Educação, novo ano, velhos problemas…

À medida que se aproxima o início do ano lectivo, muitos encarregados de educação procuram conseguir o melhor para os seus filhos, o que sendo totalmente legítimo e compreensível, deixa de o ser pelo recurso a estratagemas para conseguir matricular os filhos na melhor escola pública que conseguirem. O problema é mesmo esse, se tivéssemos um ensino maioritariamente privado, seria uma questão de escolha, preços definidos numa lógica de oferta e procura e nada haveria a dizer. Mas o sistema seria contestado, porque ainda que existissem algumas bolsas de estudo nas melhores instituições, ou cheque-ensino para alunos economicamente menos favorecidos, não deixaria de beneficiar maioritariamente as famílias de maiores rendimentos, porque mais facilmente pagariam o acesso às melhores escolas.

Ora não é isso que temos em Portugal. Existe uma escola pública, inclusiva, que não quer deixar ninguém para trás. E quando se quer dar tudo a todos, normalmente a oferta é pífia, aliás um dos graves problemas no socialismo foi sempre prometer igualdade, mas nunca conseguiu riqueza para todos, é sempre pobreza e miséria generalizada, como se vê na Venezuela. Mas voltemos à escola pública portuguesa, se algum estabelecimento de ensino colocar todos os alunos problemáticos numa turma, cai o Carmo e a Trindade, porque não pode ser, está a excluir. Imagine-se então o que seria escolher uma escola para receber várias turmas com alunos que não querem aprender, que apenas vão à escola por serem obrigados. Não, a dita escola inclusiva, gratuita porque a Constituição garante o direito à educação, acredita que é possível oferecer um ensino de qualidade e que os alunos acabarão por ficar gratos e acabarão por procurar aprender.
Se perguntarmos a cada uma das pessoas, todas dirão ser contra as discriminações, todas querem garantir direitos, mas querem os filhos na melhor escola da região. Mesmo os que anualmente apontam o dedo aos rankings, como se fossem estes o problema. Sejamos sérios, quem pode ficar satisfeito sabendo que alunos, colegas na mesma sala de aula dos filhos, insultam professores? Que encarregado de educação assistirá impávido e sereno a relatos dos filhos, sobre agressões, insultos e não raramente roubos nos recreios? E que acabam em agressões de familiares aos professores ou auxiliares da escola, porque tentaram intervir… Quem no seu perfeito juízo não procuraria outra escola para matricular os filhos? Porque se algo poderemos todos ter certeza, é que irão continuar agressões, roubos e até tráfico e consumo de droga no secundário, tal como vão existir alunos que não querem aprender, mas pior, impedem a aprendizagem dos colegas. E desgastam os professores. Porque o desgaste que um professor que atura este tipo de gente, é infinitamente maior que um professor que ensina uma turma disposta a aprender.
Não tenho respostas ou soluções para este problema, mas é necessário reflectir, porque até aqui se tem fechado os olhos, quem consegue, via familiares ou conhecidos lá vai conseguindo encontrar colocação, outros têm mesmo que recorrer ao ensino privado, ou mudar de casa, porque é insuportável e intolerável conviver com quem tem comportamentos indignos, por vezes mais perto de animais do que pessoas, mas que a escola tem que continuar a albergar, apenas porque sim, já que falta coragem política para enfrentar este tipo de situações.

Comments

  1. Paulo Marques says:

    Esta coisa de acabar com o analfabetismo foi um disparate, portanto, um gajo já não destinge a classe superior da ralé. Uma pouca vergonha que os põe a fazer manifestações e a votar, que mundo este.

    • António de Almeida says:

      Não, acabar com o analfabetismo não foi disparate. Mas aceita os seus filhos numa turma problemática? Assim tipo com uns 10 colegas desses que não querem aprender e não têm pudor algum em insultar o professor? E se o professor os meter na ordem, é bem capaz de aturar a escumalha da família, sim, digo escumalha, palavra que aplico a gente sem princípios ou escrúpulos. E se roubarem um livro ou dinheiro ao seu filho, civilizadamente vai pedir explicações ao encarregado de educação do agressor? Seja sincero na resposta…

      • Paulo Marques says:

        Se eu admito? Bem, eu não quero filhos, por isso tanto me faz…
        Mas ter 10 colegas que não querem aprender foi coisa que toda a gente que conheço da minha idade passou, por isso não estou a ver o escândalo.
        Já a falta de autoridade dos professores, o primeiro a fazê-lo e a dar indicações para isso hoje em dia é o estado a favor das escolas privadas e de Berlim, não é uma inevitabilidade da escola pública, porque não era assim.

      • Mónica says:

        E se os seus filhos forem os problemáticos António Almeida?

  2. ZE LOPES says:

    Volta o paleio de café. Ou melhor, de tasca à hora do fecho,

    Afinal o que é que a escola tem a ver com agressões e etc.? Os roubos e agressões não fazem parte do ADN de qualquer escola. São casos de polícia.

    Não acontece o mesmo com as agressões de Alcochete e as malinhas para comprar jeitinhos nos campeonatos de Andebol?

    Mais uma vez não perdeu a oportunidade de apontar de forma desonesta a Venezuela como exemplo de socialismo. Uma questão: afinal, países que nunca passaram por nenhum “socialismo” como as Honduras, a Nicarágua, a Guatemala, o Uruguai, o Chile (onde foi imposto o “liberalismo” através de uma…ditadura!) e o atual Brasil, estarão muito melhor?

    Já agora: o que tem V. Exa. contra o consumo de drogas? mais uma vez parece que a sanha liberteira fica-se pela reivindicação da liberdade de fujir ao fisco e a de escolher a dedo, mais que a escola, os colegas dos filhos de entre os da mesma condição social.

    Se não for possível, resta ser coerente com a sua ideologia liberteira e reivindicar o direito a enviar os alunos armados para a escola, defendendo o mesmo para professores, funcionários, etc.. Sim, porque os tais “escumalhos” certamente irão aproveitar a sua liberdade de andar armados, como é compreensível.

    Como diria o Almeidá Français “la societé libertaire est belle, les hommes est que donne cap d’elle”

Deixar uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.