esguichos de estupidez

mamar

Ontem esta notícia indignou-me, como imagino que tenha indignado todas as pessoas que tenham um cérebro e que conheçam minimamente o que podem fazer com ele. Tipo pensar. Tipo conhecerem os seus direitos (e deveres), entre os quais, os direitos e deveres das mulheres que amamentam e os direitos e deveres dos pais (mulheres e homens) relativamente à aleitação dos seus filhos.

Eu ajudo um bocadinho, recorrendo à notícia que antes mencionei:

«A dispensa para amamentação é um direito previsto no Código de Trabalho. O artigo 47.º prevê que a mãe que amamenta o filho tem direito a dispensa de trabalho para o efeito durante o tempo que durar a amamentação. No primeiros 12 meses, mesmo que não haja amamentação, qualquer um dos pais pode usufruir de dispensa de trabalho para aleitação até o filho perfazer um ano.

A dispensa diária é gozada em dois períodos distintos com a duração máxima de uma hora cada, salvo se outro regime for acordado com o empregador. Está previsto que constitui contra-ordenação grave a violação do disposto neste artigo.


A partir dos 12 meses de vida do bebé, as mães que amamentam têm que entregar uma declaração mensal à entidade patronal, devidamente preenchida pelo seu médico assistente, onde este atesta que a mãe se encontra a amamentar. O documento vai assinado e carimbado.
Quanto ao procedimento a adoptar para usufruir da dispensa para amamentação, o artigo 48.º do Código do Trabalho determina que a trabalhadora comunica ao empregador, com a antecedência de 10 dias relativamente ao início da dispensa, que amamenta o filho, devendo apresentar atestado médico se a dispensa se prolongar para além do primeiro ano de vida do filho.»

Como se pode verificar, espremer as mamas para ver se esguicham leite e, assim, ‘fazer prova’ de que se amamenta, não consta dos direitos nem dos deveres das trabalhadoras com filhos bebés. Qualquer médico que sujeite uma mulher a esta indignidade deve ser responsabilizado. Qualquer mulher pode e deve recusar a produção de ‘evidência’ que se encontra a amamentar, para além, como é evidente, da declaração do seu médico assistente.

A indecência e a indignidade deste ‘pedido de prova’ não está em mostrar as mamas (ao médico ou a quem quer que seja), ao contrário do que quer demonstrar a simplória (para dizer o mínimo) Helena Matos que, ao que parece, é mulher e tudo (talvez lhe devêssemos pedir ‘evidência’ sobre isso, não?). Qualquer pessoa que seja pessoa percebe onde está a indignidade. Basta que tenha cérebro. Mas há pessoas que por mais que o espremam, jamais conseguirão produzir  um esguichozinho que seja de inteligência.

(imagem tirada daqui)

Comments

  1. Comune2015 says:

    A prepotência e o terrorismo (neste caso sobre as mulheres) há muito que atingiram a raia da pura estupidez sobre quem trabalha ou trabalhou uma vida inteira, Agora ultrapassam essa fasquia para passarem para o campo da mera e reles humilhação. Será que deixaremos este governo prosseguir a sua saga de humilhação e morte (de que ainda se ri como riu alarvemente ontem na AR) até Outubro? O seu derrube já ontem era emergente.


  2. sim, ontem já era tarde.

  3. João Paz says:

    Por lapso o meu nome saiu no comentário anterior como “comune 2015” quando deveria ter saído, como sempre, como João Paz. Peço desculpa pelo erro.

  4. Rui Moringa says:

    Esta notícia revela a cegueira neuronal dos que engendraram o procedimento e das mulheres que infringem a lei gozando o direito de amamentar de forma batoteira, ou seja, não amamentam, mas têm uma declaração médica que o “prova”, para além dos 12 meses.
    Também não parece que o combate à batotice seja penalizar de forma universal todas em particular aquelas que amamentam fazendo-as passar por procedimentos que violam a sua intimidade e a sua condição de mulher responsável numa sociedade que deve retribuir essa responsabilidade.
    Quando pensaram no procedimento foram pedidos pareceres às Comissões de Ética, foram pedidos pareceres à Comissão para as Ciências d a Vida? Para que servem essas comissões, não é para avaliar, por antecipação o bem e o mal de normas potencialmente atentatórias da dignidade de homens e mulheres? Afinal onde pára o simples bom senso?
    Os serviços de saúde ocupacional não podem, em diálogo com as mulheres e os médicos emissores das declarações fazer uma pedagogia para corrigir as potenciais e as verdadeiras infrações?
    É batota gozar de uma licença de amamentação não amamentando. Não deve ser tolerado.
    Tenho muitíssimas dúvidas que o combate às infrações seja o tipo de acções que a imprensa relatou.
    Embora de proporções e natureza diferente, como podemos apontar o dedo a salgados e companhia, se nas práticas mais pessoais do quotidiano somos, nos princípios, iguais?
    Não subscrevo que para corrigir os desvios seja necessário práticas deste género. As fraudes neste domínio sugiram agora? Que sapiência engendrou os tais procedimentos e ainda por coma à escolha da mulher…indigno. Isso indigno não é mostrar as mamas ao médico, indigno é exigir a prova de algo que deveria estar por princípio, por educação e pela tal declaração médica, suficientemente provado.
    Nunca se viu tal coisa nem mesmo no tempo do anterior regime.

