Quando li o título, até pensei que fosse sobre o financiamento partidário

PSD quer transparência sobre donativos

Afinal, é só chicana política quanto aos donativos para os incêndios do Verão passado. Não me interpretem mal, tenho o maior interesse em termos os autarcas a prestar contas, agora ainda mais, face ao regabofe que aí vem. Mas boa ideia, até para dar o exemplo, seria primeiro começarem pela própria casa, em vez de virem para a comunicação social fazerem o número.

Ao que o PÚBLICO apurou, a operação, que recebeu o nome de Tutti-Frutti, centra-se sobretudo num conjunto de suspeitos ligados ao PSD desde os tempos da JSD. Este grupo terá escolhido pessoas da sua confiança para integrarem as listas candidatas às eleições autárquicas de Outubro passado em vários municípios, tendo entrado em negociações com responsáveis do Partido Socialista sobre a composição dos órgãos municipais eleitos. E conseguiram que empresas suas ou as pessoas da sua confiança vendessem serviços a estas autarquias, através de avenças mas também por via da adjudicação de contratos públicos. [Público, 27/06/2018]

O que o secretário-geral do PSD, José Silvano, veio dizer é que os “factos” em investigação são “anteriores à eleição deste líder e desta [da sua ]direcção” e a que quer o “presidente do partido” quer ele não têm “medo de nada [d]isto”, que é como quem diz que, havendo falcatrua, foram os outros. O que Sua Ex.ª o Sr. Secretário-Geral do PSD faz de conta não perceber é que a direcção de qualquer organização presta contas pelos actos presentes e passados. O que não é aceitável é sacudir a água do capote como se nada tivesse a ver com o assunto.

Uma nota final sobre esta operação Tutti-Frutti (os nomes que esta gente inventa!). Temos assistido durante décadas à constituição de cadernos eleitorais com base em compadrio, em vez de em competência, traduzindo-se em abundantes notícias sobre os “negócios” da nossa praça. A grande questão é porque é que foram precisas décadas para o Ministério Público mexer uma palha, como ultimamente parece acontecer.

Comments

  1. Rui Naldinho says:

    Este tipo de discurso do atual PSD, que renega o anterior, o futuro renegará este, concerteza, e assim sucessivamente,… faz-me lembrar a campanha eleitoral para a reeleição de Cavaco Silva, quando questionado sobre os seus velhos amigos de peito, ex ministros e secretários de estado que acabaram gestores e donos de Bancos, parece-me que também geriam parte das suas poupanças, em relação às fraudes e falências como a do BPN, em que o Sr. Silva terá respondido:
    “Já nem os filhos controlamos a partir de certa altura, quanto mais os amigos!”
    Ou seja, no PSD não há corruptos. Há sim, nos ex PSD’s, que pelos vistos são uma coisa distinta do PSD em vigor.
    Se o PS adota também esta tática, estamos tramados.
    Sócrates ainda volta ao PSD, as suas origens, e o PSD dirá, que o Sócrates laranja nada tem a ver com o Sócrates rosa, uma vez que se Sócrates foi corrupto, foi no PS e não no PSD.

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  1. […] por membros do actual executivo, sendo que a anulação ocorreu no início do primeiro mandato. Mas o jornal Público escreve, na sua edição de 27 de Junho, que a operação, que recebeu o nome de Tutti-Frutti, centra-se […]

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