Propaganda, disse a direita do costume

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via Uma Página Numa Rede Social

A direita radicalizada indignou-se ontem com a presença de vários membros do executivo socialista numa série de acções de sensibilização para a protecção da floresta. E sim, é claro que há ali a dose do costume de propaganda, que as Legislativas estarão aí num abrir e fechar de olhos, apesar da ausência de oposição à direita que possa preocupar António Costa, por muitos saltinhos que Assunção Cristas tente dar.

Desconhece-se por onde andaria essa mesma direita, como de resto vem acontecendo em muitos outros casos que em pouco ou nada se distinguem deste, quando Cristas, Portas e João Almeida, entre outros, se dedicavam a acções similares. E nem quero imaginar o que por aí se diria se tivesse sido um partido de esquerda a convidar Nádia Piazza para colaborar na elaboração do programa eleitoral para 2019.

O milagre da multiplicação dos ministros

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Imagem via Os truques da imprensa portuguesa

O governo minoritário de António Costa tem 17 ministros, número ao qual acresce o próprio Costa, como 18º e primeiro-ministro. Já a SIC Notícias detectou 20 ministros a acompanhar as operações de limpeza de matas e florestas que ontem se realizaram. É o milagre da multiplicação dos ministros, que convém não se repetir muitas vezes, que não há erário público que aguente tanta ajuda de custo.

Monção de sem surra

Falta-me pachorra para dissertar sobre moção de censura do CDS. Por isso, telegraficamente, limito-me a três notas:

1. Obviamente que há motivo para uma moção de censura. Se a incapacidade de resposta nesta situação não serve, não vejo que outros motivos se possam  evocar no futuro.

2. É de uma escandalosa hipocrisia ser o CDS a lançá-la, ou não tivesse sido a respectiva líder diretamente responsável pela pasta que, durante cinco anos, nada fez para resolver um problema de longa data. Perdão, fez. Piorou o panorama com a sua lei do eucalipto. Estivesse a direita no governo e já o PCP ou o Bloco teriam tomado a dianteira neste campo. Ou até talvez mesmo o PS o tivesse feito.

3. Se para o CDS a moção de censura era premente, porque é que não a fez logo depois de Pedrogão Grande? Há um número de mortos a partir do qual tal iniciativa se justifica? Deve haver, porque, segundo Cristas, nenhuma calamidade aconteceu durante os seus mandatos, como se não tivessem morrido, por exemplo, 9 pessoas em 2013 e 6 em 2012. Sim, há uma questão de escala. Mas, como muito bem lembraram diversas vozes  a propósito de Pedrogão Grande quando dissertavam sobre se havia 64 ou 65 mortos, algumas delas ligadas ao CDS inclusivamente,  “um morto é uma tragédia“.  Excepto quanto se está no governo, assim se pode depreender.

[Gráfico baseado no extracto do Relatório da Comissão Independente, disponibilizado no DN]

Por muito menos se desenharam grandes teorias da conspiração

Foto: Hélio Madeiras@Diário de Notícias

No passado Domingo, e agradeço que alguma alma caridosa me corrija se estiver a proferir alguma alarvidade, Portugal bateu o recorde do Guiness de ignições num único dia, com 523 incêndios a deflagrar um pouco por todo o país.

O número é impressionante, o resultado devastador, e as mortes que daí resultaram aprofundaram ainda mais o revoltante luto em que vivemos mergulhados desde o início deste Verão, que não parece ter fim. Amanhã, prevê-se nova subida nos termómetros nacionais e o risco volta a ser elevadíssimo. [Read more…]

Os incêndios são, em parte, uma inevitabilidade

Serão? Se são, não deviam ser. No entanto, a consideração expressa no título deste texto foi proferida por um antigo ministro da Administração Interna em funções, a meio de um Verão quente, que não sendo tão quente como este, terminou com muitos hectares de área florestal ardidos e algumas vítimas mortais. O seu nome é Miguel Macedo e, para quem não sabe, porque a imprensa controlada pelos comunistas censura tudo, está a ser julgado por uma série de alegados crimes, no âmbito do caso Vistos Gold, que envolve uma série de distinas personalidades da direita injustiçada e sacrossanta. [Read more…]

Canalhas, cabrões e filhos da puta

Nunca Paulo Portas fez tanto sentido. Exceptuando, claro, quando deu aquela célebre entrevista, em que falava dos quadros muito medíocres do seu antigo partido. Mas esta tirada, do longínquo ano de 2010, imortalizada por este tweet do seu partido, é tão actual que me merece algumas considerações, ou não atravessássemos hoje um dos períodos mais negros da nossa história contemporânea, com esta vaga de fogos florestais, devastadora e mortal.

