Educação: proximidade à distância

[Rui Correia]

Tenho andado um bocadinho apreensivo com a utilização que vai sendo feita das videoconferências com alunos.

Estamos a atravessar um momento que representa uma grande oportunidade para colocar em prática aquilo que uns chamam Aprendizagem ou Pedagogia Diferenciada e outros chamam outras coisas, mas que significam a mesma preocupação:

a cada miúdo uma atenção especial. Particular. Única como ele.

Porque a aprendizagem remota pode aproximar-nos, muito humanamente, uns aos outros.

Há professores a dividir as suas turmas em grupos, multiplicando as videoconferências e a sua carga de trabalho, para poder dedicar mais tempo a cada aluno.

Aplaudo sonoramente essa dedicação e profissionalismo.

A ideia de replicar um modelo magistral, unidireccional, de ensino por videoconferência, ou seja, circunstâncias em que um fala e os outros escutam é, per se, uma prática pedagogicamente muito limitada e mortalmente aborrecida. Não deve ser repetida agora em vídeo.

A utilidade de uma aula não se mede por tudo quanto um professor faz, mas por tudo quanto os seus alunos produzem.

Contudo, esta premência de uma aprendizagem diferenciada assume agora um contorno muito mais particular: é que agora temos a obrigação profissional (que é simultaneamente ética) de saber adequar as tarefas que queremos que os alunos executem aos equipamentos que eles possuem. A diferenciação ganha, assim, uma materialidade muito mundana e concreta.

Muito embora todos os alunos tenham um qualquer equipamento digital, nem todos têm acesso a computador ou impressora. Mandar imprimir e esperar que os alunos façam coisas, sem ter a certeza de que todos o podem fazer, não é aceitável, nem é profissional. É amadorismo.

Isto significa que devemos, nestes muitos casos, (e são centenas em todas as escolas), procurar que os alunos possam realizar tarefas que os entusiasmam, recorrendo apenas aos equipamentos que sabemos que possuem.

Aquilo que não podemos fazer é converter as videoconferências em espaços de cabeças falantes, encher salas de aula virtuais com TPCs e chamar a isso educação a distância.

Repetir este erro ė esquecer todo o conceito de e-learning. Ou, como dizia um aluno:

“Chama-se a isto educação à distância porque desta maneira estou longe de aprender alguma coisa”.

Ensina como gostarias de aprender. Não faças aos outros o que não gostavas que te fizessem a ti.

Digo eu, vá…

Comments


  1. É surpreendente ver como todos os tipos de professores hoje pensam sobre técnicas de ensino à distância sem consultar os especialistas.
    A videoconferência não é a única opção educacional.
    É hora de quem mais conhece.
    Na Aprender21, trabalhamos com um oftalmologista diferente em nosso treinamento certificado Especialista em E-Learning.