Não votarei Mayan, dia 24

Não irei votar no Tiago Mayan, candidato apoiado pela Iniciativa Liberal, no dia 24 de Janeiro.

 

Tiago Mayan era um desconhecido dos portugueses até há umas semanas. Desde aí, deu para notar nas incoerências das pessoas. Aqueles que criticam serem sempre as mesmas caras na política foram os mesmos que criticaram o candidato liberal não ser um desses de sempre.

 

Depois de uma semana de debates, fica confirmada, perante o país, a imagem que já levava do Mayan. Num momento em que a política mundial se encontra tão polarizada, levando por arrasto o nosso país, foi necessário um liberal para combater todos os extremos, com dignidade, caráter e sem se juntar a um dos lados da barricada, quase num acordo tribal como se se tratasse de uma irmandade.

 

Tiago Mayan, tal como outras caras liberais, voltou a desfazer mitos sobre o liberalismo, mostrando que não passam de mentiras socialistas os tão famosos “querem acabar com o SNS” ou “querem acabar com a escola pública”, quando na verdade a proposta liberal é a única que não cede a preconceitos ideológicos e dá liberdade de escolha ao cidadão. Estas são as únicas maneiras da esquerda atacar um liberal: na falta de argumentos, inventa algo e combate a própria mentira que criou. É um exercício habitual em populistas.

 

Estas eleições estão marcadas pelo facto da personalidade mais escrutinada e tornada no centro das atenções ser o rapaz que está em terceiro lugar nas sondagens, André Ventura. E sim, André Ventura, com todas as letras. O candidato do partido unipessoal Chega não será derrotado pela censura ou pelo insulto fácil. Nem será chamando fascista a quem o apoia que as pessoas mudarão as suas ideias, porque ninguém no seu perfeito juízo se vai sentir atraído por aqueles que o insultam. É através das ideias que se derrotará esta gente. Por isso mesmo, Tiago Mayan Gonçalves foi o único que derrotou claramente André Ventura de uma forma positiva, porque apresentou uma alternativa clara aos portugueses e demarcou o espaço não-socialista democrático de populistas que tentam monopolizar todo um espetro através do sensacionalismo e do medo.

 

Estas eleições também ficam marcadas pelo identitarismo. Algo de que falo desde que iniciei a minha aventura neste blogue. Sempre defendi que a política deve estar livre de sentimentos, porque a longo prazo isso mesmo leva a ressentimentos e ressabiamentos. Na prática, um identitarismo que defenda uma maioria é mais perigoso do que um identitarismo de minoria? Sim, por razões óbvias. Mas a atitude que leva a ambos é igualmente grave e não podemos permitir que seja normalizado qualquer um deles. Só houve um candidato capaz de tratar as pessoas como seres capacitados, independentemente do seu fenótipo: Tiago Mayan. É pena que ainda achemos normal ter tão presentes os termos “minoria” ou “maioria”, que por si só são bastante discriminatórios. Se por um lado temos um André Ventura que quer “fiscalizar minorias”, do outro temos uma candidata que conta com as mulheres para mudar isto. Repito, o primeiro é mais grave, mas são estes tribalismos que queremos para o nosso país?

 

Fico feliz que as únicas críticas que consigam lançar ao candidato apoiado pela IL seja a sua forma de falar publicamente. O tom de voz com um nervosinho à mistura, comer algumas sílabas, a transparência das suas reações enquanto ouve educadamente o adversário e a expressão característica sempre que dá uma ótima resposta. Enquanto alguns olham para isto como defeitos, eu olho como algo positivo. A política é muito mais do que dialética. A política portuguesa chegou a um ponto, que a nossa exigência passa a ser ter alguém que saiba comer de faca e garfo, dizer bom dia e saber que se deve agradecer depois de alguém nos fazer um favor. Por isso é que Tiago Mayan além de representar bem o liberalismo, representa tudo aquilo que é democracia.

 

Por todas estas razões, não votarei Mayan dia 24 de Janeiro, mas sim na próxima terça ou quarta, pois votarei antecipadamente na República Checa. Serão 350 quilómetros, 700 no total, para exercer aquele que é um dever cívico de todos nós. E que prazer me dará votar no primeiro candidato liberal em toda a linha.

Votem para melhorar Portugal… Ou então noutro qualquer!

 

Comments

  1. JgMenos says:

    Não há liberalismo decente sem cultura de individualismo responsável e digno.
    Para combater 46 anos de colectivismo bandalho não creio que o IL seja no momento a solução.
    Há que primeiro derrotar a canalha.
    Voto Ventura.

    • Paulo Marques says:

      Claro, colectivismo é deixar pessoas e empresas entregues ao mercado que lhes enfia dívida para ter electrodomésticos que os biscates da Uber não dão para tudo.

