A pegada liberal a puxar para o fundo

O êxito dos partidos liberais junto dos jovens nesta altura do campeonato – ao fim de mais de três décadas de triunfante neoliberalismo, com os seus brutais efeitos no aumento da desigualdade, o predadorismo ambiental, a obstinação na competitividade e a maximização do lucro a todo o custo, o crescimento e poder desmesurado das multinacionais, o espezinhamento do bem-comum, uma globalização insana, etc. – ultrapassa a minha capacidade de entendimento e esboroa a minha já parca confiança no ser humano.

Nas recentes eleições legislativas na Alemanha, a faixa etária dos 18 aos 24 anos votou quase tanto nos Verdes (23%) como no partido liberal FDP (21%), o qual recebeu a maior parte dos seus votos exactamente desta faixa etária.

Vá se lá perceber isto. Pergunto-me se, por via das redes sociais, da magia dos unicórnios, start ups, hubs e labs os jovens já vêm formatados para servir o grande capital e insuflados de individualismo.

Certo é que o dito FDP faz parte de uma futura “coligação semáforo” para o governo que, segundo tudo indica, irá pôr fim à era da CDU na Alemanha.

E como não podia deixar de ser, as grandes exigências – as chamadas linhas vermelhas –  do dito partido já foram inscritas no documento resultante das negociações de sondagem entre os três partidos, que terminaram a semana passada.

Eis a pegada liberal:

  • NÃO a um seguro de saúde único para todos os cidadãos (Bürgerversicherung), que acabaria com o actual sistema duplo, em que os ricos e os funcionários públicos têm um seguro privado VIP e o resto das pessoas tem um seguro de saúde público, mais básico;
  • NÃO ao aumento de impostos sobre a fortuna dos mais ricos e
  • NÃO à introdução do “Tempolimit”, o limite máximo de velocidade nas auto-estradas, que não existe na Alemanha; “Freie Fahrt für freie Bürger” (algo como “caminho livre para cidadãos livres”) é um slogan identitário alemão, que os liberais fizeram finca pé em incluir no dito documento das negociações de sondagem. Lindo, não é? Que interessa que a introdução do limite, permita diminuir as emissões de CO2, a taxa de acidentes ou a poluição sonora?

Para os liberais, manter o sistema de saúde VIP, a desigualdade social e carregar no acelerador sem limite, são coisas imprescindíveis para a sua felicidade e os sinais mais genuínos da sua liberdade.

Deve ser da idade não me conseguir entrar na cabeça que alguém possa, em consciência, defender tais coisas e sentir-se bem consigo.

Comments

  1. JgMenos says:

    A parvoíce da esquerdalhada não cessa de me espantar!
    Todo o discurso é de mais e mais rendimento, aumento de salários, pensões, isto e mais aquilo à borla, e depois… estranham que a juventude se foque em consumo e meios para o alcançar, apreendendo os verdadeiros valores da esquerda!

    E sabem, porque só um burro não vê, que não é o socialismo que possibilita esses valores.

    Se mantivessem a sanha de sacar aos ricos e promovessem a frugalidade como valor, faria algum sentido dizerem-se de esquerda e ecologistas ou outro qualquer ideário reconstrutivo de valores … mas os impostos vêm do consumo e só o capitalismo o dá.

    • Carlos Almeida says:

      JgMenos

      “E sabem, porque só um burro não vê, que não é o socialismo que possibilita esses valores.”

      Que é que :

      Todos por igual tenham o mesmo seguro
      Que se limite a velocidade dos automóveis nas auto estradas, para diminuir consumo, CO2 e acidentes, de resto como em todos os países que conheço
      Que se aumente impostos aos mais ricos

      Que é que : Isto tudo tem a ver com o socialismo ?

      • JgMenos says:

        Nada.
        Praticamente só tem a ver com sacar dinheiro onde o haja e regular tudo e mais alguma coisa.
        Até podia ser fascismo.

        • Tuga says:

          JgMenos

          Francamente é muita pirueta para quem é defensor acérrimo do Salazarismo. Ou já te passaste para os liberocas ?

    • POIS! says:

      Pois o quê? O que estamos nós a ver???

      O Menos com uma mama nas costas? A mijar pela cova do braço? Com a espinha a formar um &?

      Ó Menos! V. Exa. está todo torcido! É melhor ir ao fisiatra quanto antes! E se ainda for a tempo!

      Bem, se não for, restam aqueles cilindros das obras. Mas é doloroso, calculo!

  2. Paulo Marques says:

    São todos super-estrelas à espera que mije suficiente para baixo, e não que isso faça parte da estratégia para a sua substituição por outros europeus. Corre bem, mas se gostam da sr. Merkel, mudar a estratégia para quê?
    E vamos ser sinceros, o sr Scholz sempre esteve bem com isso.

