O Socialismo a falhar? Não pode ser…

Esta semana, saiu a notícia sobre o fim do serviço da Uber Eats em três cidades. Este encerramento deve-se ao facto de o Governo ter limitado a subida das taxas de entrega e impedir a cobrança de comissões aos restaurantes acima de 20%. Portanto, uma espécie de tabelamento de preços, algo que costuma correr sempre bastante bem. O preço de algo pode até diminuir, mas o seu trabalho continua a precisar de ser feito. O esforço é o mesmo, o investimento também. Estas medidas levam a prejuízos de quem trabalha, de quem realiza o serviço. Portanto, a curto ou médio prazo, a situação torna-se insustentável. Eu sei isto e sou de letras.

Ora bem, o Governo achou boa ideia, mais uma vez, limitar o progresso. Tal como em qualquer bom estado socialista, diferentes níveis de riqueza assustam mais do que uma igualdade na pobreza. Com esta medida, o Governo acabou com postos de emprego de estafetas, dificultou a vida de pessoas que têm ou trabalham em restaurantes e ainda dificultou a vida das pessoas que querem encomendar comida através desta aplicação. Outra vez, o Estado limita a liberdade de escolha do cidadão.

Seriam as taxas demaisado elevadas? Não sei, mas se realmente eram, porque não criar condições para que outra empresa surja e concorra com preços mais baixos, em vez de criar obstáculos às existentes?

A verdade é que estas pessoas, que perderam o emprego por causa da única solução que o Governo tem para cada problema, ficaram sem os rendimentos que ganhavam ao servir outras pessoas. Infelizmente, os seres humanos ainda não comem palmas à janela com batatas ou “vai ficar tudo bem” à Gomes de Sá.

A pandemia não pode ser desculpa para impedir pessoas de progredir. Podemos até não deixar ninguém para trás, mas assim ninguém anda para a frente.

Comments

  1. Filipe Bastos says:

    A Uber mama 30% aos restaurantes. 30%.

    Sabe o Chico Figueiredo quantos milhões saem todos os dias da economia para os offshores – todos legais – da Amazon, Google, Facebook, Uber e afins? Duvido que alguém saiba.

    Sabe o que é essa sangria diária num país já pobre, dependente de esmolas e dos sacrossantos e extorsionários ‘mercados’?

    E ainda tem pena dos mamões? “Criar condições para que outra empresa surja”? Olhe, bem visto: era o Estado criar a porcaria duma app e acabar com a mama de vez. Se a classe pulhítica que temos não fosse uma porcaria ainda pior, claro.

    • British says:

      Não não sabem nem querem saber.
      O papel dos liberocas é meter veneno

    • Paulo Marques says:

      Se fosse o estado a criar, era despesismo e tava a favorecer alguém. A sociedade nunca ganha no mundo neoliberal.


    • A Uber mama 30% aos restaurantes e contas feitas 30% para a Uber + impostos e custos, os restaurantes pouco ganham. Alem disso, a Uber faz esse serviço recorrendo a muitos desgraçados brasileiros ( sem ofensa ) que como não têm papeis legais se sujeitas a trabalhar como doidos para ganhar uns tostões. Portanto, a Uber está no negocio apenas para ganhar …….sem custos. Tal como nos taxis, a Uber é um eucalipto que seca tudo á sua volta. Mas., se a Uber deixar de fazer a entrega de refeições em TODO o pais, havemos de sobreviver. Tal como sobrevivem muitas Pizzerias que ha muitos anos entregam ao domicilio sem necessitar da Uber para porra nenhuma. Quanto ao imperdoavel acto de limitar lucros concordo que é um crime. A margem de lucro deve ser livre – é o mercado, estupido, é o mercado . senão, como poderiam os supermercados pagar a fruta e os legumes por tostões e vender por milhóes ? Viva a ganância sem freio nos dentes!

  2. Paulo Marques says:

    Extraordinário como faz de conta que a Uber não tem regras próprias, bem como a sua capacidade para perder dinheiro até ser monopolista.
    Igualmente extraordinário como não vem enaltecer o sucesso da liberdade do mercado eléctrico do Texas, deixando cidades sem luz por dias e com canos a rebentar a destruir habitações como um bom estado do terceiro mundo.
    Rumo à liberdade do século XIX, só falta pôr as crianças a trabalhar e estamos quase.

    • POIS! says:

      Claro, Paulo!

      Ainda bem que trouxe o exemplo do Texas.

      O Texas é o estado com maior produção de petróleo nos EUA.