Ora, efectivamente, fazer politiquice com o flagelo dos incêndios é imoral. Eu diria mesmo que é uma filhadaputice, só ao alcance da mais desprezível cria da mais ordinária meretriz, ainda que a senhora, coitada, não seja responsável pelas canalhices do rebento gerado. Porque é preciso ser-se muito canalha, muito cabrão, para usar a oportuna terminologia que está a marcar o debate no Aventar desde ontem, para usar este drama como arma de arremesso político. Infelizmente, não estamos perante uma novidade no debate político, onde a moralidade raramente tem lugar e a filhadaputice abunda. [Read more…]

“Os políticos não se educam, pressionam-se”

Fotografia LUSA/Paulo Novais

Uma expressão como “época de incêndios” poderia ser cómica, não fosse enorme a tragédia. Faz tanto sentido como “época de inundações”, como se houvesse uma obrigatoriedade de haver fogo e água por toda a terra, dentro dos períodos respectivos, como se tudo, no fundo, fizesse parte de um planeamento. São expressões que transformam probabilidades em inevitabilidades e que são o retrato de um país ou de um mundo por civilizar.

O professor Jorge Paiva, um especialista em floresta, ao contrário de gente mais mediática e sem vergonha, anda, há anos, a chamar a atenção para vários problemas que poderão estar na origem dos fogos, nomeadamente a falta de guardas florestais. [Read more…]

Floresta queimada, trancas à porta

Fotografia: Lusa@Sapo

Milhares de hectares de floresta queimados depois, o Ministério da Administração Interna decidiu reactivar 72 dos 236 postos da Rede Nacional de Postos de Vigia, desactivados vá-se lá saber porquê, que fogos florestais parece ser coisa que não nos assiste.

Mas pior do que esta política de “casa roubada, trancas à porta”, só mesmo a perplexidade que me provoca perceber que estes postos estão desactivados, apesar de precisarmos tanto deles, para poupar um custo miserável que não tem sequer comparação com as várias formas de despesismo com que este e os anteriores governos nos costumam brindar. A começar pela dispendiosa elite política balofa que temos em Lisboa e nas autarquias, com alguns deputados e presidentes de câmara a receber por mês ajudas de custo que chegariam para pagar um salário mensal digno a um vigia ou guarda florestal.

Mas não se preocupem: para o ano há mais.

Pedro Passos Coelho perdeu completamente a noção

Fotografia: Lusa@Dinheiro Vivo

Como diz a sabedoria popular, é cada tiro, cada melro. Primeiro foi a fase do Calimero e da negação da democracia representativa. O resultado foi uma fuga para a direita e o início de uma sucessão de quedas em todos os estudos de opinião, que se continua a agravar até hoje.

Depois vieram as profecias da desgraça, com sanções, resgates e ritmos venezuelanos à mistura. Porém, à medida que os números o começaram a tramar, o discurso inverteu-se e afinal era tudo herança dele, apesar de ter passado meses a afirmar que a Geringonça tinha destruído a tal herança e que vinha aí a grande catástrofe. Uma anedota completa. De Calimero passa a ser alvo de chacota, para além de se transformar na melhor coisa que poderia ter acontecido a António Costa: uma oposição fraca, liderada por um líder que não passa uma semana sem meter os pés pelas mãos. [Read more…]

O fogo e os submarinos

Imagem via Yronikamente

Ou as prioridades de um país que continua a arder todos os anos, violentamente, sem estratégia ou meios adequados. A culpa morre solteira, as árvores e os animais morrem carbonizados, as clientelas enchem os bolsos e quem vier a seguir que feche a porta.

SIRESP: queremos o nosso dinheiro de volta

Custou umas largas centenas de milhões de euros aos cofres públicos, numa negociata à moda do bloco central, e voltou a falhar quando mais precisamos dele. Ontem, porém, recebemos a confirmação de que a patranha é pior do que imaginávamos. Segundo Paulo Rodrigues, presidente da Associação Sindical dos Profissionais de Polícia, as falhas são comuns e constantes. O líder da ASPP vai mais longe e afirma mesmo que

se houver um incidente táctico-policial no Colombo, no Meo Arena ou no Amoreiras Shopping, é evidente que vamos ter muitas dificuldades” (por serem) “locais sensíveis, locais onde, quando é necessário comunicações, não pode falhar, e a verdade é que toda a gente fala em muita coisa, e parece que estamos sempre à espera da catástrofe para depois lamentar, e isto é o que tem vindo a acontecer. Aquilo que está identificado hoje, os inquéritos podem identificar o que quiserem, está identificado há anos (…) há anos que nós já comunicamos aos governos, ao poder político.

