Premiar e negociar

Ao receber, no passado dia 20 de Outubro, o Prémio da Paz do Comércio Livreiro Alemão, o fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado afirmou que “passou grande parte de sua vida testemunhando o sofrimento do nosso planeta e de seus habitantes que vivem em condições cruéis e desumanas”. “A missão de iluminar a injustiça guiou meu trabalho como fotógrafo social”.  “As minhas fotografias mostram o presente e por mais que ele seja doloroso, nós não temos o direito de desviar nosso olhar“.

A profunda sensibilidade social de Sebastião Salgado tinha já sido notavelmente documentada por Wim Wenders e Juliano Salgado no premiado filme Sal da Terra.

O fotógrafo e fundador do Instituto Terra denuncia agora, também através de palavras certeiras e transparentes o que está a acontecer na Amazónia. “(…) o modelo económico do Brasil e do mundo é um modelo predatório, que destrói a Amazónia”.*

Entretanto, os dirigentes europeus fazem de conta que se indignam, mas não deixam de desviar o olhar, promovendo e assinando o acordo de comércio UE-Mercosul e assim contribuindo para essa destruição e dando mais uma estocada contra uma agricultura e pecuária sustentável, a bem da indústria automóvel.

Quão esquizofrénica é uma Comissão Europeia que promove a importação de produtos agrícolas do Brasil, quando o Governo brasileiro, sob a presidência de Bolsonaro, autorizou há alguns meses atrás mais de 150 novos pesticidas, enquanto essa mesma Comissão Europeia está a pretender adoptar uma estratégia para os produtores europeus que visa ter exactamente o efeito contrário?

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Comments

  1. JgMenos says:

    À pressão da cambada lunática sobre o consumo/ crescimento/ rendimento/ consumo… acrescenta-se o fundamentalismo conservacionista que leva os compradores de votos a exportar os problemas.

    E então queixam-se, e queixar-se-ão até que tenham o poder de tudo inverter implantando a autarcia em que se vêm queridos líderes.

    • Democrata_Cristão says:

      Nazi menor.
      Muito gostas tu de escrever, sem dizer nada !

    • Paulo Marques says:

      Tens noção que é o capital que cria o consumo, tal como passou a viver à custa do crédito fácil para o mesmo invés da produção, certo? E que o mercado único é feito à base disso, certo? E que nem a anémica recuperação da GFC tinha havido, já que os estados só podem intervir por desregulação, certo?
      Autarcia maior do que essa só ser Bruxelas a escolher os governos… como desejas.

    • POIS! says:

      Pois!

      Parece um bom “script”, digno até do “Netflix”. Ficava melhor apimentado com um bocadinho de sexo, mas não pode ser. Não há quem queira contracenar com o JgMenos.

    • JgMenos says:

      Quando os queridos líderes chegarem com suas regulações e suas senhas de racionamento, o planeta será salvo.

      • POIS! says:

        Pois!

        Eis que Jg responde a Menos! Não se vislumbrava tamanho momento literário desde que o Álvaro de Campos pregou dois bufardos no Ricardo Reis por este se estar a atirar descaradamente à Daisy.

        Resta-nos a felicidade de levantar um pouco o véu sobre o desfecho do episódio: simbolicamente, Salazar e Thomaz voltam para salvar o planeta! Não se sabe se tão elaborado final será compreendido pelas novas gerações, mas há que correr o risco.


  2. Ana, sempre presente em dias tão aflitos.

    …”Entretanto, os dirigentes europeus fazem de conta que se indignam, mas não deixam de desviar o olhar, promovendo e assinando o acordo de comércio UE-Mercosul e assim contribuindo para essa destruição e dando mais uma estocada contra uma agricultura e pecuária sustentável, a bem da indústria automóvel….”
    Bem sabemos de quantos agora fazem de conta que se indignam !
    Divulgo quanto posso e envio alertas, mas a apatia, desinteresse, desinformação e inconsciência da maior parte das pessoas faz desanimar a esperança de que necessitamos para acreditar ainda que é possível reverter caminhos de destruição a todos os níveis, preocupantes qb !

    Sempre aquele abraço para si, Ana Moreno ! obrigada.
    ! deste recanto tuga com são martinhos e castanhas e vinho aonde se celebra a vidinha …de cada um em que “chacun” se governa e todos a fazerem como o “chacun” .
    pois que será legítima a alegria do convívio e da festa, mas que os laços a envolver-nos fossem tb elos daquela correia de força de aço de que tanto necessitamos .


  3. ! e ainda, sobre a hipocrisia da UE noutro aspecto perverso :

    …”Na União Europeia, só em 2017, foram emitidas licenças para venda de armas à Turquia no valor de 2,8 mil milhões de euros. O negócio das armas e de equipamento militar com a Turquia rendeu 34 milhões de euros à Alemanha, 736 milhões de euros à França, 266 milhões de euros à Itália e mil milhões de euros ao Estado espanhol. Podemos ainda detalhar mais, de forma não exaustiva, para que não restem dúvidas.

    No caso da Alemanha, foram 18 milhões de euros em bombas, mísseis e engenhos explosivos e sete milhões em agentes químicos e biológicos, agentes antimotim e materiais relacionados. No caso da França, foram 112 milhões de euros em equipamentos blindados e de proteção e 90 milhões de euros em veículos terrestres e componentes. No caso da Itália, foram 197 milhões de euros em aeronaves e drones e 55 milhões de euros em munições e dispositivos de ajustamento de espoletas. No caso do Estado espanhol, foram 946 milhões de euros em aeronaves e drones e quatro milhões em navios de guerra e equipamento naval.

    Estes são apenas os contratos em curso e nenhum destes foi denunciado. São estas as armas que estão a ser usadas contra civis, contra o povo curdo.
    Não haverá fim à vista para a guerra enquanto o negócio das armas continuar a prevalecer sobre os direitos humanos. Para inverter este ciclo, o povo curdo precisa mesmo do apoio da comunidade internacional e da sociedade civil, já que esperar por uma ação concreta dos governos que fazem negócio é mesmo tempo perdido. Não podemos dizer que não sabíamos.»

    Marisa Matias

    • Ana Moreno says:

      É uma tragédia inenarrável, Isabela, mais uma traição a esse povo curdo, que há tantos anos luta pela sua existência num território que lhe negam. Os estados europeus continuam curvados perante esse déspota que é Erdogan, não só pelo negócio, mas porque têm medo que lhes deixe de servir de guarda-costas perante os refugiados. O sofrimento do povo curdo provoca uma revolta sem fim. E a impotência total.
      Grande abraço.

  4. Rui Naldinho says:

    https://www.lavozdeldespertar.com/?p=10475

    Boa tarde, Ana

    Desculpe o incómodo, mas não encontro o seu e-mail.
    Li isto na minha página de Facebook, aqui há dias.
    Isto tem algum fundamento? Ou é apenas uma forma de manipulação da opinião pública?
    Obrigado e cumprimentos

    Rui Naldinho

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