Grande paneleiro!

Gosto de pessoas que façam bem umas às outras, independentemente da profissão, não me interessa se são mais convexas ou mais côncavas ou se alternam em dias da semana. Que sejamos todos muito felizes, é o que vos desejo, especialmente a mim.

Paneleiro é um termo delicioso que serve, sobretudo, para apoucar, de forma jocosa, homens, heterossexuais ou não, porque no mundo não necessariamente desagradável do humor masculino, machista ou machistóide, pôr em causa a virilidade alheia é um passatempo fundamental. Há outras brincadeiras maravilhosamente idiotas entre os homens e que consistem, por exemplo, em insinuar ou, de preferência, afirmar que o outro tem problemas de erecção ou que é traído pela legítima com uma multidão de outros homens, que podem corresponder, entre outras possibilidades, a uma chusma de marinheiros que estavam há meses sem ver claramente vista uma mulher que fosse. São palhaçadas idiotas, o que não impede ninguém de ser saudável.

É, também, uma palavra perfeitamente desagradável, quando usada (ou escondida) para insultar. Os homofóbicos escarram-na, com horror, misturando na saliva, quando calha, razões religiosas ou manifestações de superioridade. Os não homofóbicos também podem usá-la como insulto gratuito que não chega sequer a conter alusões sexuais, podendo ter o mesmo valor de tantas outras injúrias e podendo ser complementada por referências vácuas ao órgão sexual masculino, que, como se sabe, é um órgão do caralho.

József Szájer, um eurodeputado húngaro próximo de Órban, foi apanhado em Bruxelas numa orgia gay. Não faço ideia se as orgias são legais e só me interessa que toda a gente se dê bem. Ilegal era, pelos vistos, a quebra do distanciamento imposto pela pandemia em vigor. O eurodeputado tentou escapar à polícia, descendo por um algeroz, em trajes menores do que menores e com droga numa mochila. Este mesmo eurodeputado, na sua Hungria, fundou o partido que está no poder e opõe-se à igualdade de direitos para as pessoas LGBT e pretende proibir a adopção por casais homossexuais. É autor da Constituição de 2011, onde está escrito que “a Hungria protegerá a instituição do casamento como união de um homem e de uma mulher”.

Szájer talvez seja um egoísta e quererá proibir a homossexualidade alheia por não gostar de concorrência ou, então, será um dos muitos hipócritas que pregam uma coisa e praticam outra. Tem tudo para ser grande amigo de André Ventura.

Em resumo e na minha opinião de especialista: este homem é um paneleiro da pior espécie, não por ser homossexual, mas por ser apenas mais um filho da puta. Não, não conheço a mãe do senhor, mas isso não tem importância nenhuma – o que assusta é saber que o mundo continua dominado por hipócritas que andam há centenas de anos a impor moral a outros, enquanto praticam o que querem proibir, envergonhados por viverem num armário donde não querem que ninguém saia. Para bem de todos, deveriam estar a receber tratamento, mas, em vez disso, estão a governar países.

Comments

  1. Rui Naldinho says:

    As orgias gay na Hungria são como os abortos nos anos sessenta e setenta do século passado, em Portugal. Só “são legais” para gente fina, da alta sociedade, longe dos olhares curiosos da plebe e da CS. Este “FdP” teve azar e foi apanhado por uma câmara indiscreta.
    Pertencer às elites é bom a todos os níveis. Até mesmo para levar no cu.

  2. JgMenos says:

    Umas tantas imbecilidades e lugares comuns para fazer o que é costume: meter tudo na mesma panela a propósito e a despropósito.
    Que um paneleiro possa ser contra a adopção de crianças por casais homo, pode tão só significar que é um paneleiro que sabe do que fala quando o faz.
    O que eu vejo de idiotas a idealizar a relação homo como plenamente equiparável à relação hétero, sempre me faz lembrar ‘ a bondade natural do homem’ e tantas outras merdas que povoam os cornos da esquerdalhada, contra toda a evidência da natureza.


    • Ui, menos, sempre tão macho! Aposto que ficas excitado quando olhas para o espelho!

    • Filipe Bastos says:

      A bondade pode ou não ser natural; a tacanhez é de certeza. Pelo menos entre direitalhas nunca desilude.