  3. Luís Lavoura says:

    Vá se lá perceber isto.

    Vou tentar fornecer uma explicação.

    Acabou agora uma epidemia durante a qual a liberdade e o bem-estar dos jovens foram duramente, eu diria mesmo bestialmente, maltratados, eu diria mesmo agredidos. Em nome do bem-estar e da saúde dos idosos, que são basicamente quem manda na sociedade (porque votam mais, aliás muitos jovens nem sequer têm o direito de votar) e quem tem a maior parte do dinheiro dela, os jovens foram impedidos de ter aulas, de conviver, e foram encarcerados em suas casas. É normal que, vindos desta experiência traumática, muitos jovens se orientem para partidos que defendem antes de tudo a liberdade.

    • Tuga says:

      Lavoura

      ” aliás muitos jovens nem sequer têm o direito de votar”
      Quem não tem direito a votar é porque não tem idade e sendo assim são adolescentes, que igualmente não podem ter licença de condução.

      Que tal esta “liberdade ” que os responsáveis ingleses prevêm para o outono/inverno de 2021

      Não, ainda não acabou

      https://sicnoticias.pt/especiais/coronavirus/2021-10-19-Nao-ainda-nao-acabou-covid-19-ganha-forca-na-Europa-dc753d4b

      Preocupante não ?. Poucas vacinas nos jovens do UK e noutros paises podem dar mau resultado, digam láo que disserem os negacionistas declarados ou encapotados

      • Luís Lavoura says:

        Quem não tem direito a votar é porque não tem idade e sendo assim são adolescentes

        Exatamente, é a esses mesmos que me refiro.

        Não têm direito de voto e, talvez precisamente por isso, são frequentemente escolhidos como vítimas preferenciais das políticas públicas.

        Nomeadamente, nesta luta contra o coronavírus, os Estados europeus fizeram uma escolha curiosa: não fecharam os supermercados, não fecharam os estaleiros de construção, não fecharam as fábricas (repare-se que a China fechou isso tudo), mas fecharam… as escolas. E porquê? Precisamente porque os jovens não têm o direito de protestar nem de votar.

        • Tuga says:

          Lavoura

          “Não têm direito de voto e, talvez precisamente por isso, são frequentemente escolhidos como vítimas preferenciais das políticas públicas.”

          Curiosamente ou talvez não a extrema direita do partido republicano nos EE UU, usa também o argumento de não vacinar as crianças para alimentar o seu negacionismo.

          Chamam isso “luta pela liberdade” e toda a extrema direita mundial incluindo no Brasil com mais de 600 mil mortos, está nessa onda

          • Luís Lavoura says:

            Não sou de extrema direita nem tenho nada a ver com o partido republicano dos EUA nem com o Brasil.

            Digo apenas que, como se viu muito claramente nesta epidemia, o facto de as crianças e jovens não terem o direito de votar conduz a que elas sejam escolhidas como vítimas preferenciais de algumas políticas públicas. E não me refiro à vacinação (que não é particularmente perigosa para ninguém) mas sim a outras políticas altissimamente deletérias, como a de encerrar as escolas e a de proibir os convívios sociais entre crianças e jovens.

        • Paulo Marques says:

          Não produzir bens essenciais correria bem, com certeza; nada parecido com os problemas logísticos actuais.

    • Paulo Marques says:

      E esses jovens que fala especificamente, e não todos, mas bastantes, deixaram mesmo de conviver por largos períodos? É que quase nunca faltaram a passar ao lado de minha casa, dia e noite. E, sim, foi traumático, para todos, com exageros, mas têm muito em que culpar as festas dos colegas. E é menos traumático que perder os pais ou ter um tubo pelas goelas.
      Em nome dos idosos? Aqueles deixados à sorte ao “sector social” sem fiscalização nenhuma? Ainda são mais incompetentes do que pensava.
      E orientam-se para partidos que defendem a liberdade? Onde? Nos que saltaram do ninho de gatos? No RU onde vão levar com outra onda? Na Letónia, a fechar novamente?