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E depois da tragédia

As imagens e informações que nos chegam das áreas afectadas pela tragédia de Pedrógão Grande chocam, revoltam e fazem-nos sentir pequenos, impotentes. Dezenas de mortos, centenas de feridos e desalojados, uma gigantesca área florestal ardida, casas destruídas, animais carbonizados, colheiras arrasadas, o pânico e sofrimento das pessoas, um cenário desolador. Ano após ano, a história repete-se. Eterniza-se.

Existem muitos culpados, sabemos quem eles são, mas daqui a umas semanas as massas acabarão por esquecer e virar a página. Como fizeram com os milhares de fogos de 2013 ou com o grande incêndio na Madeira do ano passado. E não, não o fazem por serem insensíveis ou más pessoas. Fazem-no porque a vida é uma correria, porque são inundadas de informação nova a cada minuto, porque o campeonato recomeça em Agosto, porque o Verão vai ser de poluição eleitoral, enfim, por uma mão cheia de razões. Lambem-se as feridas, enterram-se os mortos, a vida recomeça e a dor permanece apenas entre aqueles que verdadeiramente viveram o inferno das chamas. [Read more…]

Guia antipopulista para saber quem é pirómano

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Nuno Oliveira

1. Quem não limpa o mato dos terrenos (só 2% da floresta é do Estado)
2. Quem não actualiza finalmente o cadastro para que o ponto anterior se altere
3. Quem acabou com a Autoridade Florestal, Guarda Florestal, Viveiros, pontos de vigia, etc e fez o Fundo Florestal em vigor (adivinhem quem foi)
4. Quem acha que, sendo a fruta e cortiça duas exportações principais (entre outras), é uma ideia bestial apostar na celulose (em plena era digital)
5. Quem não taxou/impediu conversão de solo rural/florestal a urbano (maioria das habitações em risco)
6. Quem passou a competência logística do combate aos fogos do Exército e Força Aérea para empresas contratadas
7. Quem não associa os nossos hábitos e estilo de vida a extremos climáticos cada vez mais fortes (seca e mais de 30° desde Maio/Junho)
8. Quem não leva a sério o gado extensivo (ou outros ruminantes selvagens),na gestão de um território livre de incêndios e com economia baseada na ruralidade (em crescimento na Europa)
9. O doente ou criminoso que aproveita todas as condições anteriores para causar danos
10. Quem esquece os primeiros oito pontos para culpar só o nono.

Estranha ordem de prioridades

Kamov

Foto@Público

Um helicóptero Kamov, um dos meios mais eficazes usado no combate aos fogos florestais, custa qualquer coisa entre os cinco e os seis milhões de euros. Como a informação que encontrei não me esclareceu, vou-lhe dar uma margem generosa e assumir um valor de mercado de 10 milhões de euros. Na sua frota de apenas 47 meios aéreos de combate aos incêndiosPortugal tem seis Kamov mas três estão avariados. Em Abril, o governo garantia serem meios suficientes. Porém, em Agosto, Portugal está a arder. Só na Quarta-feira, foram mobilizados cerca de 6000 bombeiros e mais de 1500 viaturas para fazer frente a 319 fogos florestais. [Read more…]

Indignações selectivas da clique neoliberalóide

JSH

Não é amnésia Jorge. É mesmo aquela cara de pau a que muitos destes tipos já nos habituaram. E não se resume a esta situação, que como o teu post explica, e bem, não melhorou com a extinção dos Serviços Florestais levada a cabo pela clique neoliberalóide de Pedro Passos Coelho.

Mas se vamos falar sobre notícias que poderiam ser capa há um ano atrás e sobre o efeito que teriam, que dizer dos números do desemprego, que no primeiro semestre recuaram para níveis de 2009 e que no trimestre passado desceram para o valor mais baixo dos últimos cinco anos? Quantas capas teriam o Sol, o I ou o Correio da Manha dedicado ao tema e quão inchado estaria o peito dos distintos deputados? E o que dizem eles agora? Nada.  [Read more…]

Portugal a Arder

Assunção Cristas anuncia candidatura à presidência do CDS-PP

Sou uma pessoa de fé. Esperarei que chova
Até lá, institui-se o eucalipto como desígnio nacional.
#PrayForPortugal