Postcards from Greece #65 to #67 (Thessaloniki)

 ‘Yasas’ Salónica, ‘Yasas’ Grécia
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Tenho andado estes últimos 3 dias, desde que cheguei de Corfu, a despedir-me de Salónica. Não de toda a cidade, isso seria impossível, mas de alguns sítios e, sobretudo, da vista da minha varanda, sobre a Agios Dimitrios, a ouvir-lhe os sinos pela última vez, a ver os gatos que costumam deitar-se ao sol nos tijolos e me conhecem já como vizinha, do por do sol sobre o golfo, uma e outra vez, de Ladadika, e, nestes locais, despeço-me também de tudo o que fiz e vivi nestes quase três meses em Salónica e noutras partes da Grécia, sobretudo no norte. 3 meses é muito e pouco tempo em simultâneo e na verdade não vi quase nada. Ausentei-me do meu país e da minha vida de todos os dias e isso faz diferença. É agradável por um tempo. Tenho de convir. Não apenas porque se vive, de facto, noutro lugar. Se tem o nosso café, o nosso supermercado, a nossa livraria, a nossa lavandaria, a nossa paragem de autocarro noutro sítio diferente daquele em que vivemos sempre. Mas também porque deixamos nos lugares onde vivemos um bocado do nosso coração. Em cada pessoa que conhecemos. E a Grécia pode ser um país encantador, com paisagens maravilhosas e tão diferentes umas das outras. Das montanhas, ao mar, das casas de pedra escura às casas brancas das imagens que estamos mais habituados a ver deste país. A Grécia pode ser um país maravilhoso. Mas o que a Grécia tem de melhor, o melhor de tudo na Grécia serão sempre as pessoas.
 

Estas pessoas que mesmo debaixo da mais severa crise económica, são generosas até ao impossível, estas pessoas que resistem mantendo o seu carácter e a sua dignidade mesmo quando ficam sem casa, quando têm que mudar a vida toda, mudar de terra, mudar de profissão, adaptar-se a condições de trabalho completamente diferentes das que antes tinham, ficar sem trabalho, ficar sem nada. Estas pessoas que vão lutando ainda, que se manifestam, que protestam. Vi pessoas muito tristes, aqui em Salónica. Pessoas com o rosto marcado pelo peso das circunstâncias, mas nem por um segundo hesitam se for preciso fazer alguma coisa por outra pessoa. E depois há a ‘filoxenía’, essa extrema simpatia pelos estrangeiros, pelos estranhos. Não a encontrei, assim desta forma, ainda em mais nenhuma parte. Por isso, sim, aquilo de que terei mais saudades, quando daqui a nada aterrar em Lisboa, se tudo correr bem, serão as pessoas. E, talvez, concedo, destes pores do sol infinitos no Golfo de Salónica. Ainda ontem quando o contemplava pela última vez, uma senhora me perguntou de onde era eu. ‘Portogalía’ disse eu. «We are the same», respondeu ela. Sim, somos os mesmos. E eu gosto dessas semelhanças também que, seguramente, atenuarão as saudades que virei a sentir lá mais para a frente, quando a minha vida voltar ao seu ritmo normal.
 
Porque as pessoas são o que a Grécia tem de melhor e porque em quase todas as que conheci melhor encontrei resistentes, de várias maneiras, este último postal vai dedicado a elas. Roula, Maria, Stefanía, Olga, Eleni, Giota, Stefanía, Athanasia, Dimitris, Zoe, Vivi e todos os que entrevistei e me contaram um bocadinho da sua vida e todos os que encontrei nos vários lugares que visitei e falaram comigo um bocado sobre a vida, a crise, o tempo, as cidades, ‘yasas’, Efhvaristó! Fizeram de muitos modos com que não me sentisse uma estranha.
 
Tenho um avião para apanhar daqui a 3 horas. Não durmo hoje, porque não faz sentido que me levante à hora a que normalmente me deito. Amanhã terei tempo para dormir. E agora que vejo nestas últimas horas que passo, ali da minha varanda, a lua sobre a torre da Igreja de Agios Dimitrios, despeço-me de Salónica e da Grécia.
 
‘Yasas’.

Comments

  1. Pedro says:

    Ler a Elisabete é como viajar e estar nos sítios. Portanto, agora vou também sentir saudades da Grécia. Boa viagem de volta para os dois 😊

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