    • Nightwish says:

      Pois, a menos que seja para fazer propaganda ao governo, os jornais são lixo. Já conhecemos a lenga-lenga.


  5. sim, batemos no fundo.

  6. fontedora says:

    O mais grave nesta atitude, é o facto de se partir do princípio que todo o funcionário/trabalhador é desonesto, aldrabão. É preferível deixar passar uma ou duas aldrabices, do que meter toda a gente no mesmo saco. Que tristes e pequeninos somos! Eles não percebem que ao tomarem estas posições, estão a assumir que essa prática de aldrabar, está-lhes de tal maneira no sangue, que partem do princípio que contagia.

  7. Konigvs says:

    Acho que deveríamos obrigar também os políticos titulares de cargos públicos a serrarem a cabeça – mais ou menos como o Dr. Lecter fez a uma das suas vítimas – para fazer prova a todos os contribuintes, que de facto lá dentro existe um cérebro.


  8. A “senhora” não é definitivamente uma senhora!

  9. joao lopes says:

    a “dona” helena tem um problema com o Publico,um certo ressentimento mal resolvido,e utiliza todos os argumentos possiveis em proveito proprio com a subtileza de um elefante a visitar uma loja de cristais, ou de um burro a olhar para um palacio.neste caso ,como são enfermeiras que trabalham para o estado(pormenor importante) vaí de humilhar as senhoras só porque lhe apetece.atenção:a “dona” helena é anti-estado mas faz programas na antena 1,sobre o sabor dos gelados em 24/04/1974,sem duvida um trabalho muito “meritorio”

  10. André says:

    Normalmente depois de ler os posts da Helena Matos e do Vítor – olha para mim tão engraçado com as minha ironias tão finas – Cunha tenho que suprimir o reflexo de vómito.

  11. A.Silva says:

    A helena matos é um asco de pessoa!


  12. cá para mim esta gente deve estar a construir a obra ao tal do EI…. continuem carneiros que vão ver, o que dali vem…. nojo!!!

  13. Artur says:

    Confesso que fico tranquilizado em saber que são estas as causas que “indignam” a Esquerda e que satisfazem (pelo menos temporariamente) as suas necessidades de justiceirismo e de combatismo moral. Na falta de melhor agarram-se ao que vai surgindo conforme a moda mediática, normalmente causas inofensivas e futeis. Optimo. Mas também se não houvessem causas sociais, pobres e oprimidos para defender, como aplacaria esta gente as suas necessidades de revolucionário-justiceiro-indignado? O que fariam num mundo comunista perfeito, onde ninguém necessitasse de ser defendido ou ajudado? Como continuar a viver para o bem-estar dos outros se toda a gente vivesse para isso, e desta forma ninguém estivesse disponivel para receber algo para si? O que fariam num mundo assim, as pessoas de coração grande, se ninguém precisasse do seu transbordante amor e solidariedade?


  14. Artur, estou descansada. Enquanto houver pessoas como o senhor, haverá sempre motivo para combater (moralmente e de outras maneiras 😀 …. não se inquiete tanto com as pessoã de esquerda e as suas causas temporárias ou permanentes, que ainda lhe pedem que esprema o cérebro numa consulta qualquer….

    • Artur says:

      O que seria de nós se não a tivessemos como protectora da nossa dignidade e dos nossos direitos!! Obrigado Daenerys Targaryen por velares por nós, os fracos e oprimidos.
      Está bem que têm que continuar a encher blogs e manter os fiéis entusiasmados, mas caramba, será que não há nada no país/mundo que não precise de ser policiado pela vossa interpretação simplista e tendenciosa das relações/lutas de poder que existem e que sempre hão-de existir?
      Nada contra que vista a farda de salvadora dos oprimidos, se isso a faz sentir realizada e feliz; mas pelo bem da honestidade intelectual, talvez fosse interessante que procurasse aprofundar de forma isenta, as várias nuances, a subjectividade, a singularidade, de cada causa que detecta no seu turno de vigilância. Assim estes posts deixariam de parecer sempre os mesmos recorrentes superficiais panfletos de propaganda politica.

  15. Rui Moringa says:

    Sr. Artur,
    Não sou empacotável na “esquerda”, sou Homem, portanto um Ser Pensante.
    A si devo lembrar-lhe, porque parece esquecido, que: – Quem não gosta dos Outros,não gosta de Si mesmo.
    Outros, são o Todo onde se incluem aqueles que menos têm e os que têm muito. Todos são iguais em dignidade, mas parece que os que têm tudo (Poder) se esquecem dos Outros e estão concentrados no seu deslumbramento ao ponto de praticarem as mais diversas patifarias, mesmo a coberto de lógica, neste caso, “lógica psicopatoide”.
    Nisto, onde está a esquerda?!, a direita?! e o centro?!.
    Depreende-se, do seu comentário que, para si, o Poder é apenas aplicar a sua vontade a despeito do poder dos outros, mesmo que nesta parte de poder só entre a condição de seres que precisam de viver, como o senhor.


  16. pessoas*

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