Para o BE, tragédia era não se aproveitarem da tragédia

Se a realidade não acompanhar o que pensamos, é fácil, altera-se a realidade.

Haverá algo que melhor ajude a perceber o carácter de alguém que a sua capacidade para se aproveitar de uma tragédia em proveito da sua agenda pessoal e ideológica?

Sem factos ou indícios válidos que sustentem aquela afirmação (pelo contrário, as autoridades policiais desmentem, para já, essa conclusão), o calculismo impele esta gente para, desde logo, tentar enviesar a opinião pública no sentido que lhes dá jeito. A verdade, os factos ou a realidade são pormenores que podem ser alterados a gosto.

Perdão, faltei à verdade. Há, realmente, um facto que podia indiciar racismo: a cor da pele da vítima. E isso é, ainda, pior. Sendo certo que sem esse factor, não poderia, provavelmente, haver um crime racista (quase uma condição “sine qua non”), também é fácil perceber que usar apenas esse facto para concluir pela existência de racismo em dada situação, evidencia uma predisposição muito, mas mesmo muito racista.

Aliás, e perdoem, desde já, a afirmação, mas a sensação que me provocam este tipo de, apreciações é que parece haver um desejo (obviamente, não assumido) que ocorram mais tragédias deste género para poderem provar um ponto.

Ah, e por muito que tentem confundir, a possibilidade, ou não, de terem ocorrido insultos racistas, não transforma o homicídio num crime racista. Um assassinato racista implica que as razões que decidiram a acção de matar se devam a diferenças étnicas.

Comments

  1. Paulo Marques says:

    «o homem de 80 anos que assassinou o ator Bruno Candé já lhe teria, noutras ocasiões, dirigido insultos racistas e ameaças de morte»
    « o homem de 80 anos dizia com frequência ao ator que este devia “voltar para a sua terra” e que um dia o iria matar.»
    «”o seu assassino já o havia ameaçado de morte três dias antes, proferindo vários insultos racistas”»

    O que vale é que desligou o racismo mesmo antes de lhe dar um tiro.
    Enfim, o Carlos é péssimo a disfarçar.

    • Fernando Manuel Rodrigues says:

      Pelo que li, eles andavam pegados por causa da cadela. E o homem não se pegava com mais nenhum negro, ao que consta (apenas com aquele, especificamente). Por isso, estamos perante um caso estranho de “racismo pessoalizado”.

      E o que são exactamente “insultos racistas”?

      • Paulo Marques says:

        Se calhar devíamos todos andar com uma câmara e um diário pormenorizado dos nossos pensamentos para deixarmos registo se somos ou não racistas. Entretanto, é pá, é deixá-los morrer e ser cidadãos de segunda mais umas décadas até sabermos se ainda há racismo.


  2. um branco mata um preto… racismo (entre outras coisas divertidas)
    um preto mata um branco… racismo (entre outras coisas divertidas)

    Sendo isto actividades rotineiras dos degenerados animais umanos nem estou a ver porque raio isto é motivo de notícia, a não ser que o gangue das televisões já tem ordem para falar de outras mortes que não apenas mortes com etiqueta OPERAÇÃO COVID…

  3. Filipe Bastos says:

    O velho é maluco, quem dá quatro tiros a alguém na rua por discutir sobre uma cadela é maluco, e insultou o Candé da maneira que lhe pareceu mais fácil e eficaz.

    Se o fulano fosse gordo chamava-lhe badocha; como o Candé era preto mandou-o para a terra dele.

    Ainda que o velho seja racista, isso não implica que a sua motivação foi racial. Um maluco mata qualquer um. Só é notícia porque um é branco e outro preto; mas reparar nisso e atribuir-lhe tanta importância, como diz o Osório, é racista em si mesmo.

    Mais, e o Osório nem foi por aí, embora pudesse ter ido: só é notícia porque foi o branco a matar o preto. Ou o Paulo Marques acha que não, e que a Catarina – e toda a gente – faria tal escarcéu se tivesse sido ao contrário?

    • Paulo Marques says:

      Tem razão, um branco a matar um negro não devia ser notícia; tal como o cão a morder o homem, é o dia a dia e não tem nada de novo.

      • Filipe Bastos says:

        Não percebi, Paulo: está a dizer que havia gritos de ‘racismo!’ se tivesse sido o preto a matar o branco?

        O Berloque berrava na mesma sobre um “crime horrível, um assassinato violento, racista”?

        Ou será que aí já não era uma tragédia nacional e, quase por magia, já não era ‘racismo’ – era só um maluco que matara alguém?

        • Paulo Marques says:

          Podia ser racismo, claro. E acontecem. A diferença é que não vinham os privilegiados todos limpar a imagem do assassino.

          • Filipe Bastos says:

            Continua sem responder, Paulo: era notícia? Havia gritos de ‘racismo’?

            O Berloque berrava na mesma sobre um “crime horrível, um assassinato violento, racista”?

