16 de Janeiro

Razões apontadas: necessidade de clarificação quanto antes, urgência em novo orçamento, blá, blá, blá, tudo em nome do País e dos Portugueses.

Como se alguma vez levassem a sério o que é melhor para nós e para Portugal. Os únicos valores que realmente defendem e de forma intransigente, são as suas agendas pessoais e as dos grupos de interesses que os suportam. Sim porque com excepção da “Primavera Passista” em que a dupla Pedro Passos Coelho e Joana Marques Vidal realmente e pela primeira vez os investigou “à séria” e os obrigou a recuar, são aqueles grupos de interesses que definem o presente e o futuro de Portugal como já definiram grande parte do nosso passado. 

Vejamos quase um a um. Ninguém me convence que esta ameaça precoce de eleições feita pelo PR e a hipócrita intransigência (não, não estou a defender as posições do BE e do PCP) do Costa nas negociações do Orçamento, são os sinais de um efectivo conluio entre PM e PR para dar ao próximo Governo condições para, da forma menos escrutinada possível, gerir a “aplicação” da famosa “basuca”.

Rio depois de ter passado quase 4 anos a pedir desculpa por estar na oposição e sempre cheio de ciúmes do BE e do PCP, percebe o que seu ídolo (Costa para os desatentos) já tinha percebido há muito: em Portugal os que se estão a marimbar para a democracia e a liberdade, nem precisam de disfarçar e de se dar ao trabalho de dissimular a repugnância pela vontade dos eleitores. 16 de Janeiro ou uma data parecida dá-lhe um “jeitaço” para justificar que o melhor é adiar “ad aeternum” aquela “chatice” das eleições internas. Ao mesmo tempo consegue “à falsa fé” desvirtuar toda uma identidade eleitoral do Partido. 

A seguir o “Chicão”. Depois de 2 anos em que falhou completamente o objectivo de reverter ou sequer atenuar a decadência do CDS (pelo contrário, acelerou-a “até à última casa”), percebeu que pode transformar definitivamente o Largo do Caldas numa espécie de “man cave” para ele e para os Amigos. Mas como aquilo não é assim tão grande, convem que os Amigos não sejam muitos. Como os (cada vez menos) militantes do Partido parecem não estar “pelos ajustes”, o melhor é nem sequer perguntar-lhes o que realmente querem. Era o que faltava. Ainda tinha de se ir embora. E depois é tentar implorar ao Rio (outro “grande” democrata) que os receba em coligação para que o CDS não passe a ser uma memória na política portuguesa.

Continuando, temos o Ventura “Cartilheiro”. Não lhe convinha rigorosamente nada que agora os outros Partidos da oposição passassem a fazer mesmo oposição. Dois anos a ser “Rei em terra de cegos” e a conseguir endrominar os Portugueses com “argumentos de café”, era o “cúmulo” que aparecessem agora uns “anormais” a roubar-lhe o “poleiro”.
BE e PCP. Não há muito a dizer. Além de quererem evitar o prolongamento o prazo da “chantagem” da vitimização que o PS vai usar de “vez em quando” (pois, está-se mesmo a ver), a grande expectativa é conseguirem dar tempo para que Costa possa aprimorar as condições para conseguir uma “maioria absoluta”.

O PAN não conta para este “campeonato”. A IL (como sempre, diga-se) comportou-se como o único Partido, nesta panóplia, verdadeira e sinceramente democrático.

Estou completamente farto desta “mole” de trafulhas. Estou completamente farto de ter vergonha do meu País. Estou completamente farto de não me permitirem ter esperança.

Comments

  1. Luís Lavoura says:

    Os únicos valores que realmente defendem […] são as suas agendas pessoais e as dos grupos de interesses que os suportam.

    Certo. Tanto Paulo Rangel como Rui Rio, tanto Chicão como Nuno Melo, todos eles, o que querem é estar no poder no momento de preparar as listas de candidatos a deputados, com o fim de poderem oferecer a si mesmos e às pessoas dos seus gangues um tachinho como deputado na A.R. Para todos os quatro esse é, de facto, o principal móvil.

    Em matéria ideológica e em matéria de propostas para o país, são todos mais ou menos iguais. A única diferença entre eles é saber quem alcança o pote.

    • J. M. Freitas says:

      “Em matéria ideológica e em matéria de propostas para o país, são todos mais ou menos iguais. A única diferença entre eles é saber quem alcança o pote.”
      É uma ideia muito repetida pro André Ventura. Vamos acabar com os políticos? O resultado vai ser muito mau, penso.

      • Luís Lavoura says:

        Aquilo que André Ventura repete ou deixa de repetir é para mim irrelevante. As minhas ideias são minhas, eventualmente poderão coincidir nalguns pontos (escassos) com as de André Ventura.
        Não desejo acabar com os políticos, mas tenho muito pouca confiança nalguns deles.

