Sobre futuro aeroporto do Montijo

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Rede para o Decrescimento

No momento em que se anuncia a assinatura de um acordo sobre o modelo de financiamento de um novo aeroporto civil no Montijo entre o Governo Português e a empresa VINCI AIRPORTS, proprietária da ANA , a Rede para o Decrescimento reforça a sua oposição a este ou a qualquer outro projeto de aumento da capacidade aeroportuária no território português. A Rede para o Decrescimento junta-se a uma frente com dimensão internacional (vide rede global ‘Stay Grounded’) de resistência ao incremento da circulação aérea e à prossecução de uma política em tudo contrária à mais urgente necessidade da Humanidade: parar as emissões de CO2 que estão a destruir o nosso ecossistema, visando particularmente aquelas que ficaram de fora do Acordo de Paris, como as provenientes do tráfego aéreo e marítimo, uma exclusão imoral e desastrosa para todos. Os interesses imediatos das multinacionais do sector e as vantagens imediatistas de um tipo de economia sem futuro são os únicos ganhadores anunciados neste processo.

Opomo-nos, por todos os meios ao nosso alcance, a este empreendimento. Recentemente, foi endereçada uma carta aberta ao Primeiro-Ministro onde explicitámos as razões da nossa oposição (petição pública). Aguardamos ainda por um verdadeiro debate sobre o crescimento da circulação aérea que representa um atentado contra o futuro de todos nós neste planeta. Concordamos com os argumentos daqueles que se opõem à escolha desta localização por razões do contexto ambiental imediato e dos impactos negativos nas populações locais. Mas acreditamos que não podemos cair na ilusão de supor que algures possam existir localizações preferenciais onde os danos locais e globais possam ser mitigados. E sublinhamos, porque essa questão não deve ficar esquecida, que nos opomos igualmente ao aumento do tráfego aéreo no Aeroporto Humberto Delgado em Lisboa que, contrariando a tendência atual, deve diminuir para salvaguardar a saúde e o bem-estar da população imediatamente afetada pela sua exploração. Apenas a renúncia a um modelo de sociedade que assenta no crescimento económico infinito e na exploração insustentável dos recursos naturais pode indiciar uma solução para os problemas sociais e ambientais com que nos confrontamos.

Comments

  1. Paulo Marques says:

    Isso é bonito, tal como é o EPSR, mas assenta ainda num modelo económico onde a competitividade e o crescimento são o mais importante.
    Num estado que se auto-limitou de mexer nalguma coisa a favor de si próprio e dos seus cidadãos, é o que temos.


  2. Os de Lisboa, vão aterrar no Aero Porto de Pedras Rubras e fica tudo salvo.
    Até porque o tempo de chegar a Lisboa é o mesmo tempo que esperamos para embarcar….

  3. Mr José Oliveira Oliveira says:

    Independentemente de partilhar muitos dos objectivos do Decrescimento, continuo a afirmar que os autores do manifesto pecam por algum fundamentalismo. Neste caso concreto, recusam aproveitar esta excelente oportunidade para fechar definitivamente a Portela, substituindo-a pelo Montijo, que é o que deveria ser feito já. Nenhuma capital civilizada tem um aeroporto internacional no meio do casario. A poluição gerada nos corredores de acesso e o risco de algum acidente grave, são motivos mais que suficientes para fazer a substituição. Será que os decrescimentistas vão continuar à espera, como fazem as autoridades, que aconteça um acidente catastrófico para dizerem: oh, pá, bolas, tivemos azar…
    Perder de vista a folha e apenas olhar para a floresta, é, neste caso, a pior das opções. Pode-se ignorar a realidade, mas ela continua aí à nossa espera…

  4. Julio Rolo Santos says:

    Porquê mais um aeroporto nos arredores de Lisboa quando há um magnífico aeroporto em Beja totalmente desaproveitado? Para não optarem por esta solução argumenta-se com a distância e falta de acessos. Com a opção Montijo também não têm que investir fortemente nos acessos? E se o estudo do impacto ambiental jumbar o projeto, quem vai pagar os custos da inviabilidade do projeto? Será que os custos com a opção Beja não ficariam incomensurávelmente muito mais baixos do que a opção escolhida mesmo que se tenha que investir fortemente nos acessos Beja Lisboa? É mesmo vontade de estourar dinheiro público ou recolher algum por baixo da mesa como tem acontecido com outras decisões sobre projetos megalomanos. Este será mais um desses.

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