      Ao mesmo tempo, 66% aproximadamente da produção de energia elétrica provém de combustíveis fósseis.

      O facto de, para escapar ao Regulador de Energia americano, se ter há muito tempo decidido não ligar a rede do Texas à restante infraestrutura elétrica da União, acabou por dar um jeitão. Aos consumidores? Não, às companhias petrolíferas, que assim se protegem da concorrência cada vez mais efetiva da eletricidade produzida, no resto do país, a partir de fontes renováveis.

      Garante-se assim que o petróleo continua a ter futuro! E como o Texas é quentinho, não seriam necessários grandes investimentos nas redes, o que obriga a cobrar impostos ou atrapalha a distribuição de dividendos, o que é sempre indesejável.

      Ah! Liberais de um camandro, que espertos que vocês são! Oh pró mercado a funcionar tão bem! Ai que já estou a sentir “mãozinha invisível” a aliviar-me a empreendedoral excitação!

      Agora viram-se as consequências. Morreu gente? Ora essa! nas estradas morre-se todos os dias no Texas. Já para não falar da malta que insiste em se meter à frente quando vai uma bala a passar. Ou daqueles gajos que se esquecem do “sombrero” em casa e morrem de insolação.

    • Paulo Marques says:

      4000€ por dois dias de electricidade no mercado livre no meio de duas calamidades, que cheiro a liberdade maravilhoso.

      • POIS! says:

        Pois é! Lindas contas de eletricidade! A “mãozinha invisível” a funcionar na perfeição!

        Estava á espera que o Sr. Figueiredo viesse a terreno, mas parece que não. Como diria o célebre filósofo “libéral” francês Francisco Figuieredo ” c’est trop de sable pour sa camionette”

  3. POIS! says:

    Pois então mas…

    Os estafetas não são indómitos e arrojados empreendedores? Certamente se adaptarão às contrariedades e flutuações dos mercados procedendo a uma imediata reconversão, um imediato “downsizing” em que o Manel Estafeta Empresário será obrigado a cortar custos despedindo o Manel Estafeta Trabalhador, por coincidência o único funcionário. Se tal não resultasse, pois avançaria para o despedimento também da moto.

    Aliás, se a Fraternidade Cooperativa Social Ubercomes não tivesse fechado o serviço em três cidades, a “mãozinha invisível” já teria funcionado e o equilíbrio entre a oferta e a procura já estaria restabelecido através da baixa de preços automática por parte dos estafetas que ainda não estivessem estafados.

    É claro que as más línguas até já disseram que isto é desculpa e que a Ubercomes abriu noutras cidades onde não queria, e não tem rentabilidade, porque foi ameaçada por grandes clientes, onde avulta a Macamburgeres, de que iria cancelar os contratos e arranjar distribuição própria. Isto disseram as más línguas. Mas eu não acredito.

    Até porque o Painatal é Liberal.

  4. JgMenos says:

    Sempre a cambada cuida que os que livremente se deixem ‘explorar’ sejam constrangidos a mendigar a assistência financiada pelo saque autoritário que sempre tratam como a justa solução.
    Burros mais burros não há!!!

    • POIS! says:

      Pois temos de reconhecer.

      Que estamos em presença de uma comovente autocrítica de um cuidador arrependido.

      Pois não há mas, com mais meia-dúzia de comentários deste calibre, um mulo, pelo Menos, experiente vai, pelo Menos, lá chegar e até, certamente, ultrapassar.

    • Paulo Marques says:

      Não, pá, queremos que se gaste em transportes em condições.

    • E o burro sou eu ? says:

      JgMenos

      A Inteligência foi toda para os nazis como tu, os outros são todos burros


  5. Já existiam muitos intermediários entre o das alfaces e do peixe e o meu prato.
    Se eu, voluntariamente introduzo mais um intermediário, a conta que pagarei será necessariamente muito alta.

    Os restaurantes podem, se quiserem, tabelar o preços da comida em função do canal de venda. Um preço para quem vai buscar a encomenda e outro preço para quem manda a Uber ir buscar. Isto para manter a margem de comercialização que desejam.

    Assim, pode ser que os clientes Uber consigam levantar o rabo do sofá, para irem buscar o almoço ao restaurante…

    • POIS! says:

      Pois dou-lhe os meus parabéns!

      Estimo que goze bem a vida com os elevadíssimos rendimentos que vai certamente obter da sua patente da pólvora.

      Assim já poderá gozar a vida, sustentar a família e tal.

      Ai que inveja!