            Sobre privilégios: um branco pobre é privilegiado em relação a um preto remediado? E a um de classe média? E a um rico?

          • Paulo Marques says:

            Não, porque o relevante é a perpetuação do crime de quem tem poder sobre quem não tem. E a isso nem as maiores estrelas do mundo, sejam actores ou futebolistas, escapam.
            Não conte comigo para fazer um campeonato sobre quem é mais abusado, mas note que um deles não é estatisticamente independente do outro.


    • “Se o fulano fosse gordo chamava-lhe badocha”
      Isso também significaria que o agressor não sentia grande tolerância por gordos.

  4. Henrique Silva says:

    E a sustentação para tão fraco argumento é… o Observador…
    É como tentar martelar num prego com um bloco de manteiga, só faz sentido na cabeça do idiota que o tenta em primeiro lugar.
    O Observador está para as notícias como a Wikipédia está para as citações académicas: só faz sentido para quem não tenha ideia do que está a falar.
    Agora que anda por aí muito parvinho a tentar acreditar que não é racista, apesar de não ter feito outra coisa na vida, para esse bronco este tipo de argumentação é mel. Daí o Observador, esse “fórum noticioso” que não é mais que um ardina aos berros em frente a uma saída de esgoto.
    O homícidio teve motivos racistas? Uma vez que os orgãos de comunicação propriamente ditos, ou as autoridades competentes, ainda não o comprovaram, a opinião mais segura é exactamente essa: esperar e ver. Mas agora que o pasquim que os maluquinhos gostam de citar para cativar a sua própria ilusão de intelectualidade o negou, estou cada vez mais inclinado para pensar o contrário, e isto é o máximo de relevância que cedo a esse desperdício de memória computacional.


    • Ser progressista é isso mesmo, ter opinião ao revés de quem se diga conservador.
      Jogada da maior inteligência, extraordinária percepção extrassensorial, cretinice fundada no ser diferente do senso comum, ser assumidamente estúpido é prestígio assegurado na tribo progressista..

      • Paulo Marques says:

        Desde o iluminismo que se sabe que o senso comum é uma treta porque a realidade é complexa, mas também não é a primeira vez que o Menos nos diz que a humanidade foi sempre a cair desde então.


        • «o senso comum é uma treta porque a realidade é complexa»

          Parece estúpido, é estúpido. mas é fundamento do pensamento esquerdalho-progressista e traduz o seguinte:
          Ignoremos a complexidade da realidade e tratemos cada questão como se não houvesse mais mundo: hoje indigno-me pelo canis não serem à prova de fogo, depois é dia de clamar pelo ant-racismo a propósito de uma cena que mete um cão, se nada mais houver sempre há banqueiros, falemos mais adiante de incêndios florestais (…se bem me lembro até podem arder canis), e virá a data em que comemorará a gloriosa lei que proíbe abater cães que ninguém quer…

          • Paulo Marques says:

            Vá procurar algum sítio onde tenha dito que apoio o não abatimento de cães. Boa sorte, porque, lá está, é complexo.
            Quanto ao resto, vai estudar, pá.
            «Explanations exist; they have existed for all time; there is always a well-known solution to every human problem—neat, plausible, and wrong. The ancients, in the case at bar, laid the blame upon the gods: sometimes they were remote and surly, and sometimes they were kind. In the Middle Ages lesser powers took a hand in the matter, and so one reads of works of art inspired by Our Lady, by the Blessed Saints, by the souls of the departed, and even by the devil.»

  5. antero seguro says:

    É inacreditável. Bem pior do que ser racista são aqueles idiotas que os pretendem branquear.


  6. Essa cena de não haver racismo em Portugal desorienta completamente os bestuntos esquerdalhos.
    Tiveram colónias e não eram racistas?
    Andaram aos tiros com pretos e não eram racistas?
    Pode lá ser!
    O cão do preto é que foi o problema?
    Pode lá ser!

    Por este andar lá se vão os cobres para a luta anti-racista…

    • Democrata_Cristão says:

      O que vale é que eu JgMenos, sou Salazarista assumido, e que para alem de fascista, também sou racista

    • Paulo Marques says:

      Sabes tanto de história como de economia.

    • Henrique Silva says:

      A solução para os erros do passado é… nunca parar de os cometer. O racismo só é um problema se o considerarmos como tal não é? Génio. Argumentação à prova de bala…
      Típico falhado de direita: se a realidade não bate certo com o que anda na cabecinha, há que insistir na mentira até que uma das duas ceda (normalmente a cabecinha e por isso é que a malta conservadora só serve para inspirar piadas).

  7. Sarfarão Azevedo says:

    CHEGA e LEVANTA-TE e faz-te à vida, pois disfarças cada vez pior. Que gente…

  8. R SANTOS says:

    ” Se a realidade não acompanhar o que pensamos, é fácil, altera-se a realidade.” E que força para provocar a alteração? O Observador naturalmente.
    Esté tudo dito.

  9. Albino manuel says:

    Osório, oh Osório, o teu pai devia ter posto a camisinha.

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