ou de high tech da Foxconn:


  3. “todos apresentam como uma corrida para o desastre”; a esquerda caviar grega deve ter uma pescoço tão comprido como a portuguesa. Apesar de “todos” alertarem continua com a cabeça lá nas nuvens a pensar que foram os outros da UE que decidiram quem ia endividar o país até as orelhas e acreditam que a UE vai pagar a fatura. O painatal só existe nas historias para crianças; cada um assume as suas responsabilidades e nem os bancos perdoam a ninguem.


  4. OCPEra esse o objectivo. Esquecem-se sermpe da BD…A adereancia foi boa e de repente passou a ser a categoria mais listada!Para o ano ne3o he1 desculpas para esta categoria ne3o existir inicialmente.;)Geraldes LinoO objectivo era criar a categoria sermpe esquecida da BD.Objectivo atingido com distine7e3o!Agora espero que para as prf3ximas edie7f5es deste concurso ela esteja presente logo de inedcio!O Joe3o Jose9 Cardoso, a cara deste concurso, je1 disse “Obrigado nf3s, a categoria este1 muito concorrida “;)

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