Ao centro

Há uns valentes anos fiz este boneco enquadrado numa série a satirizar os partidos. Estava-se no rescaldo  à despenalização do aborto e o CDS, Partido do Centro Democrático e Social, agora também Partido Popular, comprovou que o “C” era mais de Cristão do que de “Centro”. O partido que foi umas vezes liberal, outras conservador, já foi contra e a favor do euro e da “europa”,  que foi o partido dos pensionistas e o partido do corte das pensões, que já foi, no fundo, toda a coisa e o seu oposto, tem no posicionamento beato o seu real âmago, essa cola que segura a cataventice política que tem sido o seu rumo. Consistentemente, Cristas afirmou neste fim-de-semana que “o meu CDS tem a democracia-cristã no eixo da roda“. Mas que não haja ilusões, se passarmos a ter muitos eleitores judeus, muçulmanos e protestantes, o mais certo é que também esta roda se furará. Entretanto, temos um partido que acumula com congregação religiosa, esse paradoxo no país onde o Estado é laico.

Comments

  1. Bento Caeiro says:

    O Levantar da Crista

    Os altos pensadores – obviamente, aqui não é o caso – e actuadores (será actores?) políticos dirão:
    “Serei tudo o que quiseres se o poder me deres”.

    Precisamente, porque, em e para certas formações políticas, a questão não está na doutrina, mas sim nos fins que se pretendem atingir e, certamente, nos benefícios a obter (a velha máxima, dos fins justificam os meios), para quem as ideologias foram mandadas às malvas(*). Como é o caso do CDS de Cristas.
    Esta, levantando a sua crista, impõe-se aos seus iguais, toma o comando e, cega de emoção, já se vê como rainha do lugar. Para tal, manifesta a sua devoção a uma certa agremiação, mas todos nós sabemos qual é a sua verdadeira vocação; mesmo que para tal – como fez um tal Pedro – tenha de repudiar o Nazareno (o tal que, como suspeitamos, jamais seria cristão) e aliar-se a Satanás.

    (*)
    “Ai Jesus que vou para as malvas /
    Caminhando pelas urtigas /
    Vão os rapazes para a forca /
    Por causa das raparigas.”

  2. Rui Naldinho says:

    O CDS é um partido de quadros. Bases nenhumas. Os 1053 congressistas que estiveram em Lamego e pouco mais. Na melhor das hipóteses terá uma pequena plebe a Norte, que se disponibilizava a apoiá- los de quando em vez. A Sul tem uma representatividade minúscula.
    Tem o mérito de ser um partido jovem, onde a maioria dos seus dirigentes de topo, com exceção de Paulo Portas, agora retirado, não ultrapassarão os cinquenta anos. E isso é bom. O problema é o código genético desta gente. E quanto a isso, meus caros, aquilo cheira a velha senhora. A lengalenga dos avózinhos.
    Como o CDS original foi absorvido pelo PSD e pelo PS, restava ao atual CDS agarrar-se ao que sobra, as causas. Se o centrão dizia carne, eles diziam, só se fôr carnes brancas. Se o centrão dizia peixe, eles diziam, só de mar aberto. Se o PSD dizia leite e manteiga de origem animal, eles diziam só de soja e biológico.
    Com a entrada do CDS na governação anterior, todas essas causas se perderam no argumentário centrista, a favor do neo liberalismo de Passos Coelho.
    E por isso que eu afirmo:
    Hoje os Congressos dos partidos da direita não são mais do que um retiro litúrgico de cânticos e discursos anti geringonça. Ideias nenhumas. Ameaças de inferno, muitas. Aqueles Congressos como os que se faziam no passado, onde PSD e CDS se demarcavam, afirmando as suas diferenças entre si, já há muito que se escapuliram nas areias deste deserto mental em que se tornou a direita.
    Resta-lhes a vinda do Diabo, para os salvar das agruras da Oposição.

    • Jorge Evaristo says:

      Oh Rui, és ceguinho?
      Então ainda não percebeste que o Diabo já manda em Portugal há mais de 2 anos e tem nome de pessoa?

