A pornográfica nacionalização da EDP Distribuição pelo Estado chinês

No mundo observador de Passos e sus muchachos, onde a «convicção de que os “privados gerem melhor que o Estado”» é todo um programa político, a EDP foi vendida aos chineses não apenas porque faltava dinheiro, mas também, ou sobretudo, até, porque a convicção de que os privados gerem melhor que o Estado é um programa político por si mesmo.

Portanto, os imensos milhões de lucro gerados pelo gestor de topo António Mexia, desses que gerem melhor do que o Estado, estão a resolver num ápice os problemas causados pela tempestade Leslie sobretudo em um distrito, certo?

Errado.

A EDP Distribuição está ainda a contabilizar os danos que a tempestade Leslie provocou na rede elétrica na região Centro do país e o alcance dos prejuízos, mas uma coisa é certa: à luz dos regulamentos do sector elétrico, estes danos devem ser pagos pelos consumidores. [Expresso]

O Exército, através da Proteção Civil, acaba de ser mobilizado para ajudar a EDP Distribuição a repor o abastecimento de eletricidade nas 100 mil habitações do distrito de Coimbra que ainda não têm energia por causa do furacão Leslie. [Expresso]

Além de recorrer a meios públicos, que não vai pagar, a EDP Distribuição ainda tem a ajuda da propagada para preparar a apresentação da factura aos consumidores. Assim, não fica difícil gerar lucros milionários e gerir melhor do que bla bla bla.

Estas coisas não acontecem por acaso, no entanto. E têm rosto. Peçam-se contas, por isso, ao ex-ministro da economia, Álvaro Santos Pereira, e ao seu ex-secretário de estado da energia, Henrique Gomes, pela rica merda que fizeram ao terem entregue a nacionalização desta empresa ao Estado chinês, sem que o interesse nacional estivesse salvaguardado.

Assinatura da venda da EDP à China Three Gorges

Nota: a propósito de Henrique Gomes e da EDP, é de ler esta muito esclarecedora entrevista ao Jornal Económico, em Junho de 2017.

Comments

  1. JgMenos says:

    Do regulamento nada?
    Já lá estava quando a EDP foi vendida?
    A venda foi um concurso público?
    Treteiro não se lembra do ministro de Sócrates…

    • j. manuel cordeiro says:

      E antes do Sócrates? E antes do Durão? E antes do Guterres? Podíamos ficar até chegar aos visigodos, que já deviam andar a olhar para as descargas eléctricas das trovoadas. No entanto, seria uma forma de desculpabilizar quem teve oportunidade (e dever ) de mudar e não o fez. Por isso vá dar banho ao cão com essa conversa da treta.

    • ZE LOPES says:

      Bem…Estamos a falar de pornografia, não estamos? Concretamente a que filme se refere? Está a querer dizer que aquela cena do Catroga agarrado ao chinês já vinha de episódios anteriores? Seja mais preciso Menos. O país agradece!

  2. JgMenos says:

    Vai continuar o filme de catar as empresas energéticas.
    Nada melhor do que pôr o Galamba no caso para a par do saque dar espetáculo de maus modos e má educação.
    Quanto a impostos, são todos muito precisos para alimentar as mamas tutelares.
    Interessante seguir este caso…

    • j. manuel cordeiro says:

      Transcrevendo o que disse o ex-secretário de estado da energia do anterior governo, Henrique Gomes:

      «Entretanto realizou-se a privatização…

      Sim, depois houve o interregno da privatização e entrámos numa segunda fase em que tínhamos de negociar. Ou seja, não podíamos fazer nada unilateralmente. Como é que se negoceia? Tínhamos o relatório que identificava as rendas excessivas e eu preparei uma equipa negocial. Na negociação, para não ser enrolado e fazer uma negociação forte, a minha tática foi divulgar os dados das rendas excessivas. Publicamente. Isso comprometia-me a mim e ao Governo com a eliminação dessas rendas. Tínhamos um alvo a atingir.

      O alvo ripostou?

      Sim, ao ponto de eu, secretário de Estado da Energia, ter sido proibido de falar nas rendas excessivas. Nem de valores, nem nada. Tinha sido convidado para ir a uma sessão comemorativa do aniversário do ISEG e nesse dia de manhã havia um Conselho de Ministros excecional. O ministro Santos Pereira telefonou-me a dizer que não podia fazer aquele discurso sobre as rendas excessivas, tinha que fazer outro. Eu recusei e apresentei a demissão. Portanto, há duas abordagens perfeitamente distintas, antes e depois da privatização. Convidaram-me para o Governo porque diziam que se tratava de um setor dominado pelos “lobbies” e eu era independente e poderia fazer o que era necessário. Afinal, os “lobbies” eram mais fortes e venceram.»

      Daqui: https://jornaleconomico.sapo.pt/noticias/henrique-gomes-quando-olhei-para-os-cmec-achei-que-eram-maus-demais-169433

      Resumindo: O governo de Passos Coelho decidiu nada mudar. Portanto, vá dar banho ao cão com essa conversa.

      • JgMenos says:

        Primeiro vende-se pelo preço de rendas excessivas e logo a seguir corta-se nas rendas.

        Vá assaltar prá estrada!

        • ZE LOPES says:

          Alto ái! Cortar nas rendas é que não! Uns rendados, assim “a tapar mas pouco” ficam sempre bem neste tipo de filmes. Para aguçar a curiosidade entre os momentos “de ação”. Lá nisso, ó Menos, V. Exa. tem toda a razão. Não se pode prometer que há rendas e depois corta-se sem mais nem menos! Nem dá vontade de ver!

    • ZE LOPES says:

      Bem, o filme parece mesmo pornográfico, até porque há mamas e tudo, mas…o que é isso de catar energéticas? Nunca vi, mas calculo. Será arrebanhar gajas que andam a correr que nem umas doidas? Ah! Deve ser interessante! Espero é que, de repente, não voltem o catroga e o chinês. Por favor avise! Se for assim, já não estou interessado!

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