Não ter ponta de vergonha na cara é isto

Fazer de conta que o passado não existiu.

“Comércio Livre”- Para quem?

CETA: Acordo Económico e Comercial Global entre a União Europeia e o Canadá (CETA), um Acordo de “comércio livre”, leia-se: auto-estrada para o capital transnacional, subordinação da soberania nacional, instrumento de ataque ao planeta.

Vejamos porquê:

  • O Canadá é o rei do mais sujo petróleo do mundo, extraído de areias betuminosas. O petróleo assim produzido tem colossais custos ambientais, muito superiores aos dos combustíveis fósseis convencionais. Na região de Alberta, no oeste do Canadá, áreas imensas de bela floresta boreal são dizimadas e transformadas em desoladas paisagens lunares, com montanhas de enxofre e enormes lagos artificiais cheios de caldo altamente tóxico composto por substâncias como o cádmio, arsénio, mercúrio e hidrocarbonetos cancerígenos – que lá ficam, a céu aberto, infiltrando-se até envenenarem as águas subterrâneas e funcionando como armadilhas monstruosas para os animais selvagens. Porque a extracção do “ouro negro” das areias requer quatro a cinco barris de água para a obtenção de um barril de petróleo, a indústria do petróleo usa e abusa do rio Athabasca, ameaçando os ecossistemas da área, matando peixes e destruindo a base de subsistência de povos indígenas. A incidência de cancro na região é 20% superior à do resto do país. O processo de extracção exige também descomunais quantidades de energia, libertando correspondente quantidade de gases de efeito de estufa (GEE), causa do aquecimento global.

A contaminação da água, solos e ar resultante da exploração das areias betuminosas catapultou o Canadá para um dos primeiros lugares de emissão de GEE per capita a nível mundial. [Read more…]

Angola e as eleições gerais de 2017 (1)

[Mwangolé]

Validadas pela CNE, até ver, as eleições angolanas do passado dia 23 poderão ter sido livres e democráticas, mas dificilmente alguém as considerará justas. Para já o povo angolano deu uma lição de civismo aos políticos, exercendo o seu direito sem a confusão ou exaltação que muitos estariam à espera, é por isso e para já, o grande vencedor do pleito eleitoral. É importante que a paz tão duramente alcançada, não seja colocada em causa, pois dela todos beneficiamos.

Eleições livres no sentido que ninguém foi obrigado a votar ou impedido de se abster. Democráticas porque apesar de contestadas pela oposição, não vi até agora qualquer prova de falsificação de resultados. Quem tiver que rapidamente as apresente. E se aparecerem, que sejam rectificados os resultados anunciados, ou repetidas as eleições como irá acontecer agora no Quénia, um bom exemplo para todo o continente. Quanto à justiça a conversa é outra, em primeiro lugar porque existiu confusão desde o início do processo, ou seja desde o recenseamento, continuou com a certificação dos delegados de lista junto das mesas, com o método de apuramento dos resultados, ou seja, muito dificilmente alguém acreditará que a CNE esteja isenta de culpas quanto às acusações de parcialidade e também não se livrará de ser questionada quanto à sua competência e sucessivas trapalhadas em que se foi envolvendo. Fica a suspeita no ar e isso não é bom para quem se quer apresentar acima das disputas partidárias, representando o Estado. Imaginemos que numa partida de futebol, o árbitro vai ser nomeado e pago por uma das equipas. Por muito idónea que a pessoa seja… [Read more…]