A maioria parlamentar e o salário mínimo

O adjectivo “mínimo”, numa expressão como “salário mínimo”, deveria servir para classificar um montante que permitisse a quem o recebe um mínimo de dignidade. Na realidade, tendo em conta o custo de vida em Portugal, sabemos que isso não é verdade.

Há dois dias, o arco da governação chumbou uma recomendação do PCP para que o ordenado mínimo passasse para 650 euros. As razões apontadas por esta gente, para quem país e cidadãos são compartimentos estanques, correspondem a jogos florentinos de quem está sempre do lado dos mais fortes.

O CDS, fiel à voz do dono, criticou a proposta do PCP, considerando que se trata de uma “prova de vida”, o que é sempre muito fofo da parte de um partido que se lembra de pensionistas e de agricultores em anos de eleições.

Pergunto-me o que leva as vítimas de sucessivos assaltos a dar maioria absoluta aos assaltantes, essa sim, uma geringonça com mais de quarenta anos.

Comments

  1. Paulo Marques says:

    Chama-se terceira via.

  2. Billy w. says:

    Importante não é o salário mínimo, mas o salário médio, que não vai lá por decreto.


  3. Enquanto isso os “CEO” em três anos, aumentam o seu próprio salário em 40%.
    – Aumentar o salário mínimo numas migalhas? Nem pensar que isso é muito mau e vem já aí o Diabo.
    – Ganhar milhões e ainda aumentar 40%? Espetacular!


  4. Já ganhei o dia. Grato por tal, claro. Pois gostei muito desta : ” (…) As razões apontadas por esta gente, para quem país e cidadãos são compartimentos estanques (…)”. Entretanto a pergunta final, deixou-me outra vez derrotado.

  5. Anonimus says:

    O arco governativo não é PS, pcp e be?
    Afinal quem governa?

    É bem melhor manter o salário miserav… mínimo baixinho, e desviar parte dos salários dos que ganham bem (tipo 900€, 1000€) para a “solidariedade”, tarifa social, passes, isenções, etc. Os patrões não se chateiam, o governo redistribui a riqueza, todos ganham.

  6. JgMenos says:

    O custo do salário mínimo nunca é a treta da miséria que proclamam.
    Para 650 o custo de cada mês de trabalho é 990 euros, uma insignificância nesta economia pujante de produtividade e de futuro!

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