  4. Rui Naldinho says:

    Bom dia, Ana

    Interessante estudo que reflete uma mudança de comportamento dos mais jovens se compararmos com os anos subsequentes à criação do Tratado de Roma, o qual deu origem à CEE.
    Acredito que as redes sociais possam ter alguma influência, mas isso não justifica tudo. O que é que o SPD tem para oferecer de diferente? Qual foi o seu percurso até hoje, que o torne confiável?
    Para mim, num país onde cerca de 1 em cada 8 habitantes é imigrante ou descendente dele, + de 10% da população, perceber o seu comportamento político e social, torna-se mais interessante. E ajudaria a explicar porque é que o SPD não sai desses mínimos, mesmo ganhando por “milésimas”.
    Dito isto, o mais importante era ter um estudo sobre a participação dos imigrantes nas várias eleições alemãs, no presente caso falo como é óbvio, nos que têm capacidade eleitoral plena, seja os naturalizados ou descendentes desses fluxos migratórios vindos da ex Jugoslávia, Roménia, Bulgária, Turquia, Portugal, Norte de África, etc, já nascidos na Alemanha.
    No caso Francês, conheço-o melhor, a taxa de participação dos imigrantes e seus descendentes, com capacidade eleitoral, ela é muito baixa, não chegando sequer aos 40%.
    Quando a esquerda perceber isso, e deixar de ter alguns preconceitos sobre a imigração, mais encapotados do que a direita, mas também os tem, basta ver como votou uma boa parte dos simpatizantes do Partido Trabalhista, no Brexit, então talvez se encontre uma razão para a esquerda ficar de fora do processo de decisão.

    • Ana Moreno says:

      Olá Rui, para mim continua a ser totalmente incompreensível que os jovens, que vão conviver com os efeitos cada vez mais dramáticos da crise climática e da destruição da biodiversidade, façam esta escolha, que nem sei como adjectivar.
      Sobre a imigração não tenho grande informação, o que sempre ouvi foi que a abstenção é elevada, mas pouco sei – o que não quer dizer que não fosse importante saber 🙂

      • Rui Naldinho says:

        Boa tarde, Ana

        Eu também acho estranho esse comportamento a que se refere, por parte dos jovens. No entanto, olhando para o eleitorado entre os 18/24 anos, diríamos que houve neste acto eleitoral uma fatia de votantes a optarem por partidos que saem fora das grandes famílias europeias. São o caso dos Verdes e dos Liberais, estas últimos “uma coisa híbrida que por vezes desaparece”, abaixo dos 5%, daí não terem representação parlamentar.
        Se olharmos para esta Alemanha que nos últimos 8/10 anos teve uma grande coligação CDU/CSU/SPD a governar, uma votação dos mais jovens num partido liberal pode não ser assim tão estranho, mesmo considerando as alterações climáticas e a destruição da Biodiversidade.
        Afinal o que é que se lhes ofereceu nesta última década? Mais do mesmo. Uma pandemia cujas culpas não podem ser assacadas ao governo, mas as restrições à sua liberdade, sim.
        Atenção que o partido dos Verdes, na Alemanha, também não resistiu à tentação do Poder e acabou nalgumas ocasiões por ceder aos apetites da governação a troco de nada.
        Agora, o natural era o SPD, dito social democrata, absorver e mobilizar grande parte de um eleitorado abstencionista, imigrante ou descendente deles, por se sentir desenraizado e sem representação política.
        Vejamos o caso português. A partir do momento em que as comunidades afro descendentes passaram a ter candidatos à representação parlamentar e membros no governo, a sua participação e mobilização subiu.

        • Ana Moreno says:

          Boa noite, Rui 🙂 “Afinal o que é que se lhes ofereceu nesta última década? Mais do mesmo.” Mas Rui, os liberais são mais do mesmo no que toca às opções económicas, mais privatização, menos privatização… O FDP o que mais queria era uma coligação Jamaica, para terem o CDU no barco, o seu aliado natural. Não, não dá para entender, a menos que seja realmente a “mão invisível”, desta vez a produzir individualistas, para não dizer egoistas. A cultura do selfie a nível da política. Felizmente há gente jovem a sair à rua por um mundo melhor, não é tudo igual. Podem é não ser suficientes, receio bem.

        • Luís Lavoura says:

          partidos que saem fora das grandes famílias europeias. São o caso dos Verdes e dos Liberais

          Os liberais são uma das grandes famílias políticas europeias!

          • Rui Naldinho says:

            Se comparar as duas grandes famílias europeias Conservadores e Democratas Cristãos, e o Grupo Socialista e Social Democrata, digamos que o Grupo Liberal é muito pequeno.


  5. «NÃO à introdução do “Tempolimit”, o limite máximo de velocidade nas auto-estradas, que não existe na Alemanha»

    E acho muito bem. Impor limites de velocidade naquelas fantásticas autobahn é um desperdício.
    Se for o limite de 120 km/h que nos foi imposto em 1977, quando muitos dos carros que circulavam nas nossas péssimas estradas da altura nem sequer atingiam essa velocidade, será no mínimo ridículo.
    E depois qual será o interesse da industria automóvel alemã em continuar a fabricar aqueles excelentes carros que nos tem habituado?
    Afinal sou liberal e não o sabia.

    • Filipe Bastos says:

      O que nos devíamos perguntar é: porque autorizamos o fabrico de carros que dão muito mais que 120 km/hora?

      E já agora: carros que custam centenas de milhares de euros? Ou iates, aviões, mansões e outros bens de luxo?

