Portugal no seu pior

Há quem tenha ficado surpreendido com os esquemas de favorecimento por parte dos autarcas a familiares e amigos, quanto ao tratamento prioritário recebido na reconstrução das casas destruídas pelo incêndio em Pedrógão. As coisas são o que são, a cunha, o favor, estão enraizados na sociedade portuguesa, seja para perdoar uma multa, conseguir um emprego ou receber um subsídio. Isto tem a mesma lógica do tal dirigente partidário que tem uma dezena de familiares a trabalhar na função pública. E pior, poucos se escandalizam e raramente existem consequências resultantes de tamanha promiscuidade. Poucos acreditam em coincidências, mas quase todos assobiam para o lado.
Os anos da troika foram uma oportunidade perdida para diminuir o número de municípios, timidamente diminuiu-se o número de freguesias, porque é sempre mais fácil cortar na arraia miúda para continuar a pagar aos caciques. Mas até isso já querem reverter, porque apesar dos números apontarem que o desemprego está a diminuir, alguns boys ainda aguardam colocação.

Comments


  1. Convém mesmo reverter. É que, cortaram-se freguesias a régua e esquadro, e depois, no final, ainda ficou mais caro do que se não se tivesse cortado nada! É que se a ideia era cortar nas “gorduras” foi um tiro no pé.
    Quem vive nas aldeias, como eu, ficou sem freguesia, mas no final, em vez de se poupar dinheiro, não, ficou ainda mais caro! Obrigado doutor Relvas.

    • Carlos Almeida says:

      Boas Konigvs

      Quem fala destas coisas do púlpito de Lisboa, Porto, Coimbra, Faro e ondas curtas em 47 metros, faria bem se antes de falar, conhecesse o interior do País e visitasse as aldeias.
      Ir ao norte, não é visitar a cidade do Porto ou Braga ou Viseu. Ir ao Norte não é visitar as Vilas de Sátão, Armamar, Vimioso, Penedono ou Sernancelhe, etc etc. Ir ao norte é ir ao interior norte e visitar no Alto Douro as aldeias de Valongo dos Azeites ou Vilarouco em S. João da Pesqueira, Beselga ou Antas em Penedono e Uva ou Campo de Víboras em Vimioso. Ir ao norte ou ao Sul ou à Beira é visitar, conhecer as aldeias, falar com as pessoas e dos seus problemas.
      E se forem la e falarem com as pessoas, elas dizem aos eminentes “postistas” que estão a falar de cátedra e a não dizer nada e que depois da chamada “revolução autárquica” promovida pelo sr Dr Relvas para seu próprio benefício, nada de bom ficou, antes pelo contrario. Falo porque conheço bem a área das autarquias do interior norte e centro.
      Falando nas freguesias rurais do norte/centro com pessoas de vários quadrantes políticos, mas na grande maioria ligadas ao PSD, todas elas informam que para as freguesias rurais, o que foi feito foi uma aberração e trouxe mais prejuízo que benefício.
      Mesmo os do partido do Sr Dr Relvas, são muito críticos.
      O Sr Dr Relvas, só se meteu com as freguesias pois a parte mais importante que eram os concelhos, esqueceu-se ou não era politicamente correcto.
      Alias essa gente do PSD, que não tem nada a ver com a Social Democracia, nem na sua génese nem na sua base social, mudaram o seu nome de PPD (Partido Popular Democrático), nome instituído por um politico sério e não demagógico (Sá Carneiro) para o nome ambíguo que agora ostentam. Depois dá as confusões do Lopes do Lápis e do Lápis do Lopes. Mas isso dava para 400 paginas A4.
      Se calhar agora, como o PPD/PSD não tem mais nada onde se agarrar como se tem visto, entram na campanha de que o post original é um reflexo.

  2. António de Almeida says:

    Quando escrevo que deveríamos reduzir o número de pessoas no Estado, muitas vezes perguntam se quero diminuir o número de médicos ou professores. Porque nada se faz num dia, antes disso começaria por cortar em boys. É olhar para outros países e ver se devemos continuar a ter freguesias com 100 eleitores ou menos, ou municípios mais pequenos que freguesias médias. Não digo que tenha que ser feito a régua e esquadro ou que não tenham sido cometidos erros, pode ter existido chico-esperteza para ganhos eleitorais com contas de mercearia. Mas que não fazia sentido algum mais de 50 freguesias em Lisboa, isso digo-lhe já que não.


