A mentira e o lapso

A propósito da nomeação de José Guerra para a Procuradoria da UE, ficamos a saber que ao indicar dados falsos, com vista a fundamentar a nomeação de João Guerra em detrimento de outros candidatos, pelos vistos o Governo não mentiu: cometeu lapsos.

Ainda assim, apesar dos dados falsos invocados, o Governo continua a entender que a escolha está bem feita.

É cada vez mais notório, na sociedade coeva, que uma mentira rotulada de lapso é mais um passo para que a sociedade assimile a falsidade como normal. Ou, pior, como verdade. Tal como a administração Trump tentou implementar a lógica da verdade alternativa, para transformar a mentira em factos.

Donde se conclui que, neste aspecto, não há diferença ideológica na transformação da mentira em lapso, verdade, facto ou qualquer outra coisa que vise normalizar a falsidade e torná-la impune.

Este sinistro caminho, só serve para aumentar a descrença na governação e nas instituições. Bem como para alimentar os ódios que servem de pasto para os oportunismos mais extremistas e boçais que começam a mostrar força. Que serão mentirosos, inventores de patranhas e mestres do engano e da ilusão. Mas, jamais teriam oportunidade para vencer por tais meios, se outros antes tivessem sido, pelo menos, um pouco mais sérios.

Comments

  1. Rui Naldinho says:

    Bom texto, o qual subscrevo.
    Não há mais nada a acrescentar. Está aí tudo o que é essencial na análise do caso em questão.

  2. Elvimonte says:

    Exactamente, a mentira. E a fraude também, mormente. Tal como neste segmento:

    “The Most Extensive Voter Fraud Organization In History”
    https://newtube.app/TonyHeller/Ag4CS6F

  3. JgMenos says:

    Esse Guerra até pode ter competência.
    Mas o certo é que esse nome consta das escutas às conversas de cunhas para proteger o Pedroso do processo Casa Pia, envolvendo Costa e Ferro Rodrigues..

    • Paulo Marques says:

      Quem não tem uma escuta e uma busca da PJ não é ninguém neste país.
      Crimes é outra coisa, a parece que a deusa JMV também gostava de os cometer.

  4. Paulo Marques says:

    Peanuts.

    “O presidente da Associação Portuguesa de Criminologia pertence ao Conselho Consultivo da futura Fundação DePaco e o Caesar dePaço pertence ao Conselho Consultivo da Associação Portuguesa de Criminologia”

    • POIS! says:

      Pois está a ser injusto, Paulo.

      Em matéria de crime, o Caesar parece ser uma autoridade!


  5. A mentira enquadra-se no quadro mais vasto das acções enganosas e caracteriza-se por dois aspectos marcantes.
    Em primeiro lugar é um acto voluntário. Alguém decide faltar à verdade por sua iniciativa ou de outrem. Em segundo lugar é uma acto de linguagem verbal, falada ou escrita. Daí que uma imagem pode ser enganosa mas não é uma mentira.
    Assim, o caso do procurador integra-se plenamente no conceito de mentira. Por esclarecer ainda está quem é o autor da mesma. Mas isso, os media obedientes ao poder nunca questionam.

  6. Filipe Bastos says:

    “Este sinistro caminho, só serve para aumentar a descrença na governação e nas instituições.”

    Teria o J. Mário Teixeira razão, se houvesse ainda alguma crença. Não há. Exceptuando talvez crianças muito jovens, ingénuos militantes ou incorrigíveis otários, ninguém – NINGUÉM – tem sombra de dúvida sobre a trampa que nos governa.

    Mesmo quem não liga peva à política sabe, de ciência certa, que Portugal é um antro de compadrio e corrupção. E que o exemplo vem de cima, dos dirigentes, partidos e instituições.

    Apenas se finge, por hipocrisia e necessidade, que não é bem assim, que as coisas ‘vão funcionando’, que ‘não se deve generalizar’ e outras piedosas tretas. Mas no fundo todos sabem. E no centro de quase tudo está o Centrão Podre – e o Partido da Sucata.

    Certa esquerda, como já falámos, hesita em classificar o PS como aquilo que é: uma máfia. Por ter ‘socialista’ no nome, muitos comunas e afins têm uma relação de amor-ódio com o PS. Eu não tenho tais dilemas. A minha relação com o PS é só asco.

    • Paulo Marques says:

      Duas perguntas:
      – agora que se conhecem e investigam mais casos, é sinal que se sabe mais e/ou que há mais corrupção?
      – com tantas críticas à substituição da PGR, TC, e BdP, qual foi exactamente o brilhante resultado dos antecessores, e em que é que os dois últimos não são cargos políticos?

      Menti, uma terceira:
      – a magistratura nada tem a ver com esta trapalhada?

    • Filipe Bastos says:

      — Conclui isso de estatísticas ou de observação empírica?

      — Como em tudo neste regime podre, os antecessores seriam o ‘mal menor’: nada tinham ou fizeram de especial, mas os seus sucessores conseguem ser piores.
      O TC e BdP são supostamente entidades técnicas e isentas. O caso do Centeno foi o mais anedótico, ‘tinha’ de ser ele à força, como é habitual na xuxaria. Viu-se outra vez essa desfaçatez xuxa no caso do Guerra.

      — Os magistrados são como a maioria da FP: encostados que se especializam em encolher ombros. Alguns devem ter trapézios tão desenvolvidos que parecem culturistas.
      Ainda assim, sendo justo, muitos têm as mãos atadas. Interessa à classe pulhítica que a Justiça funcione mal. Ainda que fossem bons seria difícil fazerem muito melhor.

      • Paulo Marques says:

        Eu não concluí, perguntei. Já que pergunta, a memória é faltosa, mas não me lembro de tanta transparência ou indignação, e parece-me progresso. Parece.
        Não são cargos técnicos, não podem ser. A economia não é uma ciência, e não há economia sem política. Basta ver a quantidade de previsões disparatadas que dali sai, aqui e em qualquer outro lado.
        Antes tivesse a FP a união e consciência de classe de uma ordem, as coisas seriam muito diferentes.

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