    • António Fernando Nabais says:

      Ó menos, votas Ventura? Isso é que é uma grande surpresa! Realmente, é verdade, nos últimos 46 anos, no meio de muitos erros, mais pessoas passaram a viver melhor, mas antigamente é que era bom. Os teus avós não devem ter andado descalços, não deves ter tido analfabetos na família e não deves ter tido ninguém preso ou amedrontado pela PIDE. É natural que gostes desses tempos! Mas ainda bem que vives nestes, porque até tu tens direito a uma opinião.

    • British says:

      Diz o Menos

      “Voto Ventura.”

      Grande informação de um contabilista Salazarista

      Já que não pode votar Trump


  2. Ah, pois, o liberalismo é que é bom! Bom, mas para quem? Para os milhões de desempregados e precarizados? Para os milhões a receber salários de miséria? Para os milhões obrigados a fugir das guerras e da exploração desenfreada por parte dos tais países ditos liberais? Pergunte às elites de Wall St. o que pensam do liberalismo e logo vê.
    Não esbanjámos…………Não pagamos!!!!!!!!!!!!

  3. Paulo Marques says:

    Tem razão, não quer destruir, quer oferecer a saldo, como se viu recentemente, para os donos disto tudo poderem escolher a quem servem serviços agora universais, e pôr contribuintes a pagar-lhes a taxa de lucro, que o ordenado de príncipe das Arábias não se paga sozinho.
    Mas não é ideológico. Se fosse, percebia que quer enriquecer e empoderar quem financia aspirantes a ditadorzecos para lavarem dinheiro para fora do país. É burrice mesmo.
    E é tão macho que se borra se uma mulher quiser igualdade. Mas não é ideologia, nem sentimento, nem ressabiamento, porque diz que não é e pronto.

    Enalteço a postura do candidato, borrifo-me para as dificuldades de expressão, como para a gaguice de Vitorino, como para a sobranceria de Marcelo, como para a enervação de Ana Gomes, etc, excepto o coiso, que tudo aquilo é falso para ninguém reparar que treme e engole em seco. Não gosto é que me venham dizer que é preciso alguém saber comer com 5 facas e 5 garfos para ter inteligência, quando depois do MBA nem sabem fazer contas aos fluxos sectoriais.

  4. Tal & Qual says:

    Para combater 46 anos de colectivismo bandalho não creio que o IL seja no momento a solução.

    Este já esqueceu os 50 anos de bandidos a enviar concidadãos para o Tarrafal, Caxias e Peniche… este colectivismo bandalho, deveria agarrar-te pelos colarinhos e dar-te uma lição do que é agora Caxias, mas tinhas de levar meia dúzia de tubos de vaselina…

  5. Filipe Bastos says:

    Do que ouvi do Tiago Mayan, parece um tipo civilizado, aprazível, razoável. Um copinho de leite morno.

    É realmente liberal, daí o amor do Chico Figueiredo, mas não tem, ou disfarça melhor, as certezas direitalhas mais selvagens do CGP. Lembra mais o Cotrim: um direitista suave, um crente sincero.

    Claro que, como é normal nos direitistas, não deve questionar-se sobre a coincidência de a vida correr-lhe bem – advogado, “adepto de vela” – e as suas convicções mui nobres e liberais.

    Seria um bom PR? Nunca saberemos e, em bom rigor, todos os PR são meros fantoches caros. Entre o Martelo e o Mayan, se calhar até preferia o Mayan. Mas isso não é dizer muito.

  6. Rui Naldinho says:

    Ouvi hoje o debate entre Ana Gomes e Marcelo Rebelo de Sousa. A Anita levou um baile monumental. Um baile de alguém que está para o verbo, para a análise da realidade política, como o Eusébio ou o Ronaldo estão para a bola de futebol.
    Marcelo é um virtuoso do discurso político e da narrativa que pretende construir à sua volta, sobre a transversal personagem que pretende encarnar. Convence muito boa gente, acredito. Marcelo é no plano intelectual muito mais dotado do que os seus opositores. Num país evoluído, isso não bastaria. Em Portugal até sobra.
    Não votei em Marcelo, no seu primeiro mandato. Não tenciono votar nele para o próximo. Não voto nele por uma questão de princípio. Não acredito que Marcelo seja aquilo que foi neste mandato. Equidistante. Ou seja, para mim há uma raposa por detrás deste Marcelo. Um Marcelo manietado pelas sondagens que tardam em desequilibrar o barco em favor dos seus. Por uma Geringonça algo moribunda, mas que pode ressuscitar a qualquer momento, se vir que Marcelo pretende ser actor em favor da direita, como o foi Cavaco Silva.
    Resta saber se os timings correrão a favor ou contra Marcelo, obrigando-o de uma vez por todas a abrir o jogo, em favor do PSD.

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