A mim, ninguém me perguntou

Confesso, não sou fã das extrapolações.

Titula o Expresso, em forma de conclusão quanto a uma sondagem realizada pela Eurosondagem: “Portugueses sem medo da maioria absoluta do PS“. Uma conclusão algo arrojada e, até, pouco consubstanciada pelos números apresentados, parece-me.

Talvez a memória me atraiçoe, mas alguém poderá, por gentileza, recordar-me de alguma mudança positiva que aconteceu porque existia uma maioria absoluta? Pelo contrário, recordo-me de várias prepotências que estas trouxeram, desde questionáveis obras públicas, perda de direitos, alienação de património para atender a problemas de tesouraria e ruinosas alianças entre Estado e privados.

Se algo os anos me têm trazido, a diminuição da confiança nos políticos é uma delas. Por isso, prefiro que o poder absoluto lhes seja negado. Manias minhas, enfim.

Aos senhores das sondagens, digo que me telefonem. Peçam o número, se for preciso.

Comments

  1. ZE LOPES says:

    Eu desconfio seraimente desta sondagem! Se não foi sondado e eu também não, e cá em casa ninguém mais foi, é muita gente! Se isto aconteceu connosco, quem nos diz que não aconteceu o mesmo a muitos portugueses que iriam responder “má para o país”? Não tenho razão?

    Depois, há uma coisa muito suspeita: se somarmos as quatro categorias dá extamente 100%! Ou seja um número redondo (e, acrescento, me parece francamente exagerado). Não é caso para desconfiar?

    Além do mais, alguém que me diga por que razão há uma categoria de respostas “Má para o país” e outra “Boa para o país”. E qual a outra hipótese? Simplesmente “Indiferente”…Então não é “Indiferente para o país”?

    Pelo título do Expresso ficamos a saber que os “indiferentes” (que, aliás, são a maior categoria) são pessoas que não têm medo. Eis uma boa notícia para as nossas Forças Armadas, que terão aí um campo de recrutamento significativo, nesta época de falta de efetivos e de vocações para a vida militar.

    Não sei como é que o “Expresso” que é um jornal muito sério, muito neutro, nada “voz do dono”, foi cair numa coisa destas! Desde que o Balsemão se retirou os estagiários andam à solta. Não admira que saiam coisas destas.

  2. antero seguro says:

    Uma maioria absoluta do PS seria mais do mesmo e muito perigoso para o país e também para o descrédito da Democracia. O PS já demonstrou com maioria absoluta que é suficientemente capaz de fazer o trabalho sujo da direita aparecendo ligado ao que de pior existe na tão violentada democracia portuguesa.

  3. Rui Naldinho says:

    O que a Direita “escarafuncha”, para encontrar um enredo que leve umas centenas de milhares de incautos a votar de forma massiva, no PS. Sabem que esta é a única forma de chegarem com alguma brevidade ao Poder.
    Não há pasquim que se preze, que não promova esta rábula, dias afins, sem perceberem que talvez o povo português não seja tão estúpido, como muitos querem fazer dele.
    Por mim, eu quero que o PS tenha uma maioria relativa muito pequena. De preferência não muito longe da soma dos votos de toda a direita. Só assim perceberão como são frágeis, evitando os seus habituais devaneios.
    Se o PSD se tornou nos últimos anos num partido detestável, o PS continua a não ser um partido confiável.


  4. Sondagem:
    Dizer aquilo que parece mais correto ao entrevistador.
    Exemplo: – Quantas vezes faz sexo por semana? Resposta mais ou menos expectável: Ora bem, duas ou três (mesmo que se esteja há meio ao sem pinar)

    Daí que se responda uma coisa quando se é perguntado, e depois, no escurinho da urna de voto se elejam fascistas.
    Pergunto-me se o voto fosse público, se as pessoas votariam nos mesmos candidatos que votam no escurinho da urna de voto sem ninguém a ver.

