Angola e as eleições gerais de 2017 (2)

[Mwangolé]


Em 2008 o MPLA obteve 80% dos votos, conseguindo eleger 191 dos 220 deputados. Em 2008 a percentagem caiu para 71% com 175 deputados. Acreditando que os resultados apresentados pelo CNE possam estar certos e serão validados pelo Tribunal, o processo ainda não terminou, agora em 2017 foram 61% com 150 deputados. A queda é evidente e não pode ser explicada apenas pela não recandidatura do Presidente José Eduardo dos Santos. Ninguém de boa-fé pode questionar o papel do presidente na conquista da paz em 2002, no desenvolvimento que o país conheceu desde então, mas passados 15 anos seria de esperar uma realidade diferente da que vivemos. É tempo mais que suficiente para já ninguém levar a sério os que ainda apontam o dedo à herança colonial ou guerra civil, como culpados da situação.

Angola importa quase tudo o que consome, exportando pouco mais que petróleo e diamantes. Atravessando um período de baixa no preço das matérias-primas nos mercados internacionais, o país ficou a braços com um problema de divisas, ao qual também não é isento a falta de credibilidade do sistema financeiro, junto dos parceiros internacionais. O resultado está à vista, com a crise económica que o país atravessa. Faltam cuidados de saúde, a educação tem pouca credibilidade, a maioria da população não tem acesso a saneamento básico, muitas casas não têm água corrente, quanto mais potável, nem energia eléctrica. E mesmo para as que têm, o abastecimento não é regular. Todo o angolano sabe que a qualquer momento deixa de passar água ou que a luz foi. [Read more…]