    • Henrique Silva says:

      Ahh, a dualidade de critérios, ou quando o fascista é confrontado com a própria estupidez.
      A direita, e o fascismo por extensão, não é mais que um conjunto de princípios dogmáticos para vender aos pobres, enquanto os fachos que os carregam passam a vida a mijar fora do penico. Este caso é cómico porque junta num só parágrafo toda a burrice que a direita é conhecida, com muitos pózinhos de hipocrisia à mistura, mas os direitolas tugas não são muito diferentes.
      O aborto é muito mau… se for uma pobre violada pelo tio. Se for a mulher a dias da 2ª vivenda de Sintra… é completamente diferente.
      A erva é terrível… para o pobre que precisa de se endividar para continuar a comprar os anti depressivos fabricados pelo tio. Mas meia dúzia de ganzas à beira da piscina aquecida? Ah, isso é diferente.
      À direita tudo é relativo. A aplicabilidade das leis depende da dimensão do património e do peso social do apelido. Daí andarem borrados de medo do socialismo. Não tem nada a ver com qualquer princípio fantasma ou ameaça sul-americana mas um pavor existencial de serem forçados a lidar com as mesmas regras que o resto

    • POIS! says:

      Já os cornos da direitalhada…

      …são povoados em conformidade com a natureza e as suas evidências.

      É por isso que JgMenos passa frequentemente despercebido quando passeia pelos jardins. A simbiose é tal que chegou a voltar para casa com duas cegonhas no cucuruto. Felizmente heterossexuais, já que foi a fêmea que chocou o ovo!

    • Albino Manuel says:

      Na mouche. Mas convenhamos, oelo Porto a linguagem é mais solta. Noutras bandas do país é melhor não arriscar a palavra.
      Agora quanto ao tal é isso e muito mais. Acrescente o ecstasy.

  3. Filipe Bastos says:

    Há anos foi aquele austríaco, o Haider. Muito antes, é conhecida a história de Röhm e das SA. Pertencer à extrema-direita parece ser um claro indicador de paneleirice.

    É sabido que quanto mais estridente a homofobia, como agora se diz, mais provável a negação ou a hipocrisia. Um heterossexual está-se nas tintas para o que os gays fazem ou deixam de fazer; não o afecta nem prejudica; mais sobra.

    Torna-se apenas algo enjoativo: as paradas, o parolo ‘orgulho’, a desproporcional presença no showbiz. Mas a aversão ostensiva a gays é sempre suspeita. O Szájer é só mais um.

  4. JgMenos says:

    Temos uma nova variante de identidade de género: o paneleiro de direita, ser perverso e desprezível e o gay esquerdalho, esse ser angélico que dá ou toma o cu com a maior das elevações espirituais e com especial talento para funções parentais.

    • Burro mais burro não há! says:

      És mesmo burro, ó Menos!
      A diferença não é entre um paneleiro de direita e um de esquerda. A diferença é entre um hipócrita de direita, que por acaso até é paneleiro como tantos outros, independente da opção política, mas que defende restrições sociais aos homossexuais, como por exemplo, o casamento entre pessoas do mesmo sexo, mas ao mesmo tempo não se inibe de levar no cu à força toda, em orgias.
      Agora meu asno, diz-me lá em que é te afectou na tua vida privada, a aprovação do casamento entre pessoas do mesmo sexo, vulgo gay’s, em Portugal?
      A mim e à maioria dos portugueses não me incomoda nada. Eles que sejam felizes.
      Já a ti, pelos vistos deve causar-te comichão.
      Não será nos entrefolhos do cu?

      • JgMenos says:

        És uma besta!
        Que paneleiros e fufas se juntem, façam juras e contratos, ou se comam numa berma, tanto se me dá.

        Mas pretender que fundam uma família, nos termos em que isso é entendido desde a criação do homem, é a cretinice progressista de bestas como tu!!!!

        • José Peralta says:

          Ó “menos” !

          Sinceramente, eu “temia” que não saísses do armário, para responderes ao excelente e humorístico texto de António Fernando Nabais !

          Entre os eufemísticos arrôtos.com que costumas aqui “brindar-nos”; entre as generalizações que fazes entre idiotas paneleiros ou não (“meter tudo na mesma panela” escreveste tu, ali em cima, acusando outros de o fazer…), afinal o que é que pensas sobre o paneleiro húngaro e…”homofóbico” ?