    • Paulo Marques says:

      Podem, mesmo? E o contracto das Ubers, não dirá outra coisa?

    • Filipe Bastos says:

      Creio que o Paulo e o POIS interpretam mal o Oavlag: este diz apenas que ninguém é obrigado a usar Uber Eats ou outro mamão, e que tendo de pagar mais por eles, provavelmente muito menos os usariam.

      A larga maioria, convenhamos, usa-os por comodismo. É fácil, é conveniente e funciona. Logo, a larga maioria está-se nas tintas para a sua mama obscena. Foi esta indiferença egoísta, esta cumplicidade amoral que nos deixou aqui.

      Quase todos somos coniventes. Quando não na Uber Eats, nas Amazons e Continentes da vida. Graças à economia de escala e ao efeito multiplicador do capitalismo, contribuímos activa ou passivamente para a concentração de poder e riqueza.

      Alguns dirão: as pessoas não têm culpa, o Estado é que tem de taxar os mamões, cercear-lhes o domínio do mercado, torná-los menos apelativos ao consumidor. Pois, mas o Estado é gerido pela classe pulhítica, que está no bolso dos mamões.

      E isso absolve as pessoas demasiado facilmente; então não têm olhos na cara, bússola moral, vontade própria? Sem isso, como podem sequer votar – seja em decisões, seja em políticos?

      • POIS! says:

        Pois é!

        E até já dei os parabéns ao Oavlag pelo registo da patente!

        Era obrigado a mais? Tenho cá umas condecorações que posso ceder, a notável Grã Cruz da Ordem do Brancoégalinhópõe ou a famosa Ordem de Lapalisse. É só escolher.

        A outra fica para V. Exa.

      • Filipe Bastos says:

        Certo, POIS, mas o facto de ser evidente não lhe retira razão ou, neste caso, pertinência.

        Os restaurantes podiam aumentar os preços nas apps mamonas. E estas só mamam tanto porque a larga maioria se está nas tintas para a sua mama.

        Ora, se a maioria age como carneiros egoístas, e o Estado é gerido por pulhas vendidos… o que sugere?

        • POIS! says:

          Ora muito bem, Sr. Bastos!

          “Os restaurantes podiam”…e já não podem?

          Ainda hei-de ver por aqui V. Exa. a defender a proibição dos restaurantes, para obrigar a “carneirada” a dedicar-se à cozinha! A Bastocracia Semirepresentativa Semidireta, em matéria de totalitarismo, põe qualquer Big Brother a um canto. E com um Estado muito mais pequeno que o atual, o que é obra!

          Não me diga, sr. Bastos, que quem anda no terreno não sabe o que fazer. O problema é que o aumento de preços tem consequências.

          Sr, Bastos: seja Uber ou não, e salvo qualquer subsídio aos transportes, quem paga a entrega é o consumidor. Se o cliente, ao ver o preço total da refeição, e pesando outros custos como sejam o da deslocação e até o da impossibilidade, compra, ou não.

          Acho que as preocupações de V. Exa. sobre quem chula quem, que lhe têm causado convulsivos ataques de choro lancinante, serão bastante legítimas. Se seguir esse raciocínio continuamente, garanto-lhe, vai ter um efeito muito positivo: deixará de comer, tomar banho, e até de limpar os bastos fundos das costas com papel higiénico.

          Pensando bem, dá uma razoável poupança. Se tiver seguro de saúde, ainda lhe dará direito a escolher um bom hospital privado e mesmo, se V. Exa. tiver estatuto VIC (Very Inportant Chuleco), a cor da ambulância.

          Se quiser evitar tamanha humilhação, sempre pode ir a pé para o hospital. Sempre é menos um intermediário. O Oavlag ainda noutro dia levou a sogra às costas, mas de trotinete.

      • Paulo Marques says:

        Não, estava claramente a falar do lado do vendedor. E este escolhe fazer negócio com a Uber porque esta tem capital dos investidores (mas não do lucro, que é isso?) para afastar quem apareça e pagar as multas que forem precisas no caminho do monopólio.
        E, não, as decisões pessoais são irrelevantes porque, em muitas situações, nem sequer há alternativa às necessidades. Felizmente passo sem os primeiros dois, mas sem uma grande superfície? Boa sorte com isso.

        • Paulo Marques says:

          O “escolhe”, se não ficou claro, é irónico. Não houve escolha, ainda por cima graças à pandemia. Quando muito, houve aposta que se podia adiar a falência, mas não é exactamente uma escolha de investimento.

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