No Meu Bule Não

Famílias de sem-terra que produzem café orgânico, são ameaçadas por latifundiários no Brasil

Quilombo Campo Grande, que reúne 450 famílias sem-terra no município de Campo do Meio, localizado no sul de Minas Gerais possui quase 4 mil hectares de terra e conta com 11 acampamentos organizados na área sendo 550 hectares de café já plantado e sendo produzido. No ano de 2018 tiveram uma produção em torno de 8500 sacas de café.

Apesar de ocuparem o terreno há mais de 20 anos e da grande produção agroecológica, no início de novembro, uma liminar de despejo foi aprovada pelo juiz Walter Zwicker Esbaille Júnior a pedido da bancada ruralista e latifundiários da região, que não aceitaram o acordo firmado há alguns meses para legalizar as terras do Quilombo. Se a decisão for confirmada, após esgotamento dos recursos, as famílias têm sete dias para deixar o local.

O despejo afetaria diretamente mais de duas mil pessoas. As famílias também desenvolvem atividades como plantio de cereais, milho, hortaliças e frutas. Anualmente, o acampamento planta em média 600 hectares. Em relação aos animais, são criados 1200 bovinos, além de dezenas de porcos e galinhas.

Uma campanha independente no Facebook, intitulada “No Meu Bule Não“, foi lançada neste mês para conscientizar a população sobre o despejo de 450 famílias do Quilombo Campo Grande, em Minas Gerais, por interesses ligados à grande indústria do café.

 

 

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Escravos trabalham em uma plantação de café no Brasil                                                                  The New York Public Library Image caption

Trata-se de mais um capitulo na extensa e injusta luta pelo direito a terra num pais continental e cujos habitantes, sobretudo os descendentes dos escravizados e povos tradicionais, foram alijados de possuírem qualquer terra. Um artigo bem produzida pela repórter BBC Brasil versa como a Abolição da escravidão em 1888 foi votada pela elite evitando a reforma agrária.

Fonte: Brasil de Fato, BBC

Comments

  1. Rui Naldinho says:

    Bom texto, Sotero.
    Nunca tive dúvidas de qualquer espécie. O Brasil colonial “ainda está todo lá”. Tal como cá, não faltam resquícios, desse tempo. O que não faltam por aí são ganhões.
    Daqui a pouco temos a Lucinha Pizarro e a Maria Teresa a dizer que é tudo mentira, porque elas até tomam café Delta ou pastilhas da Nespresso.


  2. Assustador é este agora Brasil colonial dos coronéis bolsonaros que vai ficar ainda mais assanhado contra estas famílias de sem-terra que produzem café orgânico sendo que apoiam os latifundiários que os ameaçam, ainda os crimes lesa direitos humanos e ambiente e planeta sustentável que daí advirá , o que está acontecendo desde há muito e agora, e ainda e mais será :

    https://www.jn.pt/mundo/interior/greenpeace-denuncia-projetos-apoiados-por-bolsonaro-que-ameacam-a-amazonia-10230861.html

    …quanto ás licinhas /tristeresas perigosamente indiferentes e inconscientes , …devem estar ocupadíssimas a fazer os preparativos e penteados para irem ao grandioso réveillon que está a ser preparado na tomada de posse do seu herói…..e era bem aconselhável que se ficassem por lá naquele paraíso que quando for inferno a ver se regressam com as viseiras levantadas e nós por cá com boavontade ( ou não ) de as recebermos……: (

  3. JgMenos says:

    «… foram alijados de possuírem qualquer terra»

    Ora explica lá esse ‘alijamento’ Sotero.
    E quais foram as razões do tal juíz?

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