A favor dos contratos de associação


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O pessoal da caranguejola pafiosa continua a divertir-me e a preocupar-me. Neste momento, diverte-me um bocado mais, porque não está no poder. Preocupa-me, porque poderá voltar a estar. A última causa a que resolveram dedicar-se é a da defesa dos colégios, o que é cómico, tendo em conta que os colégios não foram atacados.

Primeiro, enquanto governo, perverteram os contratos de associação, permitindo a abertura de turmas em escolas privadas ao lado de escolas públicas, quando os contratos de associação, re-re-re-re-repita-se, foram criados para suprir a falta de oferta pública e não para financiar a concorrência de colégios ou de cooperativas a escolas do Estado.

Depois, fingem que há um levantamento comuno-marxista-norte-coreano-guerrilheiro-ateu-demoníaco-sindicalista-nogueirista contra os colégios. O diálogo não é de surdos, mas é com gente que se finge surda. O actual governo e os partidos que o apoiam dizem “Queremos rever os contratos de associação.” e a caranguejola pafiosa responde que é uma vergonha, que é um ataque aos privados e até a Nosso Senhor. O actual governo e os partidos que o apoiam falam na necessidade de racionalizar recursos e os caranguejoleiros dizem que há um ataque à liberdade de escolha dos pais e dos encarregados de educação.

Continuando a fazer-se de surda, a caranguejola pafiosa transforma a discussão sobre este assunto, mais uma vez, numa oportunidade para alardear as virtudes dos privados, por oposição aos defeitos das escolas públicas. Por um lado, dizem que, havendo um colégio e uma escola pública na mesma rua, os pais preferem pôr os alunos no primeiro; por outro, lembram que as melhores escolas são as privadas porque estão nos melhores lugares dos rankings. Em ambos os casos, há simplismo ou má-fé.

A caranguejola que, graças a Nuno Crato, conseguiu despedir mais de vinte mil professores mostra-se, agora, preocupada com o desemprego que poderá advir da revisão dos contratos de associação. Todos estes professores, todos, são vítimas de gente que se limita a gerir o mundo de costas para as pessoas e de frente para números.

A mesma caranguejola nunca se preocupou, entre outros problemas, com a exploração a que muitos professores, fragilizados pela precariedade, foram e são sujeitos em muitos colégios. Para os pafiosos, essa é, aliás, uma das virtudes dos privados: um precário nunca se negará a trabalhar muito por pouco e sem protestar, porque haverá sempre outro precário disposto a trabalhar mais por ainda menos.

O Ministério da Educação já fez, até hoje, muitos disparates e há indicações de que continuará a fazer, mas, neste campo, merece ser elogiado. Do lado dos colégios, o despudor chegou ao ponto de pôr as crianças a escrever cartas em que, com certeza, escrevem o que lhes ditaram, no processo de beatificação dos colégios, os falsos mártires.

Trackbacks

  1. […] Isto é muito simples: os defensores de privilégios à custa de dinheiros públicos estão necessariamente contra a escola pública e a favor do incumprimento da Lei. A hipocrisia grassa. […]

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