Tenho dúvidas de que a Espanha seja uma democracia


No meio do turbilhão provocado pela decisão da Justiça espanhola, vem a Liga Espanhola atirar achas para a fogueira ao defender a mudança do Barcelona – Real Madrid para a capital espanhola por razões de «segurança».
Alguém de bom-senso acredita que as gentes da Catalunha vão aceitar pacificamente esta decisão?
Se não é de propósito, parece.
Um regime onde o chefe de Estado não foi eleito pelos cidadãos através de eleições livres não me parece que possa ser considerado democrático. O actual usurpador é um tal de Filipe Grécia, que sucedeu no cargo ao seu pai, João Sicílias. Para além disso, sabemos muito bem como foi formada a Monarquia espanhola há uns séculos.
Um regime que mantém presos políticos e ex-governantes no exílio – esses, sim, eleitos pelo povo – não é definitivamente uma democracia.
Quanto ao resto, Madrid usa a violência em Barcelona da mesma forma que Pequim a usa em Hong-Kong.

Comments

  1. Luís Lavoura says:

    Um regime onde o chefe de Estado não foi eleito pelos cidadãos através de eleições livres não me parece que possa ser considerado democrático.

    Há muitos países em que “o chefe de Estado não foi eleito pelos cidadãos através de eleições livres”, por exemplo a Noruega, o Canadá e a Holanda. Não me parece que se possa dizer que todos eles não são democráticos.

    • Rui Naldinho says:

      Tem toda a razão. Só que nesses países os monarcas respeitam o desejo legítimo dos povos das regiões autonómicas a referendos sobre a independência. A rainha Isabel II, monarca do Reino Unido, mas também Chefe de Estado do Canadá, não se opôs ao referendo sobre a independência na Escócia, e muito menos ao do Quebec. Mesmo que o aceitasse contrariada, cumpriu o desejo desses povos.
      Ou você acha que se a Espanha de Castela tivesse a certeza que os Catalães e Bascos se manteriam espanhóis, recusando a independência, num referendo, não tinha já aberto as portas a essa possibilidade?
      Como sabe que perderia em toda a linha, prefere evocar uma Constituição, que pura e simplesmente impede qualquer referendo nessa matéria, para continuar tudo na mesma.


      • Portanto a nossa constituição é antidemocrática! E desde quando o rei de Espanha se pronunciou sobre os referendos? E desde quando a rainha de Inglaterra se pronunciou sobre o referendo da Escócia? São os governos que se pronunciam, não os chefes de Estado que são reis. A constituição da Espanha foi aprovada maioritariamente pelo povo da Catalunha (a nossa não foi votada). Qual é a parte da democracia que não pode ficar na mão de alguns que protestam que ainda não entendeu? Façam a alteração constitucional necessária e vão a referendo.


    • Se me permite uma pequena correção (que não invalida o seu argumento) na Noruega a monarquia foi escolhida através do voto expresso em referendo; em 1905 : https://www.kongehuset.no/artikkel.html?tid=30094

  2. Julio Rolo Santos says:

    São pontos de vista mas o Estado Espanhol é Uno e indivisível e o Rei é o símbolo de Espanha. Se não é submetido a sufrágio e, só por isso, considera que Espanha não é uma democracia, então temos de tornar extensível essa apreciação a outros Estados Monárquicos como acontece, por exemplo, Reino Unido.

  3. JgMenos says:

    Extraordinária dúvida, quando esta se define como uma monarquia.
    A partir daí importa saber se é um Estado de Direito.
    Saiba-se se o Direito estabelece um regime democrático.
    Entenda-se que as democracias funcionam dentro de Estados e nunca na sua negação.
    As autonomias de Espanha comparam funcionalmente como estados federados.
    Nunca a Catalunha foi um estado independente.

    • Paulo Marques says:

      Nem Hong Kong, nem o Kosovo, nem Israel durante milhares de anos. E, no entanto, cá estamos.

      • JgMenos says:

        O Kosovo é um bom exemplo de ‘coitadinhos dos refugiados’.
        – Fugiram dos comunas na Albânia e refugiaram-se no Kosovo sérvio.
        Correram com o sérvios e declararam a independência,

        • Paulo Marques says:

          Tá bem, pá. Prémio nobel da paz para o Cruz e o Trump em conjunto.

        • Corrector ortográfico says:

          “K̶o̶s̶o̶v̶o̶ ̶ ̶ Israel é um bom exemplo de ‘coitadinhos dos refugiados’.
          – Fugiram dos comunas na A̶l̶b̶â̶n̶i̶a̶ ̶ Alemanha e refugiaram-se n̶o̶ ̶K̶o̶s̶o̶v̶o̶ ̶s̶é̶r̶v̶i̶o̶ na Palestina.
          Correram com os s̶é̶r̶v̶i̶o̶s̶ Palestinianos e declararam a independência…”

    • POIS! says:

      Pois!

      Em resumo: nunca um Estado foi independente antes de ser independente!

      É a chamada “Teoria da Menos Soberania”.

      Não haverá, ao Menos, um lugarzinho para ele numa qualquer Universidade? Pelo Menos de assistente do Passos lá no ISCSP?

      Malfadado país que tantos talentos desprezas!

  4. JgMenos says:

    Estou a pensar iniciar o movimento de Portugal independente da parasitagem do Estado…

    • Paulo Marques says:

      Chama-se emigração para um paraíso libertário, tipo Afeganistão.

    • Jovem Sexagenário says:

      quem será o feliz cão que se vai ver livre de ti e depois como vais viver?

    • POIS! says:

      Pois!

      Lá está Menos um a querer ser independente de si mesmo!

      Ai país, ai país, que tantos talentos levas ao desprezo!

      Oh! Meu deus!

  5. whaleproject says:

    At+e agora a (des)União Europeia só se mostrou aberta à autodeterminação dos povos quando estes demonstraram inequivocamente terem sido vítimas do sociaismo ou do comunismo.
    Pelo que fica aqui uma recomendação aos independentistas catalões, se querem realmente que lhes reconheçam direito a mais alguma coisa que cabeças partidas e olhos vazados se saírem à rua em protesto, cadeia para os “cabecilhas” só têm uma coisa a fazer. Tratar de provar a lídimos e inteligentes dirigentes como o Trampas que, na realidade, o Franco e todos os que os massacraram ao longo de séculos eram na realidade perigosos comunistas dos quatro costados e não o sabiam.
    Se se conseguirem apresentar ao mundo como vítimas do comunismo pode ser que tenham sorte. De outra maneira, quem andou formigando o separatismo em todo o lado, criando até aquela coisa inenarrável chamada Kosovo, vai continuar a pregar a “Espanha Una, Grande e LIvre” franquista, outra coisa inenarrável criada em primeira mão por uns tais Reis Católicos e de onde só nos livramos em 1640 graças a termos uma capaciadde de cometer crimes e os sofrer que em nada ficou a dever aos fanáticos islâmicos de hoje. E ainda bem que assim foi. Um bravo aos 40 conjurados, a D. João IV e ao seu povo. Ou hoje eramos nós que podiamos estar nas ruas,com a cabeça partida ou sem olhos, na prisão ou no exílio. Em vez de estar aqui a dar loas a Espanha.

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