        • J. M. Freitas says:

          “Aquilo que André Ventura repete ou deixa de repetir é para mim irrelevante. As minhas ideias são minhas,”
          Claro, que banalidade.
          As minhas também são minhas, etc. Eu só queria dizer que estou um bocado cansado da lenga lenga do André (que, eu sei, agrada a muita gente que a repete). E acrescentei que o resultado dessas ideias é, geralmente, muito mau. Não acredita?

  2. J. M. Freitas says:

    “A IL (como sempre, diga-se) comportou-se como o único Partido, nesta panóplia, verdadeira e sinceramente democrático.
    Estou completamente farto desta “mole” de trafulhas. Estou completamente farto de ter vergonha do meu País. Estou completamente farto de não me permitirem ter esperança.”
    Isto parece-me uma banalidade: todos dizem o mesmo, isto é, elogiam o partido de que gostam e chamam nomes, em geral feios, aos outros. Raramente se vê alguém admitir que há pessoas com ideias diferentes das suas, o normal é dizerem que os outros são trafulhas, fazem com que eu tenha vergonha, tiram-me a esperança, etc. etc.
    Os outros são sempre aldrabões e vigaristas, nunca pessoas com ideias diferentes. E assim se fica dispensado de argumentar, bastando chamar nomes.
    ” Os únicos valores que realmente defendem e de forma intransigente, são as suas agendas pessoais e as dos grupos de interesses que os suportam.”
    Que os políticos defendam unicamente os interesses pessoais, discordo. Que defendam os do grupo (ou classe) que representam concordo. De facto não me consta que um grupo ou classe social defenda os interesses dos outros contra os seus.
    Alguma vez se viu os empresários prejudicarem-se para defenderem com unhas e dentes os interesses dos assalariados?
    Ou acredita no bastonário dos Médicos quando afirma que o que o move é só o interesses do doente? Os dos médicos, nem pensar!!
    Só encontro banalidades demasiado batidas.

  3. Alexandre Barreira says:

    ……há 47 anos que andamos nisto…….meu Deus……….como é possível….?!……está provado que…..o povo é mesmo sereno…….ou melhor…quer é “sopas e descanso”…..!!!

  4. Paulo Marques says:

    Democracia é esperar que o D Sebastião se digne a voltar e seja nomeado, quando à pouco era importante que não se esperasse. Mas não tão democrático como espalhar ideologia ultrapassada com declarações contraditórias dando palco e batendo palminhas a qualquer um que queira beneficiar o mesmo dono.
    Ah, bom, e quando se obriga os trabalhadores a recuar, também muito importante e nada ideológico.

  5. Tuga says:

    ” A IL (como sempre, diga-se) comportou-se como o único Partido, nesta panóplia, verdadeira e sinceramente democrático.”

    Palavras para quê ?

  6. Filipe Bastos says:

    Valha-nos o Osório (e às vezes o Franzini) para se falar disto. Por regra fica-se pela politiquice de quem vai ganhar ou perder, das tácticas e mexericos, estilo comentário da bola.

    Há, nisto da política, uma esquizofrenia curiosa. A ‘vox populi’ diz clara e abertamente que a motivação dos políticos é pessoal; que são chulos e são trafulhas; que andam todos ao mesmo; que as excepções são poucas ou nenhumas.

    No entanto, em conversas ‘sérias’ prevalece uma espécie de pudor em assumir tal evidência – basta ler acima o JM Freitas. Então vamos descredibilizar a política? Vamos pôr tudo em causa? Não sejamos taxistas! Sejamos adultos; sejamos ‘responsáveis’.

    A esta autoilusão chamam pragmatismo: não temos melhor; e o que temos não é assim tão mau. Não pode ser! Como pode andar tudo ao mesmo, ser tudo uma merda? Claro que não.

    • J. M. Freitas says:

      “A ‘vox populi’ diz clara e abertamente que a motivação dos políticos é pessoal; que são chulos e são trafulhas; que andam todos ao mesmo; que as excepções são poucas ou nenhumas.”
      Verdade, a vox populi diz isso. Mas não há provas nem se prova que os políticos se comportam de modo muito distinto do que fazem outras classes e grupos. Por norma diz-se que é assim porque sim. Mas as pessoas acreditam e só o acreditar pode trazer consequências gravíssimas.
      Já se acreditou que existiam bruxas. E só o acreditar levou ao assassinato de muito inocente.
      Conheço muita gente que quando ouve André Ventura na TV fazer afirmações contra políticos sem qualquer prova, sorri e comenta de imediato “este é que as diz”. E conheço muita gente, que não é iletrada, e pensa (ou pelo menos parece pensar) que não devia haver políticos!!

    • Paulo Marques says:

      O Filipe, o esquerdista, pensando pela sua cabeça, concorda mais com quem lava mais branco o sistema neoliberal.
      Só é pena o Guardian não falar sobre o assunto.