          Metes tudo “na mesma panela”, talvez pensando “eufemísticamente” no ajuntamento da “paneleiragem” (sem ofensa) em Bruxelas ! Mas,em concrecto, sobre o paneleiro que é contra a “concorrência”, NADA ?

          E vê lá tu, que até o teu querido e viscoso ventura, já diz que não é “contra” e até admite que hajam paneleiros , até na cúpula (lá está “cú…pula”) do grupelho, mas que ele não sabe nem quer saber…

          E nem me admirava nada que, para tentar obter uns vótinhos de que precisa como o pão p’rá boca”, saísse também do armário para “agradar” à comunidade homossexual …

          Mas… deixando a porta aberta, para, conseguidos os vótinhos, voltar para lá e…fechá-la (como costuma fazer constantemente…)

          Está muito “á frente” de ti, ó “menos”, até mais “democrático” que tu, que tal como o “chega”…p´ra lá”, dizem ser uns homofóbicos impenitentes (e…do caralho…)

        • Burro mais burro não há! says:

          ” Agora meu asno, diz-me lá em que é te afectou na tua vida privada, a aprovação do casamento entre pessoas do mesmo sexo, vulgo gay’s, em Portugal?”

          Continua a zurrar, asno. Um dia ainda vais descobrir um dia, lá mais para a frente, que viveste uma vida cheia de preconceitos e nunca sais-te da mais tacanha mediocridade.

          • JgMenos says:

            Esterco, tens o umbigo por centro do mundo.

          • POIS! says:

            Pois é JgMenos!

            Não sei se V. exa. já leu a resposta do Esterco:

            “E tu tens o real fundo das costas! Dá cá um abraço! Vem aos teus, JgMenos, meu querido Mundocentrista”!

    • António Fernando Nabais says:

      Aproveita, menos, que, agora, já podes casar.

    • POIS! says:

      Pois finalmente entendi! Obrigado JgMenos! Há diferenças, e são significativas.

      Pelos vistos os de direita se desunham a fazer panelas, enquanto os de esquerda se limitam a ser uns “alegres” inúteis a viver de obras do espírito e, presume-se, de subsídios!

      E o escândalo não fica por aqui! Esperem até o JgMenos acabar o trem de cozinha que tem em mãos e saberemos muito mais!

  5. Luís Lavoura says:

    É autor da Constituição de 2011

    Na Hungria a Constituição é uma peça literária de autor? Não é um trabalho coletivo?

    • António Fernando Nabais says:

      É o que diz o “Público” , referindo-se, decerto, à redacção do texto. Agradeço, mais uma vez, a pulsão do comentário.

    • António Fernando Nabais says:

      E é claro que “autor” se refere exclusivamente a peças literárias.

    • POIS! says:

      Pois é!

      É um trabalho coletivo e foi feita lá na sede do Fidesz, tudo muito juntinho, com pouca roupinha, para facilitar a circulação de idéias…donde resultou uma menina a que deram o singelo nome de Constituição.

  6. Luís Lavoura says:

    quererá proibir a homossexualidade alheia

    Ele não quer proibir ninguém de ser homossexual, ele quer proibir o casamento de pessoas do mesmo sexo. Não é a mesma coisa. O casamento não tem necessariamente a ver com o sexo. Há muitos homossexuais que são casados com pessoas do sexo oposto. Há muitas pessoas casadas que não fazem sexo entre si.

    • António Fernando Nabais says:

      Futuro que indica possibilidade. Sexo é usado, aqui, no sentido de género. A vontade de comentar é tanta que não se percebe o que se lê.


    • Sim, há muitos homossexuais que são casados com membros do sexo oposto.
      József Szájer é um desses casos. A senhora Szájer agora deve estar radiante por saber que nunca será traída por outra mulher.


    • “Ele não quer proibir ninguém de ser homossexual, ele quer proibir o casamento de pessoas do mesmo sexo. ”

      Há coisa de 100 anos na Alemanha, o partido do governo não tratou logo de meter os judeus em comboios para Auschwitz.
      Fora dando pequenos passos:
      Primeiro proibiram os casamentos mistos, depois proibiram os judeus de terem empregadas domésticas arianas, depois despediram os judeus da função pública.
      E 1942, depois de 10 anos de passos em crescendo lá se chegou ao desfecho de proibir as pessoas de serem judias.

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