O que tem a ver a Coopérnico com a crise do coronavírus?

Rui Pulido Valente*

À primeira vista não parece ter nada a ver, mas se aprofundarmos o nosso olhar e ouvirmos aquilo que a crise nos tenta dizer, concluímos que tem tudo a ver! Tem tudo a ver porque nos obrigou, a todos, a olhar para a Sustentabilidade de uma outra forma, numa perspetiva mais individual e responsável.

O combate à pandemia tem sido feito com base nos comportamentos de cada um e no cumprimento das orientações dos profissionais de saúde. Não se tem tratado apenas de alterações temporárias e pontuais, mas mudanças que questionam todo um posicionamento do cidadão como consumidor.

A diferença é que estamos perante uma urgência e um fenómeno que depende fundamentalmente da atitude de cada um. Mas se refletirmos um pouco, também a crise climática, o desperdício alimentar, ou mesmo, a plastificação do meio ambiente, têm tudo a ver com questões comportamentais e responsabilização do cidadão enquanto consumidor. Acrescentaria ainda, e para puxar a brasa à minha sardinha: as nossas opções como consumidores de energia também têm tudo a ver com opções individuais que podem defender o ambiente e descarbonizar as nossas vidas.

De um momento para o outro, foi possível fazer o que, para muitos, seria utópico. Temos professores a lecionar à distância, temos profissionais em teletrabalho, temos redução substancial nas deslocações com reuniões a realizarem-se por teleconferência, temos quem se preocupe em criar soluções locais para evitar a excessiva centralização dos recursos, temos uma aferição, no terreno e na prática, da resiliência dos nossos territórios.

Quanto à energia e à opção por um comercializador verde e sustentável, também está ao alcance de cada um de nós através da Coopérnico, única cooperativa de energias renováveis no mercado português. Uma solução que desenvolve também soluções locais para o problema global do aquecimento global e do efeito de estufa associado ao consumo de carvão e petróleo (de que as grandes empresas de comercialização de energia não se libertaram). A Coopérnico tem projetos de autoconsumo individual e coletivo (Comunidades de Energia) que são a garantia de independência de muitos dos consumidores e de controlo da sua própria energia.

Por outro lado, parece ficar evidente, neste momento, a multiplicidade das dimensões da Qualidade e a sua própria transversalidade como garantia da robustez do combate à pandemia. Qualidade da comunicação, qualidade das relações, qualidade das redes, qualidade dos serviços, qualidade dos equipamentos, qualidade das pessoas, qualidade das decisões, qualidade da educação, qualidade do conhecimento, qualidade das relações de vizinhança, qualidade dos próprios sistemas e processos, qualidade da energia que consumimos – Qualidade de uma sociedade.

Esta pandemia trouxe à reflexão um conjunto de aspetos que têm estado de forma superficial na discussão pública, mas que, agora, exigem outro tipo de resposta. Enumeremos alguns desses temas:

  1. Como se constrói a resiliência e que testes nos permitem aferi-la em cada um dos nossos territórios e práticas como cidadãos?
  2. Será que estamos perante uma espécie de teste de stress à nossa forma de viver em sociedade e não apenas, ao Sistema Nacional de Saúde (público e privado), embora este esteja sob pressão preferencial?
  3. Estamos preparados para dar uma resposta local a problemas globais como é o desta pandemia? Será que a concentração urbana e a desertificação deixaram vazia a resposta local colocando na ordem do dia a capacidade de adaptação das pessoas e a sua auto-organização? (exemplo da colaboração entre vizinhos para apoio aos mais idosos)
  4. A resposta que tem sido dada, ao nível de uma melhor informação e rápida consciencialização e responsabilização dos cidadãos, é uma demonstração da qualidade das redes e capacidade de trabalho em equipa, demonstrando o quanto o país evoluiu nos últimos anos? (veja-se a colaboração entre as várias entidades)
  5. A pandemia conseguiu, de uma forma rápida e objetiva, o que a crise climática procura há muito: uma ação concreta por parte das pessoas, aceitando e respeitando as orientações estabelecidas. Será que a crise do coronavírus é a resposta da natureza à ação do homem que está a levar a uma crise climática sem precedentes?

Termino com uma ideia: para ser melhor cidadão, teremos que ser consumidores mais conscientes e responsáveis, capazes de tomar decisões de escolha em múltiplos domínios. Um deles é o da nossa fatura energética, escolhendo um comercializador com princípios éticos sólidos e que nos dê garantias de que consumimos energia verde!

  • Membro da Direção da Coopérnico

Comments

  1. José Monteiro says:

    «ser consumidores mais conscientes e responsáveis, capazes de tomar decisões de escolha em múltiplos domínios»
    Tenho dúvidas. Como o exemplo vem de cima (mandamento militar antigo),
    não estou a ver os detentores do poder, políticos, comerciantes e industriais ou investidores, a fazer por isso.
    Reduzir drasticamente o consumismo galopante, a super produção comercial e industrial que alimenta a onda, de automóveis para os heróis do futebol à produção da Zara para metade do género humano, les femmes.
    Ou para que servem as rondas anuais da moda?
    Se a Auto Europa deixar de bater ano a ano, a produção do ano anterior, pode sobreviver?
    If… If… If…

  2. Paulo Marques says:

    teremos que ser consumidores mais conscientes e responsáveis, capazes de tomar decisões de escolha em múltiplos domínios.

    Mesmo que o mítico consumidor racional existisse, a tragédia dos bens comuns arrasa com a ideia. Só com a força dos estados por via de um New Deal Verde, mas os eleitores continuam a preferir fazer de conta que se volta a 2007.
    Aguentem-se, face a que vem aí, o Covid não é nada, mas ao menos não se é “irresponsável”, como se a natureza se importasse com as contas certas.

    • Pedro Vaz says:

      Não vem aí nada carneiro. Lê o meu comentário anterior a expor o presidente da Coopérnico como mais um tachista do PS e do Globalismo.

      • Paulo Marques says:

        Pois não, é o sol a ser carinhoso com Portugal e a melhorar o clima. Descontando Pedrogão, Elsa e Fabian, coisas menores.

  3. Pedro Vaz says:

    O Al Gore não tinha dito que iamos todos morrer se até ao ano 2020 não fizemos nada acerca do Aquecimento Global/Alterações Climáticas/Emergência Climática*?

    COOPÉRNICO…mais uma ONG/Fundação/Cooperativa/Tacho ao serviço do Globali$mo…não se acreditam?

    Então vamos analisar o presidente da Coopérnico Pedro Sousa Lobo sim?

    Líder do PS de Ponte da Barca, membro do Rotary Club (pois claro), aquele percurso académico “á lá Socrates” naquelas Universidades do costume, Associação Nacional de Jovens Empresários, faz parte daqueles “escritórios de advogados do costume”, entre 2014 e 2018 recebeu do estado cerca de 78 mil euros pelos seus serviços.

    http://www.base.gov.pt/Base/pt/ResultadosPesquisa?type=contratos&query=adjudicatariaid%3D539263

    Não existe Emergência Climática nenhuma seus lorpas, é tudo mais uma estratégia de vender o neo-feudalismo Oligarca-Socialista ao gado.

    *O nome muda de acordo com a estratégia de marketing

    • Pedro Vaz says:

      PS – De certeza que o tachista é da maçonaria ou qualquer outro clube secreto (fábricas de agentes comprados/chantageados do Sionismo) tem mesmo pinta disso…

      • POIS! says:

        Pois aqui está mais uma demonstração cabal!

        Do extraordinário faro de perdigueiro português do Verdadeiro Nacionalista de Claras em Castelo Vaz para descobrir agentes ao serviço do Sionismo!

      • POIS! says:

        Pois é! Tem toda a razão!

        Mas o tráfico de influências não é só na Maçonaria! Tem outras nuances! Ouvi dizer que há por aí comentadores desportivos que estão ao serviço de obscuros interesses!

        Ah! Mas isso vai ser denunciado! Já estou a ouvir o André Ventura a gritar pungentemente na AR: a OPA Benfica é uma vergoooooonha!

    • POIS! says:

      Pois, mas ó Xô Vaz, sendo certo que é uma estratégia para lhe venderem uns quilos de neo-feudalismo Oligarca-Socialista vosselência tem sempre a possibilidade de recusar e continuar na engorda. Até à Páscoa o quilo de banha tem grandes perspectivas de vir a disparar por causa da quarentena. Assim V. Exa. está a ficar cada vez mais valioso.

      Queixa-se de quê?

      • Pedro Vaz says:

        Algum comentário acerca do presidente da Coopérnico ser um homem e tachista do PS? Ou só tens comédia boa que uma pessoa até se esqueçe de rir?

        • Paulo Marques says:

          Tudo o que é sócio de uma sociedade de advogados acaba por ter contractos com o estado, tal é o tamanho do país. E a quantidade de pessoas qualificadas que a direita exporta.

          • Pedro Vaz says:

            …mas este é líder de uma distrital do PS. São coincidências que acontecem…

        • POIS! says:

          Pois já disse o que tinha a dizer!

          Até elogiei o pedigree e o faro de V. Exa! É pena a caça estar suspensa ou recomendaria vosselência a uns caçadores conhecidos. As perdizes não abundam e talvez o seu faro para sionistas fosse muito útil.

          • POIS! says:

            Ah! Pois!

            Tenho mais um trabalhinho para o seu faro apuradissimo.

            Falaram-me de um deputado à AR que acusou o fisco de estar pejado de tipos que têm emprego garantido e só vivem para chatear os cidadãos contribuintes e ele próprio é um desses tachistas. Só que, para não abandonar o tacho, está com licença sem vencimento.

            Ouvi dizer ainda que o tipo trabalha para uma consultora propriedade de um escritório de advogados modernaço que se dedica ao planeamento fiscal e a trazer estrangeiros com vistos gold para invadir o nosso país e substituir os nacionais puríssimos por líbios ricaços.

            E que também aconselham portugueses super-ricos a colocar as fortunas em paraísos ficais de super-ricos. E que nas propostas do seu partido está, entre outras, a da diminuição radical dos impostos sobre os super-ricos.

            Deve ser agente sionista! Ferra-lhe a perna Vaz! Caça!.

    • Paulo Marques says:

      Os danos ambientais já causam bem mais do que 78000€ ao ano a todos nós. Mesmo que não gastasse, como é que um nacionalista quer ficar dependente do petróleo de outros países para ter economia?
      78000€ para prestar um serviço comparado com o que se gasta com sociedades de advogados, ou com o que estas desviam do país. O Ventura explica, bem como porque é que são mais importantes do que os 600M€ de dívidas do Orelhas.

      • Pedro Vaz says:

        Não estamos a falar só de petróleo, esta gente quer controlo total sobre todos os aspectos da ecónomia incluindo coisas vitais como comida.

        • POIS! says:

          Pois e mais uma prova do que afirma o Sr.Vaz!.

          O Bacalhau à Brás vai passar a chamar-se Bacalhau á Zacarias, o Vinho do Porto passa a ser do Vinho do Mar Morto e o Caldo Verde vai continuar a incluir Torah, mas de borrego..

          Estes sionistas, realmente, não brincam em serviço!

          • Pedro Vaz says:

            Essa fixação com tentativas de comédia falhada só pode ser de uma pessoa que é literalmente doente mental.

            És literalmente doente mental…a sério…procura ajuda.

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