      • JgMenos says:

        Voltemos ao Trabant e ao Lada, e o mundo será salvo!!!

        • POIS! says:

          Pois será, talvez!

          Mas salvação, salvação…era V. Exa ir a pé a Fátima com o busto do Salazar à cabeça, assim em estilo gigantone. Só um sacrifício, pelo Menos, de tal monta, nos poderá salvar!

          Parece que a câmara de Santa Comba tem lá um e talvez o empreste. Na falta disso, pode levar a sanita lá de casa que muitos não notarão a diferença.

          • JgMenos says:

            Estás com uma azia, grunho…

          • POIS! says:

            Pois, com “azia”? Está-me a confundir.

            Com os “grunhos” da vara lá de sua casa. Esses é que vão ficar com as visceras aos saltos quando derem por falta da sanita.

    • Paulo Marques says:

      O único desperdício com que o clima se preocupa é o CO2, esperemos que já não aldrabado, da produção e uso de tais maravilhas.
      Defender que têm que ser salvo e os outros paguem a conta não é liberal, é conservador.

  6. JgMenos says:

    «Los fascistas, con esa manía reformadora de las costumbres que ataca a todos los partidarios de las dictaduras»

    Quem são os fascistas de hoje?

    • POIS! says:

      Pois não se sabe.

      Mas conhecem-se, pelo Menos…

      Uns quantos…

    • POIS! says:

      Pois temos de reconhecer: o Menos não pára de nos surpreender.

      Depois de uma longa carreira de fadista, agora dá cartas no flamenco.E que belas voltas dá no seu lindo traje de sevilhana, vermelhão com rendas às bolinhas Oléééé!

    • João L Maio says:

      If you can’t spot the fascist… oh well, oh well! You’re the fascist!

  7. Filipe Bastos says:

    Ana, além dos factores que enuncia – “a magia dos unicórnios, start ups, hubs e labs, os jovens já vêm formatados para servir o grande capital e insuflados de individualismo” – a desigualdade é também normalizada pelo tripartido sistema escolar alemão.

    Mas o elemento mais revelador é um estudo recente: perguntaram às pessoas como enquadram a sua riqueza; todos os alemães se consideram de classe média. Os pobres não se julgam pobres, os ricos não se julgam ricos.

    Logo, embora a desigualdade seja vista pela maioria como algo a combater, ninguém se julga afectado por ela; é-lhes tão distante e abstracta como a desigualdade em Madagáscar.

    A cultura dominante no Ocidente e no 1º mundo é ‘aspiracional’: ser mais, ter mais. Se não os pais, pelo menos os filhos. O JgMenos é um porta-voz desta cultura. E é verdade o que ele diz, o socialismo não compete com os luxos e facilidades imediatas do capitalismo.

    Num mundo de milionários temporariamente embaraçados, quem vai trocar sonhos de fama e fortuna – basta ‘trabalhar muito’, ter sorte ou chutar bem a bola – por igualdade pobrezinha?

    • Paulo Marques says:

      Antes fosse só na Alemanha, o maior truque dos últimos 50 anos foi convencer quem trabalha que os patrões nada têm a ver com isso, seguido da necessidade de libertar os especuladores para a roda continuar a girar.

  8. Ana Moreno says:

    Viva Filipe Bastos,
    “a desigualdade é também normalizada pelo tripartido sistema escolar alemão.” – muito certo, é outra coisa contra a qual sempre me insurgi.
    Quanto ao resto, quando irão finalmente cair as palas para se perceber que continuar assim Não dá?? O planeta está de rastos com este sistema de mais e mais, já chega de fazer de conta que é possível um crescimento infinito num planeta finito, quando é que este simples facto entrará na cabeça das pessoas? E quando entenderão que a felicidade não tem nada a ver com “os luxos e as facilidades imediatas do capitalismo??”

    • JgMenos says:

      É começar a clamar pela frugalidade.
      Não ao aumento se salários!
      Não ao consumo!
      Muita água e ar fresco para todos!
      Uma horta para cada família!

      …e o capitalismo acabará derrotado.

      • Paulo Marques says:

        De graça? E a Nestlé deixa?

      • POIS! says:

        Pois todos temos de reconhecer!

        Que, pelo Menos, é um lindo poema! A variz poética de JgMenos atinge o seu esplendor!

        Onde se refletem as fortes saudades lá das áfricas. Só lá faltam um ou dois mainatos para ajudarem a tratar da horta e uma caminha de rede para, ao Menos, se contemplarem as nativas a passar com roupas reduzidas.

        Que saudades, meu Menos!

  9. José Vasconcelos says:

    Olá Ana, pode por a legenda do gráfico de barras? Obrigado pelo artigo.

  10. Ana Moreno says:

    Olá José Vasconcelos, tem razão, falta a explicação das cores, coloquei agora em cima, junto à imagem.

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