      • ZE LOPES says:

        Deixa-me adivinhar: chama-se…Assunção! Todos os grandes teólogos concordam que, quando o Diabo descer à Terra, virá de saias.

  3. ZE LOPES says:

    “O CDS é um partido de quadros”. É sim senhor, e se houvesse uns mecenas de boa vontade que financiassem uns pregos para os colocar na parede de um museu, o país, com certeza, ficaria muito agradecido.

    Mas há uma novidade: o CDS alargou-se a uns “quadros” locais durante o governo da PaF. O Dr. Lambreta Soares angariou uma certa clientela que pulula aí pelo país todo: a dos dirigentes e quadros das IPSS de todas as proveniências e feitios que salivam por uns dinheiros públicos. O Dr. Soares fez-lhes a vontade, financiando generosamente cantinas e lares e entregando-lhes infantários do Estado, para dar alguns exemplos.

    É certo que, alguns, já se mudaram, porque é gente que vive sempre encostada ao poder. Mas outros vão ficando. O aumento do número de candidaturas e autarcas do CDS por essa “província” fora não foi obra do acaso.

  4. Jorge Evaristo says:

    Apliquemos bem as palavras. Partido Conservador em Portugal há um.
    O PCP que ainda conserva o Marxismo.
    Ah! Mas há outro.
    O BE que conserva o Trotzeqysmo.

    Mas o Marx e o Trotzqy eram revolucionários, quiseram mudar muita coisa no tempo deles.
    Se vivessem hoje certamente tinham outras ideias porque eram revolucionários e não eram parvos.

    • ZE LOPES says:

      Está-se a esquecer das conservas de carneiro e de coelho. Uma pergunta, já que é especialista: foram descontinuadas? Ou levou-as o rio? É pena porque matavam a fome a muito laranjinha!

    • Ernesto says:

      Jorge, estás de calças de ganga, certo? Formal é só aos Domingos, não te esqueças!

      Claro que se for para ires a Stª Comba Dão mudar as flores ao querido líder, tens que ir de fato, seja que dia da semana for!

    • ZE LOPES says:

      Só aqui encontro um erro: a palavra correta é Marquescismo. Aliás, o Trotzqy foi um revolucionário marquescista e o Trotzeqysmo (consrevado pelo BE) não é mais que um desenvolvimento do Marquescismo (consrevado pelo PCP).

      Estão um para o outro assim como a Demorcacia Crista (consrevada pelo CDS) está para a Sucial-Debroncacia (consrevada pelo PSD).

      E sim, é certo que tanto o Marquesce como o Trotzqy foram revolucionários e quiseram mudar muita coisa. Uma delas foram os respetivos apelidos, mas não conseguiram. Infelizmente.

      Se vivessem hoje certamente mudariam estes e mais coisas porque eram revolucionários e não Jorges Evaristos.

  5. Bento Caeiro says:

    Caros, talvez seja um problema de euzinho (como diz um amigo meu), mas eu não conheço organização ou instituição que não seja de quadros, com a sua organização e estrutura, os quais, como tais, caracterizam e determinam as vidas das referidas organizações – aliás, nem os mesmos querem que seja de outra forma. Assim acontece nos partidos, nas empresas, até nas religiões.
    Obviamente que para além dos mesmos – gestores, quadros, bispos e padres (os mandantes) – porque as organizações terão de subsistir e quererão desenvolver-se -, temos aqueles que terão que zelar por elas e manter-las – os militantes, os accionistas, os crentes.
    Obtendo mais êxito as organizações e formações que mais vendem os seus produtos e mais apoiantes – com os seus recursos – consigam para as causas.
    Neste campo, como sabemos, existe muita esperteza e trama – a mais das vezes nascida e desenvolvida sob a forma de ideologias, que suporta as suas mensagens e propaganda. Mesmo que muitas delas já pouco ou nada tenham a ver com as idéias que alegam seguir. Assim estão o CDS, o PSD – que pouco ou nada tem de social-democrata – e o PCP – meramente Estalinista.

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