Tantos rottweilers e nem um que ladre a Mario Draghi


MD

Quando Mario Draghi foi convidado a participar no Conselho de Estado por Marcelo, a polémica instalou-se. A esquerda, quase em uníssono, criticou o convite. À direita, a satisfação era generalizada. Espera lá Costa, que já aprendes uma lição! E Draghi por cá passou, dando o ar da sua graça, espetou uns quantos alfinetes no governo e regressou à sua fortaleza, sobre a qual a conselheira económica de Angela Merkel, Isabel Schnabel, afirmou tratar-se de uma “quase instituição política“, “apesar de não responder a qualquer controlo parlamentar. Coisas da democracia moderna.

Algum (pouco) tempo passou. Entre polémicas e intrigas, surgia um pedido da Comissão Parlamentar de Inquérito ao caso Banif para que Vítor Constâncio fosse interrogado pelos deputados da comissão. Constâncio declina, afirmando que a sua condição de vice-governador do BCE não lhe permite aceder. O parlamento incendeia-se, a imprensa incendeia-se e as redes sociais incendeiam-se. O incêndio é tal que o Parlamento aprova, com unanimidade, um voto de protesto do PCP. É a geringonça absoluta contra o poder totalitário do Grande Banco:

[A Assembleia da República] exprime o seu protesto pelo comportamento do Banco Central Europeu de recusar a informação necessária ao esclarecimento das decisões tomadas no âmbito do BES e do Banif e, nomeadamente, de ocultar à Assembleia da República informações essenciais para o exercício das suas competências soberanas relativas à avaliação dos mecanismos de supervisão bancária.

Constâncio ainda tentou responder por carta, mas de nada lhe valeu. E enquanto o hemiciclo protestava, o PSD ia mais longe, ameaçando o vice do BCE com uma participação-crime ao Ministério Público por “desobediência qualificada”. E eis que, no meio do caos, silenciando uma parte da turba em fúria, surge de novo Mario Draghi, o tecnocrata-alado do euro, que em defesa do seu vice escreve ao Parlamento português para reforçar que Vítor Constâncio não tem que responder perante os deputados portugueses. Que as regras europeias ditam que os membros do BCE apenas respondem perante o Parlamento Europeu e nunca perante uma assembleia periférica qualquer, negando aos portugueses que o antigo governador do Banco de Portugal seja ouvido sobre uma matéria tão sensível e sobre a qual terá tanto para dizer. O tal BCE que decidiu por nós a quem deveria o Banif ser vendido. É a pseudo-democracia tecnocrática que governa o que resta da União em todo o seu esplendor. Opaca e absoluta. E é então que à direita se instala aquele silêncio ensurdecedor. Aguarda-se a próxima ameaça de participação-crime do PSD. Ou o ladrar de um qualquer rottweiler laranja, tanto faz…

Foto@Diário Económico

Comments

  1. Comentários para quê ? Está tudo dito como na “pasta medicinal couto” !!!

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