    (honra ás sondagens brasileiras que fazem corar de vergonha ingleses e americanos)


  5. Jornal Expresso voz do dono ?? se não é, pasquim é de certeza de mau jornalismo

    Quanto á questão do MP no mesmo artigo/sondagem e publicado no jornal Público :

    Ministério Público, o que está verdadeiramente em causa
    Público – 09-01-2019
    por Rui Cardoso ( Sindicato dos Magistrados do Ministério Público )

    Em artigo recente no jornal PÚBLICO, o deputado Jorge Lacão – sempre empenhado em fragilizar a ministra da Justiça e em minar o seu trabalho de três anos na procura de consensos – partilhou a sua “reflexão sobre a natureza do Ministério Público” (MP) e trouxe alguma luz sobre as ideias do grupo parlamentar do PS para o futuro desta magistratura.
    Das várias elencadas, exigem comentário imediato a alteração da composição do Conselho Superior do Ministério Público (CSMP), a autonomia financeira do MP, a relação do MP com os órgãos de polícia criminal (OPC) e a “tipicidade de procedimento exigível ao MP no combate à violação do segredo de justiça”.
    Embora alegando recusar uma maioria de membros não-magistrados, propõe alterações à composição do CSMP, reduzindo de sete para cinco os membros eleitos pelos magistrados e passando o procurador-geral da República a nomear dois.
    De forma menos evidente que o PSD, o objectivo é o mesmo: o controlo externo deste órgão. Conseguindo um procurador-geral da República (que é nomeado pelo Presidente da República por proposta do Governo) submisso, conseguiria o poder político controlar dez dos 19 membros do CSMP: o procurador-geral da República, os dois membros por ele nomeados, os dois nomeados pelo ministro da Justiça e os cinco nomeados pela AR.
    O procurador-geral não tem nenhuma legitimidade para nomear dois membros e tal não faz qualquer sentido para as funções do CSMP, antes constituindo uma perversão da separação que deve existir entre os poderes de direcção funcional, que cabem ao procurador-geral, e os poderes de nomeação, classificação e disciplinares, que cabem ao conselho.
    Com o controlo externo do CSMP não há autonomia do MP.
    Uma magistratura em que nomeados pelo poder político têm o poder real de:
    – escolher os titulares de todos os seus órgãos,
    – de determinar o número de magistrados em cada comarca ou departamento (p. ex., reduzir os que estão no DCIAP de 30 para três)
    e de escolher quem neles é colocado,
    -de controlar completamente a sua carreira através da classificação que lhes atribui
    -e de os punir disciplinarmente (com suspensão de funções ou até com a demissão),
    não é uma magistratura autónoma.
    Não é sequer uma magistratura. Sobre o assunto, temos repetidamente ouvido falar da necessidade de maior transparência no funcionamento do CSMP. Não podia arranjar-se argumento mais falso. Quantas vezes os membros do CSMP eleitos pela AR apresentaram publicamente algum tipo de informação sobre o exercício das suas funções? Alguma vez a isso foram instados pelo Parlamento?
    E os nomeados pelo ministro da Justiça?
    Há maior transparência no funcionamento do CSM, onde os nãojuízes estão em maioria?
    A desejada transparência já existe: de todas as reuniões do CSMP existe um boletim informativo que é público e acessível online.
    Atacar a pequena autonomia financeira que a proposta do Governo prevê (apenas para a PGR, deixando os demais órgãos do MP em permanente necessidade de pedinchar meios aos juízes-presidentes de todos os tribunais e ao Governo) é mais uma forma de deixar o MP incapaz de se autodeterminar.
    Autonomia financeira do MP que é um dos requisitos para a existência de um Estado de direito elencados pela Comissão de Veneza e cuja inexistência em Portugal foi um dos aspectos criticados pelo Greco. Autonomia financeira que a lei portuguesa reconhece como imprescindível para a existência de independência das sacrossantas entidades reguladoras ou de supervisão, mas que sempre tem sido recusada ao MP.
    Questiona ainda Jorge Lacão a relação do MP com os OPC, temendo pelas regras vigentes da organização geral da investigação criminal e de autonomia técnica e táctica das funções de polícia. Estas ditas autonomias terminam onde começa a direcção do inquérito pelo MP. Mas sabemos que, sob a aparência da manutenção da direcção da investigação criminal pelo MP, manter os OPC controlados pelo Governo tem sido (mais não seja pelo estrangulamento financeiro e pelo número dos seus efectivos, como tem sucedido com a PJ), desde o início da vigência do actual Código de Processo Penal, em 1988, uma forma fácil de condicionar o sucesso da investigação criminal.
    Finalmente, a interpelação de Jorge Lacão sobre qual a “tipicidade de procedimento exigível ao MP no combate à violação do segredo de justiça” só pode significar a intenção de incluir no estatuto um conjunto de regras de procedimento sobre a forma de investigação desse crime.
    É tão evidente a violação da autonomia do MP que nos dispensamos de mais comentários.
    Nenhuma das propostas tem então como verdadeiro objectivo o “aperfeiçoamento efetivo do funcionamento do MP no quadro do Estado de direito”. Todas pretendem apenas o controlo externo do MP, incompatível com o Estado de direito e em frontal colisão com a Constituição.
    É populista dizer que pretendem acabar com os processos por corrupção e outros crimes económicos contra políticos?

