Joe Biden – mudança de política relativamente às Coreias

No passado dia 21 de Maio, na cimeira entre Joe Biden e Moon Jae-in, abriu-se uma nova página na política dos Estados Unidos relativamente às duas Coreias.
Biden recusa-se a continuar a tratar o Presidente da Coreia do Norte como alguém fiável para negociar, apontando para a ausência de qualquer evolução nas últimas 4 presidências, recolocando a Coreia do Sul como principal aliada e interlocutora para as questões da península dividida.

Se é certo que Moon Jae-in continua a não mostrar disponibilidade para abordar o dossier China, uma vez que é o principal parceiro económico da Coreia do Sul, é verdade que abre aos EEUU a sua fortíssima indústria tecnológica de chips, com o intuito de desenvolver uma parceria bem sucedida para travar e/ou rivalizar com a tecnologia 5G chinesa. Mau grado a tentativa de Trump de proibir os países europeus de aderirem à 5G, não foi bastante para evitar a sua disseminação por toda a Europa.
Biden não pretende impor a proibição da transmissão 5G, mas antes desenvolver tecnologias que possam concorrer com ela.

O principal propósito de Biden para esta cimeira Estados Unidos – Coreia do Sul, sem sonegar o relevo da parceria tecnológica num domínio em que os EEUU se deixaram atrasar – a indústria de chips – foi utilizar a própria Coreia do Sul para travar a nuclearização dos seus vizinhos do Norte, em vez de continuarem os americanos com essa tarefa.
Como fez Biden para o conseguir? Aboliu a imposição de os sul-coreanos não poderem ter mísseis com um alcance superior a 800 km (2017), podendo de ora em diante não ter nenhuma restrição de alcance.
Como é evidente, Moon Jae-in mostrou-se grato, já que tem tecnologia capaz e apta, enquanto Biden justificou que tomava esta medida com o objectivo de desnuclearização da península coreana, através da pressão balística da Coreia do Sul sobre a do Norte.
Ou seja, por outras palavras, Joe Biden utiliza uma técnica conhecida da Guerra Fria ao retirar aos EEUU a missão de controlar a Coreia do Norte à distância, passando-a para a Coreia do Sul, circunscrevendo, desta forma, o conflito a uma escala regional.

Aparentemente a solução foi testada no passado e revelou bons resultados, veja-se na Europa onde se viveu longo período de paz, mas há que aguardar pela resposta de Kim Jong-un da Coreia do Norte.
Esperemos pelos desenvolvimentos futuros, sendo para já certo que os Estados Unidos delegam à Coreia do Sul uma força inesperada, embora sem conseguir motivá-los a serem seus parceiros na “guerra” comercial com a China.