    • Não vivo e não conheço a realidade de Lisboa.
      Mas o que eu sei por experiência própria, é que a única ligação que as pessoas têm com o “Estado”, essa figura quase mitológica, é na sua Junta de Freguesia. E cortar freguesias tal como fechar tribunais e hospitais não foi cortar gorduras, foi colocar Portugal no tempo da ditadura.

      Mas é curioso falar nisso. Que todos os dias no trabalho também ouço alguém a clamar por menos funcionários públicos. Ironicamente depois é o primeiro a dizer “vêem, olhem o caos na Saúde por falta de médicos e enfermeiros”. É a coerência da batata.

      • António de Almeida says:

        O Estado, essa figura quase mitológica como diz, precisa da junta de freguesia como antes da casa do povo. Resquícios do passado. Preferia centros de poder de maior dimensão, como municípios , diminuindo-os em número, mas aumentando a eficácia. E descentralizando competências, instituições, por forma a combater a desertificação. O centralismo de Lisboa, já descrito nos tempos do Eça, tem sido um dos grandes problemas do país.

  3. Rui Naldinho says:

    E no caso de Pedrogão, a confirmarem-se as suspeitas, o engraçado disto tudo, se é que tem alguma graça, é que o dito autarca foi no mandato anterior Presidente do Munincípio pelo PSD, e atualmente está em funções pelo PS. Digamos que estamos perante o “autarca modelo”. Aquele que pratica tal como os bois das zonas montanhosas, a transumância. Ora, “um boy não passa de um boi sem cornos, salvo seja, pastando onde houver erva fresca”.
    Mas, para ser isento, até porque para mim eles são todos farinha do mesmo saco, depois de ver aquela meia brasileira meia tuga a aderir ao CDS, representando-se líder das vítimas de Pedrogão, a senhora apesar de sofrida pela morte de um filho, deveria ter mais juízo, quanto mais não fosse por respeito para com tamanha perda e dor, pôs-se a jeito deixando-se instrumentalizar, coisa aliás, que o comum brasileiro, adora.
    Ou seja, Pedrogão e Companhia estão bem entregues.
    “As vítimas que se **dam! “

    • António de Almeida says:

      Enquanto não exigirmos demissões e consequências penais neste tipo de situações, não iremos longe enquanto país.

  4. JgMenos says:

    É por isso mesmo que se diz que antes das eleições vão desfundir freguesias – mais tachos para os boys mais poder para os caciques,

  5. Carlos Almeida says:

    Estava a ver que o Mister de Somenos não regurgitava tão sapiente post.
    Chama-se a isso chover no molhado.
    Isso já tinha dito o sr Dr “mija relvas”, a defender a sua brilhante burrada.
    Mas ter um repetidor no Aventar, ainda por cima com a categoria do Sr JgMenos, não é para todos

  6. Paulo Marques says:

    O argumento dado como resposta diz tudo sobre o real problema: isso não interessa nada, desde que o dinheiro fique na terrinha. Lembra alguma coisa sobre fundos europeus? O princípio é mesmo, o dinheiro não dá para tudo e quem pode que falcatrue pelo que há. E, claro, a culpa é sempre do outro que lhe disse para preencher o formulário, toda a gente faz assim, só estão a cumprir ordens, etc.
    O verdadeiro problema é que não está em causa a falta de capacidade para recuperar tudo o que foi perdido, seja a primeira ou segunda casa (moralmente, desde que perdida no incêndio), é que esta está artificialmente limitada por o que nada independente BCE decide.

    Não fosse o estado e nem se discutia as cavernas que restavam como opção aos habitantes, nem se discutia o quinto ou sexto iate de luxo que a caridadezinha comprava com o dinheiro.

  7. António de Almeida says:

    Os fundos europeus foram um maná para políticos e amigos…

  8. JgMenos says:

    A imbecilidade indígena nunca se questiona quanto à sua incompetência.
    Põe as culpas na UE e vai comendo uns Fundos Europeus e um empréstimos a juros bonificados com ar de enjoo, como quem faz um favor.

    E aplaudem-se na sua imbecilidade gratificada!

    • ZE LOPES says:

      É sempre comovente ler uma autocrítica como esta! isto é fruto de uma vivência existencial extraordinária! Este Menos é poeta, mas não um poeta qualquer, um “poéte maudit”, ele é que não sabe!

    • Paulo Marques says:

      Incompetência de quê? O Coelho é que falhou todas as metas a que se propôs, o economista que eu sigo recentemente acertou em todas.
      Mas ainda acha que as empresas criam dinheiro, que é que se há-de fazer.

      • Carlos Almeida says:

        Caro Paulo

        Isso é estar a gastar cera com ruim defunto.
        Como dizia o outro. Não há pachorra… !

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