    • Filipe Bastos says:

      “Verdade, a vox populi diz isso. Mas não há provas … Por norma diz-se que é assim porque sim.”

      V. estará a gozar? 40 anos de saque e bandalheira, de políticos que entram pobres e saem ricos, de calotes e bancarrotas, de negociatas mafiosas e ruinosas, de leis à medida e em proveito próprio, de incontáveis tachos, subvenções e outras mamatas, de escândalos e arquivamentos, de desfaçatez e impunidade crónica… e diz v. que é assim porque sim?

      Sim, o Ventura constata que o regime é podre. E? Seja o Papa, o Goucha ou o pulha Ventura a dizer, é mesmo podre.

      Ó JM, v. será cego, tolo, anjinho, gozão ou… cúmplice?

      O Filipe, o esquerdista…

      Não me diga que vou receber lições de esquerdice de um acomodado apologista da desigualdade, da partidocracia e do gangue sucateiro… que luxo.

      • J. M. Freitas says:

        “Ó JM, v. será cego, tolo, anjinho, gozão ou… cúmplice?”
        Penso que não tenho nenhuma destas qualidades. Penso mas …. não sei, ninguém é bom avaliador em causa própria. Compete aos outros avaliarem se sou cego, tolo, anjinho, gozão ou … cúmplice. Eu tenho uma ideia positiva de mim próprio (como quase toda a gente). Até acho que tenho um espírito cartesiano, sempre com a dúvida metódica á frente. Exijo sempre provas. O diz-se diz-se por vezes é enganador e pode conduzir a péssimos resultados.

        • Filipe Bastos says:

          Fair enough, JM: quando tiver uns dias livres podemos rever a lista de escândalos, roubos, crimes lesa-pátria, trafulhices, chulices e sacanices desta classe pulhítica. Uns dias, não: é melhor ser umas semanas.

          Para as horas livres, tem por ex. o http://www.tretas.org .

          Então e as provas, dirá. Estão no mesmo sítio das condenações: num regime podre onde as leis são feitas pelos criminosos, e onde a Justiça é uma fantasia; onde um 44 sai da choça após 9 meses e um Vara após 2 anos e tal; onde um Oliveira e Costa ou Salgado nem lá vão.

          Mas não tema. Em breve o bordel paralamentar fará uma lei que obrigue os criminosos a assinar contratos onde detalhem os seus crimes, e a transmiti-los em directo via Youtube. Aí teremos finalmente provas.

  7. POIS! says:

    Pois nem sei o que diga.

    A minha falta de esperança é tanta que já nem espero conseguir terminar este comentário.

    Como de facto…

  8. Filipe Bastos says:

    Por isso, vamos fantasiar sobre ideias e ideologias; vamos fazer de conta que PS e PSD não querem só pôr as patas no pote; que o Parlamento é mais que um bordel de interesses e uma arena pífia de debates estéreis; que os governos são mais que lacaios dos DDT em busca de tacho pós-política; que as Câmaras são mais que máfias locais; que o PR é mais que um tachão para reformados do Centrão; que o Parlamento Europeu é mais que uma colecção de mega-tachos; que a UE é mais que os mamões que nela mandam.

    Vamos fazer de conta que a política, tal como existe hoje, é mais do que teta e networking; que “a maioria dos políticos são sérios”; que o voto serve para mais do que rodar o tacho; que quem manda são os países e os povos, não os ‘mercados’ e outros mamões.

    Vamos fazer de conta que isto é coisa séria, de gente séria. Falemos disto com ar grave e sereno. Claro. Somos taxistas ou quê?

    • Paulo Marques says:

      Não, vamos fantasiar em matá-los a todos e deixar à entidade divina resolver o resto, enquanto se continuam a governar.

      • Filipe Bastos says:

        Uma democracia semidirecta, ó branqueador de pulhas. Ou então, no mínimo, vigiar e responsabilizar esta canalha.

        Não é preciso nenhuma divindade. Basta não ser cobarde.

        • Paulo Marques says:

          E chega lá como? E mantém-na como? E faz com que os eleitores não sejam comprados ou mal informados pelo capital doméstico e estrangeiro como?

          Já vigiar, acha que têm sido apanhados como? Sim, havendo muito a fazer ainda, como acabar com megaprocessos em tribunais especiais.

          • POIS! says:

            Ó Paulo, desculpe lá!

            Primeiro implementa-se e depois pensa-se nesses pormenorzitos. Olhe, para começar, transformava-se a Fábrica de Unicórnios do Moedas em Fábrica de Bastos Certificados.

            Para começar!

  9. Paulo Marques says:

    Concordo com este camarada, que disse isto em Janeiro de 2019.
    “Então nós vamos estar a fazer um discussão interna, por mais atrativa é interessante que seja, enquanto os outros partidos estão em campanha eleitoral?”

    Desconhecido

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