Ronaldo, Sobral e o nacional-parolismo

Por estes dias, as redes sociais crucificaram o Salvador Sobral, pagador de impostos, por declarações que ele NÃO fez sobre os impostos que o Cristiano Ronaldo não queria pagar, algo que resultou de uma mistura de manipulação de informação, incompetência jornalística e ódio colectivo do rebanho digital, que engole tudo sem questionar. E isto é estúpido por vários motivos. Pela situação em si, pela forma como nos deixamos enganar e, entre outras coisas, pelo ridículo que é o endeusamento do Cristiano, como se só se pudesse falar do homem para o elogiar. É o nacional-parolismo em todo o seu esplendor.

Comments

  1. Carlos Almeida says:

    Boas

    Tem toda a razão.
    Como não tenho nenhuma conta nessa praga colectiva que mencionou, não sei o que os parolos disseram, mas julgo que os totós do “fakebook” e de outro lixo digital, se atiraram ao Salvador por ele ter feito outras declarações pessoais corajosas.

    Antigamente havia os balões para os parolos verem, agora estão proibidos, que é que essa malta há de fazer ?

  2. Paulo Marques says:

    Eu chamava-lhe antes o nacional provicianismo, mas isso são gostos.

  3. Rui Naldinho says:

    O problema do Salvador Sobral é não ser de direita. Um espécime politicamente desalinhado, mais até do reviralho. Fosse ele um acérrimo defensor da Coelhada, “dos Pedros ou dos Jorges”, e outros da mesma estirpe, e já era um gajo com os tomates do no sítio.
    Eu gosto do Ronaldo, como gosto do Salcador Sobral, e sei que ambos pagam os seus impostos contrariados, tal como eu. Só de pensar que há gajos que pagam os impostos por prazer, já me deixam preocupado. Alguém me está a querer **der!
    Lembro-me logo do moralismo e da falsa ética republicana dos nossos políticos, Cavacos, Cadilhes, Vitorinos, que permutam casas por casinhas para fugir às mais valias e ao IMI. E se fosse só isto, ia o país menos mal. O pior é o resto.

    • Bento Caeiro says:

      Eu já suspeitava de muita coisa – preconceito e parcialidade a quanto obrigas -, mas essa de confundir e meter no mesmo saco, o pagar os impostos contrariado com a fuga deliberada e preparada aos impostos, recorrendo a esquemas fraudulentos, só lembra, como é óbvio a quem a todo o custo, para desculpar uma grande falha de alguém, arranja argumentos para a diluir por muitos.
      É como o salpico da trampa que atinge um grupo de indivíduos: por mais pequeno que seja, todos a têm; mesmo que apenas um esteja quase todo coberto de merda.

    • Paulo Marques says:

      “Só de pensar que há gajos que pagam os impostos por prazer, já me deixam preocupado. ”

      Alguém que goste de viver numa sociedade moderna devia gostar de pagar impostos. O que é diferente de pagar impostos tão como estão estruturados, mas isso é outra conversa.

  4. Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

    Pois…
    Mas penso que esta questão provinciana vai muito para além do que ele não disse.
    É que se o dissesse, dizia muito bem.
    O portuguezinho habituou-se a duas figuras: a vaca sagrada, intocável e ao xico-esperto que vigariza até não mais poder mas que ele acha uma pessoa inteligente. Pensar de um modo objectivo e racional dá trabalho.
    Os impostos, concordemos ou não com eles, são uma obrigação de cidadania. Logo todos devem pagá-los sob pena de estarem acima da lei. Logo, vacas sagradas ou bois sagrados não deveriam fugir à regra. Os xico-espertos, deveriam ir dentro, simplesmente.
    Esta é a conclusão objectiva de quem vive num estado de direito.
    E concluo: se Salvador Sobral tivesse feito a afirmação, teria os seus impostos em dia, tal como eu e portanto, teria autoridade moral para dizer o que quisesse, desde que não maltratasse ninguém, seja ele boi ou vaca sagrada …

  5. Bento Caeiro says:

    Eu já suspeitava de muita coisa – preconceito e parcialidade a quanto obrigas -, mas essa de confundir e meter no mesmo saco, o pagar os impostos contrariado com a fuga deliberada e preparada aos impostos, recorrendo a esquemas fraudulentos, só lembra, como é óbvio a quem a todo o custo, para desculpar uma grande falha de alguém, arranja argumentos para a diluir por muitos.
    É como o salpico da trampa que atinge um grupo de indivíduos: por mais pequeno que seja, todos a têm; mesmo que apenas um esteja quase todo coberto de merda.

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  1. […] de nacional-parolismos: uma coisa é a marcação cerrada feita pelo entulho cor-de-rosa, que é capaz de dedicar páginas […]

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