PCP continua agarrado às negações que lhe convém

Sabemos como o PCP é lesto a denunciar atropelos à Democracia, à liberdade e à precariedade dos assalariados em países onde estão instaladas ditaduras que consideram de direita ou fascistas. No entanto, também não é espanto para ninguém a sua postura negacionista face a violações dos mais básicos Direitos Humanos em ditaduras que considera mais próximas de si a que costumamos apelidar de comunistas.
É deplorável que democratas, sejam eles de que origem ideológica forem, não se unam para denunciar e combater qualquer regime ditatorial.
Vem isto a propósito do título da última edição do jornal Avante, onde se pode ler, e cito, “A farsa de Tiananmen”, mesmo que em letras mais pequenas imediatamente acima se leia “Documentos publicados pelo Wikileaks revelaram”.

A edição do jornal é paga e, por isso, não tenho acesso ao desenvolvimento de texto, mas fui procurar o que a Wikileaks divulgou acerca do massacre de Tiananmen de 1989. O que é que o documento, que tomo por verdadeiro até prova em contrário, revela? Revela apenas e tão-só que um diplomata chileno não viu e reportou superiormente o que a imprensa ocidental divulgou.
Nada de invulgar, diga-se, mas o que não se lê nesse documento é que não tenha havido um massacre e que não tenham ocorrido centenas de detenções nesse dia em Pequim, que poderão não ter acontecido conforme foi noticiado, mas noutro local próximo, segundo algumas fontes. O que é que o documento, que tomo por verdadeiro até prova em contrário, revela? Revela apenas e tão-só que uma pessoa não viu e reportou superiormente o que a imprensa ocidental divulgou. Nada de invulgar, diga-se, mas o que não se lê nesse documento é que não tenha havido um massacre e que não tenham ocorrida centenas de detenções nesse dia em Pequim, que poderão não ter acontecido conforma foi noticiado, mas noutro local próximo, conforme defendem algumas fontes.

Em boa verdade, há relatos na 1ª pessoa de familiares de mortos, de presos e de desaparecidos que tentam manifestar-se sem sucesso todos os anos e de grandiosas manifestações em Hong Kong, anualmente, proibidas apenas este ano pelo facto de o regime ditatorial chinês estar a impor o fim das excepções que assinou aquando da passagem da soberania do Reino Unido para a China.

A ver se nos entendemos: o regime chinês, tal como o da Coreia da Norte, é uma ditadura feroz que limita qualquer acção livre dos seus cidadãos, que não cumpre com os mais básicos Direitos Humanos e, como se não bastasse, efectua purgas étnicas amiúde e fecha os olhos à escravatura laboral.

Não basta haver dúvidas sobre como ocorreu o massacre de Tiananmen, que as há, bem pelo contrário. Tratando-se de um regime ditatorial onde não há imprensa livre, não pode, ou melhor, não posso como democrata aceitar que uma qualquer dúvida sobre como determinado massacre e centenas de detenções ocorreram sirvam, como parece servirem ao jornal no PCP, para branquear um deplorável regime e uma das mais perigosas ditaduras actualmente existentes.

Comments


  1. É a teoria dos massacres bons e dos massacres maus, semelhante é teoria das invasões boas e das más. Tal como o Ocidente considera boas as patrulhas por vasos de guerra yankes das costas da China, mas ficaria horrorizado se os chineses fizessem o mesmo junto à Florida para “assegurar a liberdade de circulação dos mares”. A lógica disto tudo é fantástica…

    • Filipe Bastos says:

      Nem mais.

      E temos de invadir o Irão e Cia. se sequer sonharem em ter armas nucleares, mas Israel pode ter as que quiser. E a China espiar-nos é intolerável, a canalha americana é impecável. E o Putin invadir a Crimeia é um crime, os EUA matarem 500.000 iraquianos é pura liberdade(TM).

      Uma longa lista. O triste é tantos carneiros irem nisso.

  2. Victor Nogueira says:

    Não me lembrava de ter lido tal artigo na última edição do Avante pelo que fui pesquisar, nada encontrando. Admirado, alarguei a busca “et voiiá”. Foi publicado há 10 anos, em 07-12-2011, na edição 1984.

    • Carlos Almeida says:

      É curioso que durante os massacres de crianças da Palestina pelos exercito Sionista, em que morreram centenas de pessoas, nada se tenha lido aqui neste blog sobre este assunto actual.
      Os mesmos “liberais” que que diariamente aqui escrevem sobre os assuntos que lhes convêm, nada disseram sobre esse assunto.
      Agora vêm com um artigo do Avante com 10 anos.
      Mas não há duvida que são coerentes. Quem os conhecer que os compre

      • Carlos Araújo Alves says:

        Caríssimo Carlos Almeida,

        Sobre o conflito israelo-palestiniano tem o Aventar excelentes artigos de Renato Teixeira que pode consultar neste link.

        • Carlos Almeida says:

          Refiro-me aos “Liberais” do costume, que sobre o assunto nada disseram nem sequer comentaram os excelentes post do Renato Teixeira.
          Todos caladinhos como ratos

      • Paulo Marques says:

        E escrevem muito sobre Venezuela e Cuba, mas Brazil, Peru, Honduras estão caladinhos (ou um pouco antes, dos sucessos Argentinos e Bolivianos).
        Coincidências.

    • Carlos Araújo Alves says:

      Caríssimo Víctor Nogueira,

      Não era necessário pesquisar. No link constante no texto está a data que muito bem indicou.
      No entanto, no mesmo jornal pode ler sobre Tiananmen artigo mais recente, de 2019, sob o título e subtítulo:
      “Tiananmen: verdades e mistificações CHINA A pas­sagem de 30 anos sobre os acon­te­ci­mentos de Maio-Junho de 1989 na Praça de Ti­a­nanmen, em Pe­quim, tem dado re­no­vado pre­texto para uma nova cam­panha po­lí­tica contra a Re­pú­blica Po­pular da China.”
      Para não perder tempo a pesquisar aqui fica o link.

  3. Jorge says:

    Não se branqueia um regime quando se desmonta uma mentira sistematicamente divulgada pela imprensa da “ casa grande “ .
    Apenas se está a contribuir para informar correctamente às pessoas.

  4. Paulo Marques says:

    Há muito que se pode questionar na narrativa hegemónica ; os crimes internos do regime chinês, há falta de muito mais, não são uma delas.

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