“Não são livres”.

Há coisas com importância em si mesmas, mas ainda maior do ponto de vista simbólico. Maria João Pires há mais de 10 anos, julgo, que não toca em Portugal porque não quer, porque se recusa. Este facto aparece como sintoma patente do funcionamento dos meios culturais portugueses e, sobretudo, mostra o estado do seu espaço público, nesta área: um lugar sufocado pelo medo e o compromisso. Ninguém fala deste assunto em nenhum media. Não são livres. Querer saber as razões (não as sei) seria talvez delicado para o meio musical institucional. A figura mais marcante do século XX e até hoje no seu campo, o primeiro Prémio Pessoa, quando este tinha maior significado, continua a ser quem era, faz concertos, mas não quer tocar aqui. O silêncio é a regra obediente, dirigida pelo medo do indizível, do inexplicável, do inaceitável.

António Pinho Vargas

Sobre a natureza da educação

Legendas em português disponíveis

Stander

A Standard & Poor’s não deixou de ser aquilo que é – um lixo – só porque agora favorece o governo do partido em que votei.

Divisão no PS Gaia

Há mais de um ano atrás houve quem tivesse percebido que a Medalha Municipal que o presidente da Câmara de Vila Nova de Gaia e líder do PS/Gaia entregou ao vice-presidente do PSD, Marco António Costa, não era um simples gesto bizarro, destituído de significado político. Pelo contrário, era, para quem tivesse os olhos abertos, o sinal de que a estratégia política do Partido Socialista para a terceira maior cidade do país passava pelo “Bloco Central de interesses” e que estávamos perante a reabilitação simbólica daqueles que foram acusados, pela generalidade da “Esquerda”, de levar este país ao chão e de o arrastar por um processo de destruição social sem precedentes.

Parece haver, agora, dentro do PS/Gaia, quem tenha descoberto esse truque, essa verdadeira traição aos valores proclamados pelo Partido Socialista, e se afaste dessa estratégia, criticando os dirigentes concelhios que a impuseram.

Escreve Agostinho Lisboa, um dos mais notáveis militantes socialistas de Vila Nova de Gaia, que recusou participar das listas do PS à próximas Autárquicas, porque:

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Imoralidade eleitoral com idosos – mudar a Lei

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Miguel Teixeira

Discordo como cidadão eleitor deste país, que em altura de eleições se procure aliciar votos dos eleitores (é da tentativa de aliciamento de votos patrocinada pelo erário público que estamos a falar), em centenas de autarquias deste país convidando milhares de idosos para almoçar na Quinta da Malafaia ou em qualquer outro espaço de convívio. Discordo igualmente que em alturas eleitorais se levem os idosos de Centros de Dia a S. Bento da Porta Aberta, a Fátima ou seja lá onde for, em ações patrocinadas por Câmaras Municipais ou Juntas de Freguesia que configuram uma concorrência eleitoral desleal, falseando com enorme “chico-espertice” os resultados eleitorais. [Read more…]

A Barbara Mandrell e o Acordo Ortográfico de 1990

THE OLD MAN: I am actually married to Barbara Mandrell in my mind. Can you understand that?

EDDIE: Sure.

THE OLD MAN: Good. I’m glad we have an understanding.

— Sam Shepard, “Fool for Love

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Poderíamos reproduzir (ou adaptar) esta conversa entre o Eddie (o Sam Shepard deixou-nos há poucas semanas) e o The Old Man (o Harry Dean Stanton deixou-nos hoje, soube há pouco pelo nosso António Fernando Nabais), com o AO90 a servir de Barbara Mandrell (coitada da Mandrell), da seguinte forma:

A PESSOA QUE ESCREVE NO SEXTA ÀS NOVE DA RTP: Eu escrevo segundo o AO90. Percebe?

UMA PESSOA QUALQUER QUE TENHA LIDO E PERCEBIDO O AO90: Claro!

A PESSOA QUE ESCREVE NO SEXTA ÀS 9 DA RTP: Ainda bem que estamos de acordo.

Para banda sonora, se não houver L’idiot, se não houver City of New Orleans e se não houver os meus dilectos Ao Soldado Desconfiado ou The Phoenix, então pode ser o Comboio  ou então o Noutro Lugar. Não escolham o Depois de ti, mais nada, sff. Obrigado. Adaptações?  Start Me Up é fixe, mas prefiro Love Removal Machine.

Agora, vamos àquilo que interessa: