Trump, o fascista malvado

O título foi escolhido por mim, mas podia muito bem ter sido criado pela redação da SIC ou qualquer outra televisão generalista. Tal como tem sido hábito desde a eleição do atual Presidente dos EUA, a comunicação social sempre se apresentou bastante parcial quando o assunto era Donald Trump. Desde a forma que apresenta as notícias que nos chegam da América até aos espaços de opinião. Este tom que se tornou normal afetou a forma de pensar das pessoas e fez com que estas, na sua maioria, se colocassem contra Trump, mesmo não conhecendo nenhuma das suas medidas. Estes mesmos são aqueles que se colocam a favor de Obama e fazem deste um revolucionário. Mas este é um dos resultados da comunicação social doutrinada que temos. Só em Portugal se acha normal que um pivô de informação como Rodrigo Guedes de Carvalho diga em direto “que, ideologicamente, as liberdades não são tão queridas à direita”. Por vezes, uma pessoa já não entende se o telejornal é para informar ou se é um chorrilho de lições de moral daquela vizinha que anda cá há mais tempo do que vocês.

Voltando ao assunto Trump e ao facto de ele ser um fascista malvado. Desde que ele foi eleito, a esquerda entrou numa histeria enorme, usando problemas reais dos EUA e atribuindo as culpas ao Presidente mais recente. Sim, porque os esquerdistas acreditam que, com Obama, os americanos eram um povo sem defeitos e, de repente, se tornaram em racistas, machistas e xenófobos. Os americanos eram um exemplo ao ter votado em Obama. 8 anos depois já eram um povo atrasado, que não tem noções de democracia. Outra excelente crítica foi à forma de eleição controversa que os EUA têm. Sim, mas Obama também foi eleito sob esse sistema.

Apesar de vermos que a esquerda é pouco democrática ao não aceitar a escolha dos americanos, até podem ter razão quando apontam críticas a Donald Trump. Afinal, com ele, o desemprego continuou a diminuir, incluindo na população negra que ele tanto odeia. Os salários também aumentaram. Se calhar, referem-se à política externa de Donald Trump. Certo?

Onde estavam essas mesmas pessoas revoltadas, quando o senhor simpático com uma mulher ativista baniu refugiados iraquianos dos EUA por 6 meses em 2011? Onde estavam os justiceiros que lutam pela paz mundial, quando Obama andou a bombardear países muçulmanos durante 8 anos sob o lema de paz? Onde estava a comunicação social, das seis vezes que Barack Obama baniu imigrantes de alguns países muçulmanos? Sim, este político foi Nobel da Paz. Obama mostrou ao mundo que para se ser considerado um exemplo não é preciso de o ser, basta parecer. Com um discurso afável, um sorriso de orelha a orelha e palavras de coragem, colocou o mundo inteiro aos seus pés. Mas isto não é populismo. Isto não é demagogia. Isto não é nada disso, porque o Obama é um fofo que tira fotos com a família, enquanto famílias fogem de guerras criadas pelo seu país.

A ideia generalizada de que Trump é um malvado é tão nefasta, que faz com que até adolescentes de 13 anos se sintam uns doutorados em Ciência Política. Fica bem a uma pessoa dizer que é contra Trump, mesmo que não saiba qual é a sua ideia política. Vivemos num país em que metade não vota para as suas eleições, mas que tem uma larga maioria na linha da frente contra o Presidente americano.

Não gosto de Donald Trump. É mais um político que sente que tem o mundo nas suas mãos e que faz dos Estados Unidos a mãe de todos. Mas é por isso mesmo que tenho orgulho em ser liberal. Ser liberal é ter a liberdade como o valor mais importante de todos, mesmo que ela dê espaço a ideias ou pessoas que não gostemos.

Quem não defende o direito de Donald Trump apresentar as suas ideias em democracia não se pode dizer defensor da liberdade.

Comments

  1. abaixoapadralhada says:

    Bem dizem os aficionados da tauromaquia, que é “preciso tira-los das tábuas”

    E os liberoides, é preciso tira-los das tábuas.
    Os mesmos que não se atreviam há 6 meses de fazer uma critica ao Trump, são os primeiros a defendê-lo agora.

    Mas dizendo que o Sr Trump defende as suas ideias, não dizem que esse senhor faz da mentira, censura e desinformação a sua politica.
    Estes é que são os defensores da democracia

    • Francisco Figueiredo says:

      Portugal é que não tem mentira, nem censura, nem desinformação… Eu não estou a defender Donald Trump, estou a defender a liberdade dele como de qualquer outra pessoa.

      • abaixoapadralhada says:

        ” defender a liberdade dele como de qualquer outra pessoa.”
        Trump não é qualquer pessoa. Usa a mentira a falsa informação para fazer a sua politica.
        Não tenho hipótese, senão publicava aqui no Aventar um excerto de 10 entrevistas desde Janeiro de 2020 ate agora, em que Trump tem 10 opiniões diferentes progressivamente pessimistas sobre o Covid-19 e sua consequência para os USA. Pior que ele só o “liberoide” Bolsonaro, mas esse tem alguma desculpa, é um fundamentalista Evangélico

        • Francisco Figueiredo says:

          Se é para criticar quem usa a mentira, prefiro criticar quem está à frente do meu país.
          O Trump foi eleito em democracia e pode ser criticado, não pode é ser tratado como menos apenas pelo seu estilo. Ele é político, infelizmente. Não é um amigo para se ir beber uns copos.

          • Daniel says:

            Quando alguém escreve: “só em Portugal…”, já se sabe que, normalmente, vem aí asneira e, este caso não foi excepção!!
            Ninguém com “dois dedos de testa” precisa da opinião do Rodrigo Guedes de Carvalho (ou outro) para formar a sua própria opinião sobre o Trump – basta ver/ouvir o que ele diz (e des-diz!) e escreve no Twitter para se perceber que dali só pode vir asneira, mentira e disparate!!
            E, quando a realidade o desmente, ele arranja logo um “inimigo externo” para distrair os americanos…
            Nisso, o Trump nunca desilude!…
            É uma criança birrenta que ataca tudo e todos que o contrariam.
            Outro modo tipicamente infantil de desviar a atenção do essencial, é fazer comparações com Obama, etc, como se o erros de um desculpassem os de outro!

  2. Filipe Bastos says:

    Creio que é esta a sua confusão e a de muita gente, Sr. Figueiredo: o problema não é Trampa nem é Obama; ambos são fantoches de um sistema podre, de uma democracia de fachada, de um crony capitalism cuja degradação acelerou nos últimos 30 anos com o desaparecimento do seu único antagonista – o “império do mal” que ainda o forçava a fingir algum fragmento de decência.

    Trampa, Obama, os Bush (o pai mafioso e o filho retardado), Clinton, Reagan, todos são meros títeres dos Donos Disto Tudo, do armamento às farmacêuticas, dos seguros à Banca e seus sacrossantos ‘mercados’, que mandam mais que os presidentes dos EUA, da Rússia e da China juntos.

    Obama era, quando muito, menos alarve e boçal que Trampa. Este dá mais nas vistas, é ele próprio um mamão trafulha, enquanto Obama era negro e ‘cool’ e ‘hip’ e outras tretas que a carneirada esquerdalha-caviar muito preza. Mas o efeito é quase o mesmo, como se vê pelos exemplos que elencou.

    De resto, o sistema político e o circo eleitoral dos EUA é algo tão absurdo, com regras tão abstrusas, e tão irremediavelmente viciado por lobbies e mamões, que estranho seria se algo de jeito de lá saísse. O tramposo Trump é apenas par for the course.

    • Francisco Figueiredo says:

      “É mais um político que sente que tem o mundo nas suas mãos e que faz dos Estados Unidos a mãe de todos.”, tal como disse.
      Em nenhum ponto defendi o Trump. Apenas critiquei os incoerentes.

  3. Paulo Marques says:

    O desemprego diminuiu, é verdade, porque é um indicador de merda. A população empregada, que é muito mais comparável do que desempregados activos, não chegou a aproximar-se da de 2007, nem na Eurolândia, nem na Freedomland. E isso vê-se pela falta de qualquer pressão sobre os ordenados, ao contrário do que afirma. Ou não tivesse o Sr. Powell a admitir que não faz ideia do que aconteceu à curva de Phillips.
    Trump não é malvado, prender crianças em jaulas é normal, dizer que há pessoas decentes entre supremacistas brancos é normal, impor sanções até lhe comprarem um hotel é normal, dizer que a Nâmbia (sic) é uma nação de merda é normal, destruir a capacidade de resposta a pandemias é normal, deixar o território nacional de Puerto Rico sem electricidade durante 6 meses porque não gostam dele é normal, colaborar com estrangeiros para influenciar eleições é normal, ter o estado a confiscar máscaras importadas a estados democratas para a empresa do familiar as vender é normal, destruir as protecções ambientais é normal, matar um representante estrangeiro num país terceiro é normal, insultar constantemente todos os jornalistas e meios de comunicação que duvidam é normal, espalhar que se deve consumir um medicamento extremamente perigoso que não funciona para combater a pandemia é normal, acabar com legislação de combate ao aquecimento global é normal, etc, etc, etc, etc. Se quiser mais, é só pedir, até pode pedir por tema! É um verdadeiro democrata!
    Onde estavam os críticos de Obama? Pá, eu estava aqui, pode ir procurar. Ao menos não era Hillary, e certamente não era Republicano, mas deixou-lhes/nos a catástrofe Biden para lidar nos próximos 4 anos. Mas de quem acredita que o dinheiro cresce nos ricos, espera o quê, que não lhes faça as vontades todas?
    Ninguém sabe qual é a ideologia de Trump? É natural, não tem nenhuma, defende tudo e o seu contrário consoante o que é mais popular na Fox News num determinado dia. Literalmente, quando ninguém percebe como é que se lembrou de dizer alguma coisa, horas antes estava o disparate nas notícias falsas. A única coisa que o rege é o narcisismo e a conta bancária. Ao menos percebe-se porque é que os libertários o defendem.

    • Francisco Figueiredo says:

      Mais uma pessoa que não deve ter entendido o que escrevi ou então eu interpretei-me mal. Não defendo o Trump. Simplesmente, critico aqueles que são incoerentes nas suas opiniões. Nada mais.

      • POIS! says:

        Pois lá está!

        À falta de melhor os inefáveis partidários do Ímpeto Liberalesco, partideiros da tal ideologia que funciona, mas não se sabe onde (talvez no Vietname – para onde foi o chefe – e também já na Coreia do Norte), e por terem ficado completamente desorientados com a crise, agora limitam-se a apontar as incoerências dos outros.

        Em resumo, o Sr. Figueiredo não gosta do Trump, mas gosta ainda menos dos que criticam o Trump, não porque goste do Trump, mas porque não gosta das críticas a Trump dos que não gostam do Trump e estão sempre a atacar Trump, indivíduo de que o Sr. Figuiredo não gosta, mas gosta ainda menos dos que dele não gostam.

        Até porque o Trump não é propriamente um tipo com quem se vai beber uns copos, coisa que le nunca faria porque não gosta do Trump, mas muito menos gosta dos que acham o Trump tão execrável que nunca entrariam numa tasca onde estivesse o Trump porque não gostam dele.

        Ou seja, os bronzeados surfeiros que, ainda há pouco, se empoleiravam garbosamente nas pranchas, enfrentando as ondas com ar de sucesso, limitam-se agora a estar agarrados às mesmas à espera do nadador-salvador pago pelo Estado. A culpa da alição por que passam é, obviamente, do padeiro que, de forma incoerente, não se prontifica a levar-lhes o pequeno-almoço à água.

        Aguarda-se ansiosamente uma resposta a este comentário que contenha as palavras Venezuela, Maduro e pneumoultramicroscopicossilicovulcanoconiose. .

      • Paulo Marques says:

        Mas incoerentes em quê? Não me parece que nem na política externa a coisa seja semelhante, nem que seja pelos antecessores ao menos darem-se ao trabalho, quase sempre, de dar um ar paternalista de preocupação à coisa, agora nem isso resta, é tudo transparentemente sobre os interesses do presidente.
        Mesmo sobre o médio-oriente havia limites, mais ninguém mudaria a embaixada para a capital da teocracia para “trazer a paz”.

  4. António de Almeida says:

    Caro Francisco Figueiredo,
    Apoiar políticos de outras nações, vale o que vale, mas apoiei Obama em 2008 e repudiei D. Trump desde que se apresentou às primárias em 2015. O que não me impediu de considerar ridícula a atribuição do Nobel da paz a Obama, ainda não tinha sido empossado. O gozo que me daria ter visto a cara dos membros do comité Nobel em 2011, mas adiante.
    Sobre D. Trump é difícil criticar as suas ideias políticas, porque ele é tudo e o seu contrário, um cata-vento, procurando acima de tudo gerir a imagem. Quando corre mal, há sempre alguém da sua própria equipa para sacrificar. É autoritário, o que leva a vários choques institucionais, saindo normalmente a perder.
    A América está de facto dividida, pior, democratas e republicanos odeiam-se, provavelmente com culpas de ambas as partes e não começou com Trump nem tão pouco com Obama. Já vem das eleições em 2000, ou talvez mesmo do impeachment a Bill Clinton.
    Mas há algo que também tenho notado na imprensa portuguesa e isso sim me preocupa, a selectividade na escolha das notícias. O governo espanhol é um verdadeiro desastre, aqui bem ao lado, mas os noticiários apenas falam nos EUA e Brasil, de vez em quando no UK quando Boris se põe a jeito. Mas veja se algum noticiou esta bizarria de ontem:
    https://elpais.com/espana/2020-04-19/pp-y-cs-piden-la-comparecencia-de-marlaska-por-unas-declaraciones-de-la-guardia-civil-sobre-los-bulos.html