    Vejamos tudo de forma mais abrangente: permitirão facilmente o controlo total da actividade do MP. Por exemplo, o que se investiga ou não investiga e com que resultados; se o MP continua ou não a efectivamente representar os trabalhadores e com isso incomodar as entidades patronais; a agir contra o Estado e outros em defesa de interesses colectivos ou difusos, como os que respeitam ao ambiente, ao urbanismo ou ao consumo. E muito mais.
    Quem tem consciência das reais consequências dessas alterações – e, por isso, dos seus reais propósitos – tem o dever de as denunciar publicamente e a elas activamente se opor.
    Não por quaisquer interesses corporativos, mas em defesa do Estado de direito. Corporativamente, seria muito mais fácil e proveitoso ser dócil e submisso ao poder político: as propostas de PS e PSD significariam muito menos trabalho para o MP e uma (nojenta) paz com esse poder que certamente seria premiada com melhores remunerações para os magistrados.
    É especulação? Veja-se o que se tem passado na Hungria, na Polónia e na Turquia: onde estão os juízes e procuradores submissos e onde estão os que lutaram pela defesa do Estado de direito? Estes, demitidos ou suspensos de funções, todos os seus bens confiscados, muitos até presos.

    Os magistrados do MP sempre serão os primeiros defensores da sua autonomia, que não é privilégio seu, mas direito do cidadão.

    É isso que está verdadeiramente em causa nesta revisão do Estatuto do Ministério Público.

    • Paulo Marques says:

      É um tema complicado num editorial um pouco confuso… mas, à primeira, tenho que concordar com o autor. Se é para experimentalismos, mais vale o diabo que se conhece nesta matéria.

  6. Julio Rolo Santos says:

    Uma maioria absoluta de qualquer partido é sempre má para o pais, sobretudo porque todos os nossos políticos São de muita má qualidade. Veja-se o que se passa com o governo do PS mesmo sem maioria absoluta a corrupção que por ai vai. Nem Armando Vara vai preso nem Jose Sócrates & C° vão a julgamento. Porque esperam os coletes amarelos para entrarem em acção?

    • ZE LOPES says:

      O quê? Os coletes amarelos já têm tribunais e prisões? Que dinamismo! Que organização impressionante!

    • Paulo Marques says:

      Não fique por aí, também não vai Duarte Lima ou Paulo Portas. Mas esses, sabe-se lá porquê, foram logo arquivados, enquanto os outros sofrem atropelo atrás de atropelo aos seus direitos.


  7. ,,,”Os magistrados do MP sempre serão os primeiros defensores da sua autonomia, que não é privilégio seu, mas direito do cidadão. ”

    Reside aqui essa verdade a reflectir e a reter !!

    ………..( quem tem medo do lobo mau ??! )

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