Já pensaram num spin-off entre PPD e PSD?

A presente legislatura abriu um precedente na vida política portuguesa, não é necessário vencer eleições para formar governo, passou sim a ser fundamental conseguir obter uma viabilização maioritária no parlamento. Caiu por terra a teoria que para ser governado, o país precisa dois grandes partidos, que vão democraticamente alternando entre governo e oposição, um pouco ao estilo catch all party das democracias anglo-saxónicas.
O PPD/PSD nunca foi um partido unido, nem sequer nos tempos de Sá Carneiro, que chegou a ser afastado, convém recordar. Também não são novas as questões ideológicas, desde a fundação passou por lá muita gente que está à esquerda da ala mais à direita do PS, a par de outros que estão à direita do espectro político. Uns são liberais, outros são sociais-democratas. Une-os o poder, Sá Carneiro, Pinto Balsemão, Cavaco Silva, Durão Barroso e Passos Coelho tiveram o partido a seus pés, Santana Lopes não teve, mas aí cheirava à iminente saída do governo.

O fenómeno está longe de ser um exclusivo do PPD/PSD, quando existem lugares para distribuir, os líderes recebem palmadinhas nas costas, são bajulados, quando as coisas começam a correr mal, os excluídos da gamela passam a contestatários, proliferam as sensibilidades ou facções internas, até chegarem as facas longas. No PSD a dicotomia entre a matriz liberal ou social-democrata agrava e aprofunda a divisão.
Muita gente das mais diversas sensibilidades internas pede agora clarificação e contagem de espingardas, mas se Rui Rio sobreviver à moção de confiança que anunciou apresentar ao Conselho Nacional, irá calar Luís Montenegro, Miguel Morgado, Maria Luís Albuquerque e demais militantes próximos de Passos Coelho? E caso a moção venha a ser rejeitada, provocando a demissão de Rui Rio? Existe algum militante do PPD/PSD que caso eleito presidente do partido, reuniria o consenso, estando na oposição?
Na verdade, todos os barões e notáveis, querem manter-se no partido para dele beneficiar, falando em clarificação ou refundação, mas perpetuando a dicotomia que corrói o cada vez mais calamitoso e comatoso PPD/PSD. Não sou militante do partido, mas enquanto potencial votante, embora já não lhes confie o voto desde 2002, julgo que o ideal seria partirem para um spin-off amigável, separando o PPD do PSD. A ala mais liberal seguiria um caminho, a social democrata outro. Os eleitores teriam a última palavra. Não o fazer, é continuar o caminho errático que os levará mais cedo ou mais tarde à irrelevância, Pedro Santana Lopes deu o mote e saiu do partido, estou curioso para ver que resultados conseguem obter os partidos recém formados neste espaço político. Faço votos para que consigam eleger deputados, mesmo que poucos, porque a acontecer, será o princípio do fim do status quo no panorama político português.

Comments

  1. Rui Naldinho says:

    Toda esta estratégia do PSD tem um único fim. Fragmentar os votos à direita, criando com isso, caminho livre para o PS alcançar uma maioria absoluta. Chama-se a isto, armar a ratoeira. Não os crítico. Faz partes das regras dos jogos de Poder.
    Se o Aliança tiver uma votação que lhe permita eleger, por exemplo, um deputado no Parlamento Europeu, estão criadas as condições para que os votos à direita se fragmentem, nas eleições legislativas, ao ponto do PS ficar no mínimo, no limiar da Maioria Absoluta. Se lhe misturarem à posteriori, um pouco de “Queijo Limiano”, acabarão por aguentar o barco, nos primeiros anos dessa legislatura. Haverá sempre uma alma caridosa disposta a vender-se a troco de uma obra emblemática para a sua região.
    Isto é Portugal, António. Não é a Noruega ou a Suécia. E muito menos a Islândia.
    O PSD existirá sempre. Afinal, eles são os donos disto tudo.

    • Paulo Marques says:

      Até Outubro ainda falta muito tempo de empresas, parafraseando as mesmas, a aproveitar a bolha enquanto a coisa não cai. Os “socialistas” já deviam saber que a cloaca da galinha é traiçoeira.

  2. ZE LOPES says:

    Spin-off! Yes! What a big film! “The Moutblack-River Spin-off” preceded by “The Saga of Saintanne’s Alliance”. Let’s look at a trailer…

    (the author writes under de new Ortograph Agreement)

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