  5. Daniel says:

    Quando alguém escreve: “só em Portugal…”, já se sabe que, normalmente, vem aí asneira e, este caso não foi excepção!!
    Ninguém com “dois dedos de testa” precisa da opinião do Rodrigo Guedes de Carvalho (ou outro) para formar a sua própria opinião sobre o Trump – basta ver/ouvir o que ele diz (e des-diz!) e escreve no Twitter para se perceber que dali só pode vir asneira, mentira e disparate!!
    E, quando a realidade o desmente, ele arranja logo um “inimigo externo” para distrair os americanos…
    Nisso, o Trump nunca desilude!…
    É uma criança birrenta que ataca tudo e todos que o contrariam.
    Outro modo tipicamente infantil de desviar a atenção do essencial, é fazer comparações com Obama, etc, como se o erros de um desculpassem os de outro!

    • Paulo Marques says:

      Bem lembrado, também não é verdade que “só em Portugal”. Basta ver os tratados sobre a Grécia emitidos por qualquer tudólugo, para não falar nos outros países. Ou os disparates sobre Corbyn. Ou as meias-verdades sobre Maduro e Morález. Ou o conteúdo quase todo da Fox News e da OANN.
      “Só em Portugal”, como se Espanha e a sua imprensa saudosista não fosse aqui ao lado.

  6. Henrique Silva says:

    O planeta estaria bem lixado se Trump fosse malvado. Felizmente para a espécie humana, para se ser minimamente malvado é preciso ser minimamente inteligente também.
    Olhar para a questão Trump pela tradicional óptica da esquerda-direita é tanto pateta como desonesto. Comparar Trump com Obama (ou qualquer outro cidadão com a 4a classe) é fútil: são pessoas que nem jogam na mesma liga. Independentemente de se gostar ou não das suas decisões, Obama é um profissional. Obama chegou a onde chegou devido ao seu carisma e competência, assim como alguma esperteza política. Trump não é mais que um sintoma da enorme desigualdade económica que se vive nos EUA, assim como o culminar das décadas de desinvestimento público na educação pela direita americana. Há uma razão para Trump ter tentando e falhado esta candidatura por várias vezes antes de 2016, tal como em praticamente tudo na sua vida privilegiada.
    Se Trump morrer hoje, depressa surgirá outro tão idiota (mais não que é impossível) a ocupar o vácuo ideológico criado pelos falhanços constantes dos neoliberais conservadores americanos antes de 5a feira. O mesmo é válido para o resto do mundo. Se o nosso Ventura se esquecer de tomar os comprimidos e aparecer amanhã nu numa valeta com apenas um cinto de cabedal ao pescoço, os labregos de Portugal depressa se colocarão atrás do próximo mongo na fila.
    Obama não foi perfeito, cedo. Mas durante os 8 anos em que esteve no poder, 6 dos quais com casas no congresso hostis num típico exercício de cegueira ideológica conservadora, Obama deixou muita coisa feita. Durante um período de tempo similar entre o fim dos anos 80 e meados da década de 90, Trump por outro lado conseguiu perder mais dinheiro que todos os americanos juntos. 1.2 biliões para ser preciso. É o que dá quando o maluquinho da aldeia têm pais ricos…
    Agora que andam por aí muitos nabos que se revém em tamanho falhado, sim, é tanto de triste como de cómico. É triste pensar que por aqui, onde a educação e cultura não é assim tão difícil de obter, haja tanto bronco que olhe para um tanso que arruinou meia dúzia de casinos numa década e se sinta inspirado. Mas vá, é cómico vê-los a tentar vender um tipo que nem para polir tampos de sanita serve como um líder inspirador…

    • Daniel says:

      Excelente análise.
      Felizmente o Trump é um malvado falhado por falta de capacidade intelectual para ser um malvado razoável…
      Infelizmente há demasiados palermas a olhar para ele como um líder sábio e o pior é que boa parte deles estão no maior “império” da atualidade!!


    • Meu Deus! Como é possível arruinar um casino?!

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