Os exames

Eu sei que tem havido fogos, mas que se saiba, o Ministério da Educação não andou a fazer de bombeiro. 

Quando é que é anulado o exame de português, no qual alguns alunos ficaram em vantagem devido a uma fuga de informação? 

E que tal o IAVE, sempre o IAVE, deixar de fazer de sonso quanto ao erro na correcção proposta para o exame de matemática?

Num governo de reversões, era bom deixar de repetir tiques de anteriores governos. 

Ratos de laboratório

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O que mais choca no relatório não é a assunção dos erros, é perceber a descontração com que se fizeram experiências com as vidas pessoas, como se decidiu verificar como uma comunidade reagiria a um plano revolucionário nunca testado, como se decidiu friamente perceber se nós aguentávamos, como nos trataram como meras cobaias ao serviço de uns senhores que nunca tinham testado uma fórmula e que encontraram os ratinhos certos: obedientes, submissos e a sentir-se culpados (alguém os tratou de convencer) porque tinham feito muitas maldades, plasmas, viagens, carros fantásticos e por aí fora.

O artigo completo do Pedro Marques Lopes, Desculpem qualquer coisinha, recomenda-se e está disponível no DN. Aficionados da austeridade cega devem consultar o seu médico antes de iniciar a leitura.

Foto via Huffington Post

Acordo pornográfico?

Nem o JN escapa.

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Os telhados de vidro ortográfico do Blasfémias

Espero, por estes dias, escrever mais demoradamente sobre a divulgação dos erros ortográficos cometidos por alguns professores que realizaram a chamada prova de avaliação de conhecimentos e de capacidades (PACC).

O inestimável Vítor Cunha já veio regurgitar a sua opinião. Ainda e sempre intoxicado por um cocktail em que estão misturados anticomunismo primário, ódio à administração pública e ignorância atrevida, é natural que seja incapaz de raciocinar ou de sentir empatia. Só isso explica que cometa a deselegância de chamar “proto-candidatos” a cidadãos com habilitação para dar aulas.

Não quero transformar esta questão dos erros ortográficos da PACC numa espécie de “quem diz é quem é”, mas, ainda assim, apetece-me relembrar o texto em que José Manuel Fernandes utilizou o particípio “fazido”.

O próprio Vítor Cunha, curiosamente, recorre ao neologismo “protocandidato” impondo-lhe um hífen contrário às regras, como poderia descobrir em qualquer prontuário.

Homem português chega por engano a primeiro-ministro

Mulher belga conduz por erro até à Croácia

Passos Coelho está cada vez mais próximo do PS

Seguro diz que Passos não aprende com erros

Continuam as trapalhadas, ilegalidades e imbecilidades nos concursos de professores

Admito, caro leitor, que começa a ser um exagero esta coisa dos concursos de Professores. Mas é tão estranho o momento, que só os dedos nas teclas permitem alguma paz.

No dia 31 o Ministério colocou uns milhares de professores. Sabemos agora que cerca de 1500 estão mal colocados! Há escolas com professores a dobrar, docentes colocados em escolas a centenas de quilómetros da que seria a sua justa colocação e até há um professor aposentado colocado em Braga.

Há de tudo, como na farmácia.

Para ajudar à festa, o MEC resolveu obrigar algumas escolas a desenvolverem um concurso interno (ofertas de escola) para os lugares ainda em falta – a confusão estalou, cresceu e agora chegou a indicação do MEC: tudo suspenso até ordens em contrário.

Já não chegava a vergonha que foi o tratamento aos docentes dos quadros durante o verão.

Já não era suficiente os mais de quarenta mil desempregados.

Ainda era preciso isto!

O que diria o comentador Nuno Crato no Plano Inclinado?